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Pop Dell’Arte @ Musicbox

Casa cheia para receber “Contra Mundum”.

Casa cheia no passado dia 15 de Julho, vicejante e ultra participativa com o regresso duma das mais míticas bandas da cena urbano-pop portuguesa de sempre.

“Contra Mundum” marca o regresso à militância pós–punk dum dos colectivos que melhor soube absorver  e percurtir os desvios sónicos cultivados na Europa, pelas décadas de 80 e 90, à  cidade das sete colinas. A primeira parte contou com os lisboetas Corsage. Na muche a escolha de quem abriria as hostes à militância de Pop Dell´Arte.

O universo do quinteto, que assenta na  voz e performance de Henrique Amoroso a sua  atmosfera sónica, aviva os jogos imaginativos e envolventes duns Triffids (outra marcante banda da década de 80) e, nalguns momentos, o sentido estético dum Leonard Cohen.

Há carácter de alma, bons instrumentistas (destaque para o baterista) e uma individualidade pop capaz, cheia de belas e audíveis intenções.

Ficam na mente «Nobita», «Along The Line» e as ritmadas «Gatekeepers» e «Fall Asleep».

Uma banda romântica, sem exagerar, introspectiva, sem se perder ou abstrair na química que os pode, até, catapultar pela revelação que as canções quando nos obrigam/permitem sonhar adquirem.

Na cena Rock Rendez Vous os Pop Dell`Arte tiveram uma liderança carismática, única, de um razoável e descomplexado amadorismo que tornava a sua pop tão autêntica e especial.

Passados 15 anos, foi como se – merecidamente- o imenso molde humano que lhes absorveu a invulgaridade em décadas passadas (porque foram muitos os da velha guarda que ali se concentraram) e os curiosos que lhes condenam a imolação de que, num determinado momento, foram alvo, lhes prestassem a devida homenagem.

Com a subida ao palco do Musicbox de João Peste, Zé Pedro Moura e dos novos integrantes do colectivo -Paulo Monteiro, Eduardo Vinhas e  Nuno Castedo (baterista também da banda que abriria as hostes para os PDA – os Corsage) – a sala do Cais do Sodré pareceu ainda mais cheia. Tão ou mais que a afluência, em tempos longínquos, à sala da Rua da Beneficiência que lhes serviu de refúgio à expressão sonora durante quase uma década.

Foi uma noite de (re)encontros, adejos pelo passado e reintegração, esperada, neste presente.

«Ritual Transdisco» e «My Rat Ta-Ta» do novo disco rastilharam o impacto que a banda continua a ter por cá, mas foi com um punhado de regressos ao passado vivo, donde se destacam «Querelle» e «My Funny Ana Lanna» que o contágio para o público se tornou ainda mais evidente.

As influências sonoras do eixo pop de Manchester, o rock glam e alternativo, figuraram sempre no dicionário imagético e sonoro de João Peste, o gosto por Marc Bolan e T-Rex também e por isso a noite acabou ao som de «Century Boy», já com a ajuda e estimulação do público presente.

A atitude vocal de João Peste transuda, intensamente, com o passado (vivo) que nos deu a conhecer Pop Dell´Arte. E para quem a força dum movimento findo os cunhou, a par de outras bandas de proa num cenário ido, de “losers”, atente-se que os “magníficos perdedores” – como alguém um dia escreveu – estão aí a colher e saborear os frutos da sua inigualável militância.



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