Pop Dell’Arte @ Lux

20 anos.

Fechando um ano de 52 quintas-feiras, os Pop Dell’Arte apresentaram-se no Lux para um concerto de antevisão de POPlastik, a compilação que engloba duas décadas de afirmação artística de uma das bandas mais originais e imprevisíveis do panorama musical português. Tem lançamento previsto para dia 9 de Janeiro e incluirá três temas inéditos: «(J’ai oublié) all my life», «Stranger than summertime» e «No way back» (versão do original de Adónis).

Apesar da irregularidade discográfica, parece nunca ter existido lugar para uma desunião com o público. Em contrapartida, a captação de novos ouvintes torna-se menos provável e verificava-se que a faixa etária que se encontrava na discoteca tinha uma média acima do normal (de referir que esta situação não tem qualquer pendor pejorativo).

Com o palco “protegido” por uma brilhante cortina de fitas vermelhas e enquadrado pela lotação completa do piso inferior, foi por volta da 1 da manhã que se iniciou o concerto. João Peste, Zé Pedro Moura, Luís Sampayo, Sei Miguel, Paulo Monteiro e Tiago Miranda actuaram ao longo de uma intensa hora e meia percorrendo temas incluídos nas edições Free Pop, Arriba! Avanti!, Ready Made, Sex Symbol e  So Good Night (canção que abriu o espectáculo).

Alternando entre uma sobriedade introspectiva e momentos mais expansivos, João Peste desdobrou-se em diversos idiomas e, manobrando as palavras sem grande respeito por regras ou formalismos, conseguiu sempre manter uma sintonia com os que o acompanhavam, tanto no palco como no público. O vídeo trouxe força visual a um universo atemporal e subversivo que tem acompanhado a banda ao longo dos anos, contribuindo – juntamente com a cortina – para a criação de um ambiente cinematográfico.

A manutenção de um equilíbrio entre os membros da banda nem sempre foi a melhor ao longo dos anos, mas os afastamentos temporários e as colaborações esporádicas acabaram por nunca pôr em causa a unidade estilística dos Pop Dell’Arte, sendo notório o entendimento entre os seus elementos.

Terminado o concerto fica a sensação que em Portugal não existem muitos exemplos de projectos que decidam seguir uma linha sem dar muita importância a factores como a obtenção de sucesso comercial ou a pressões para os tornar mais “acessíveis”. A impossibilidade de rotular parece ser um dos aspectos mais incomodativos tanto para produtores, promotores ou ouvintes. Porém, é agradável saber que os Pop Dell’Arte não soam a nada, apenas a Pop Dell’Arte.



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