Public Enemy

It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back. Um álbum histórico (re)visitado nesta edição da Rua de Baixo.

O ano era o de 1988 e os Public Enemy lançavam o seu segundo álbum. Nem eles nem ninguém pensavam que alcançariam o sucesso que alcançaram. Numa altura em que o mundo pronuncia os Rage Against The Machine (RATM) como uns génios únicos dentro do género, os Public Enemy são esquecidos bem como o facto de que, sem eles, os RATM não teriam onde se inspirar.

Muitas vezes considerados como uma das mais controversas e influentes bandas dentro do rap, os Public Enemy começaram a tendência de apagar as linhas entre música e política, fazendo do rap uma arma social.

O início

Enquanto estudante de Artes em Nova Iorque, Chuck D (Carlton Ridenhour), conheceu os fãs de hip-hop Hank Shocklee e Bill Stepheny enquanto fazia de DJ numa rádio da escola. Os três fizeram várias demos e captaram a atenção do produtor Rick Rubin. Impressionado com o Freestyle de Chuck D, recrutou-o para a sua produtora, a Def Jam.

Enquanto que Shocklee e Stepheny assinaram contrato com produtor e relações públicas, respectivamente, Chuck D recrutou o DJ Terminator X (Norman Lee Rogers), Professor Griff (Richard Griff) e Flavor Flav (William Drayton) para compor a equipa.

Embora o grupo só tenha sido formado oficialmente em 1982, eles não editaram um álbum até ao ano de 1987 (“Yo! Bum Rush the Show”). Apesar de ter tido boas críticas, o álbum foi um falhanço total a nível comercial. Contudo, o seu sucessor de 1988 foi considerado revolucionário…

It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back

Com a equipa de produção Bomb Squad, os Public Enemy criaram um som que misturava samples com funk clássico, enquanto brinca com a interacção entre a retórica política de Chuck D e o humor de Flavor Flav. No ano em que foi lançado, não era comum retratar-se o medo, a raiva, a paranóia e a ansiedade num só CD e, por isso, ficaram na História da música.

O álbum é um clássico do rap e veio influenciar tudo o que foi feito mais tarde, dentro e fora do género. A primeira faixa do álbum é “Bring The Noise”, onde Chuck D e Flavor Flav começam a agitar o ambiente. “Don’t Believe The Hype” é um hino à irreverência e, embora não seja tão cativante como o seu maior sucesso, “Fight The Power”, tem bastante significado. “Flavor Flav Cold Lampin’” é uma faixa hilariante que merece ser ouvida só pelo gozo.

O ritmo do álbum acalma um pouco durante uns tempos. Mais à frente, “Louder Than A Bomb” começa calmamente, mas pouco depois Chuck acaba com a calmaria e irrompe violentamente. “Night Of The Living Baseheads” é uma das faixas mais memoráveis do álbum graças a um vídeo tresloucado feito para a mesma. Esta foi das primeiras bandas a chamar à atenção para a epidemia das drogas nas cidades e esta faixa é um exemplo disso. Já em “Black Steel In The Hour Of Chaos” encontramos Chuck D mais irritado que nunca a falar de uma fuga da prisão e, embora seja ficcional, Chuck ainda consegue atingir tudo e todos desde o governo federal ao racismo.

No final, temos três faixas bombásticas e militantes ao extremo: “Rebel Without A Pause”, “Prophets Of Rage” e “Party For Your Right To Fight”. Esta última muito bem conseguida com as vozes a imporem-se ao mais alto nível.

Nenhuma banda ainda conseguiu igualar a proeza de atacar uma quantidade enorme de oponentes numa só faixa como os Public Enemy. O título dado ao álbum não foge à realidade, seriam mesmo necessários milhões para deter os Public Enemy.

Depois da edição deste álbum, os Public Enemy estiveram envolvidos em grande controvérsia, sendo que a mais séria centrava-se na ligação do grupo ao líder do chamado Black Muslim, Louis Farrakhan bem como numas declarações anti-semitas feitas por Griff, que o levaram a sair do grupo.

Apesar da publicidade negativa, os Public Enemy não se ficaram por este álbum e contam já com 10 registos editados, o último em 2002. Não há dúvida de que eles reescreveram as regras do hip-hop, tornando-se o grupo mais influente e controverso dos anos 80 e, para muitos, de sempre.



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