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Real Estate @ ZDB

Sala esgotada para a segunda actuação dos Real Estate no Aquário.

Pairava uma dúvida no ar, na passada noite de 3 de Dezembro. Ali perto, pela Avenida da Liberdade e arredores, o Vodafone Mexefest estava a acontecer. Como iria estar o Aquário para receber novamente os Real Estate? As dúvidas foram dissipadas logo à entrada: lotação esgotada. É que “Days”, o novíssimo álbum da banda de Nova Jérsia é óptimo e era crime não haver casa cheia para o celebrar. Ainda para mais com uma sala agora equipada com ar condicionado. E que diferença que faz. Acreditem que valeu todos os euros investidos.

Antes dos Real Estate havia um outro motivo de interesse que dava pelo nome de Pega Monstro. Júlia e Maria Reis subiram ao palco por volta das 23h20 com um tímido “Boa noite!” mas a timidez acabou por aí. Numa entrevista recente à RDB já tinham “avisado” que iria ser possível escutar temas novos, que possivelmente vão integrar o novo álbum, com data de lançamento prevista para Fevereiro de 2012. E foi isso mesmo que se passou. As canções das Pega Monstro são curtinhas e têm uma base simples: a guitarra e a bateria. No entanto, isso não as impede, em nada, de partir a loiça toda e fazer a festa. «Paredes de Coura» foi o momento alto da curta actuação e teve direito a coro como não poderia deixar de ser. Os temas novos seguem a mesma receita. Se os versos de «Paredes de Coura» já estão na ponta da língua de muitos, contem com outros como «Tenho uma afta na boca e não sei de onde veio». São canções curtas. Com sentido de humor. Divertidas. Que dão gozo de escutar. Genica é algo que não falta a estas raparigas! A missão de animar as hostes foi cumprida com elevada distinção.

Este primeiro concerto apenas deixou um mau indicador. O som. Não esteve famoso e ficou no ar o receio de assim poder continuar durante o concerto dos Real Estate. Infelizmente foi isso mesmo que aconteceu.

O tempo entre concertos foi apenas o necessário para remover os instrumentos das Pega Monstro e preparar os dos Real Estate. O relógio marcava as 00h10 quando soaram os primeiros acordes de «Easy», do mui recomendável “Days”. Para quem marcou presença no concerto anterior da banda, no dia 19 de Fevereiro de 2010, naquele mesmo espaço, e na altura apenas com o álbum homónimo na bagagem, as comparações tornam-se inevitáveis. O factor novidade já não existe. Procuram-se outras coisas. O que mudou? Foi para melhor? Para pior? A primeira coisa a saltar à vista é a presença de mais um elemento em palco, para se ocupar dos teclados e, pontualmente, de uma guitarra. Isto confere à música dos Real Estate a capacidade de trazer para cima do palco os arranjos mais cuidados e os pormenores que trazem valor acrescentado a “Days”. Depois percebe-se que a banda cresceu. O passar do tempo não traz apenas mais idade. Também traz consigo sabedoria e experiência, se soubermos tirar partido disso. Os Real Estate conseguiram-no, e conseguiram-no sem ter de voltar as costas ao passado. Orgulham-se dele e mostram-no logo à segunda canção, «Fake Blues». Mas tudo tem o reverso da medalha. Não se consegue deixar de sentir que aquela inocência e genica, que funcionavam como uma clara mais-valia, que se viu no primeiro concerto, é agora menos evidente.

Ainda estavam reservadas mais algumas visitas a “Real Estate” mas como seria de esperar, o centro das atenções era mesmo “Days”. Assim, seguiram-se «Municipality», «Green Aisles» (com o baixo a embalar-nos), «Wonder Years» e, para fechar a sequência, o cartão de apresentação de “Days”: «It’s Real».

A música dos Real Estate transporta-nos para os subúrbios e que melhor forma de o demonstrar, do que em palco e a cantar um verso como “Budweiser Sprite, do you feel alright?”? Era o regresso ao primeiro álbum com «Suburban Beverage». No meio disto tudo continuava a falhar o som, que não permitia que se desfrutasse as canções dos Real Estate da forma que estas merecem.

Houve ainda tempo para «Out of Tune» que, ao contrário do que se pode escutar no álbum, se solta muito mais ao vivo. De seguida, os primeiros acordes de «Beach Comber» fazem-se ouvir e deixem-me que vos diga que continua a saber tão bem escutar agora, como da primeira vez.

Uma hora depois de terem entrado em palco, os Real Estate deixam-no, e à sua frente fica um grupo de pessoas felizes, sim, mas que não deixa de se questionar se a banda que esteve em palco lhes proporcionou tudo a que tinham direito.



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