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Real Estate @ ZDB

19 de Fevereiro de 2010.

Lembro-me de, por esta altura, no ano passado, comentar a imensa quantidade de nomes que iam visitar as salas de espectáculos no nosso país. Da minha boca saiam frases como “isto é um abuso” ou “isto vai dar um belo rombo na carteira”. Este ano o discurso vai afinando pelo mesmo diapasão mas a escala, essa, parece ter aumentado ainda mais. Com tanta oferta, não só em Lisboa mas também noutros pontos do país, seria de esperar que nem sempre se encontrassem as salas lotadas. Ao entrar na ZDB, no passado dia 19 de Fevereiro ainda pensei que tal se pudesse passar. Falso alarme. Resultado: sala a rebentar pelas costuras como vem sendo hábito e muita gente do lado de fora. Uns porque acreditavam conseguir comprar bilhete à porta no próprio dia e outros porque se atrasaram e perderam direito à reserva que tinham feito.

As entradas em palco na ZDB são invariavelmente feitas com uma tremenda descontracção, talvez fruto do ambiente casual que se verifica antes dos concertos, onde facilmente se vêem os elementos das bandas a passearem pelo meio do público e trocarem meia dúzia de palavras. Os Real Estate tiveram direito a entornar um copo de imperial. A data lisboeta marcou o final da digressão europeia e os rostos de Alex Bleeker, Martib Courtney, Etienne Pierr Duguay e Mathew Mondanile espelhavam um sentimento de dever cumprido. Quanto ao derramamento da imperial, só quem estava bem à frente deu por ele; a imperial foi de imediato tapada pela placa onde se concentravam todos os pedais da guitarra de Martin Courtney.

O pretexto da visita dos Real Estate ao Bairro Alto foi o de apresentar os temas do álbum homónimo da banda, editado ainda durante o ano passado, e que tão boa conta de si soube dar, permitindo associar à mesma, agora sediada em Brooklyn (antes em New Jersey), uma sonoridade bem distinta. Chamam à música do Real estate algo como Psychadelic Surf Pop… Sim o indie dá para tudo. No entanto os Real Estate não se limitaram a mostrar o álbum que lhes permitiu atravessar o Atlântico para mostrar a sua música. Decidiram ir um pouco mais além e mostrar o que aí vem. E deixem-me que vos diga. Foi bastante interessante o que se ouviu de novo. Um som mais complexo e denso, talvez fruto de uma maior maturidade e de muitas noites a tocar. São temas mais cheios do que aqueles que integram Real Estate. Porém talvez por ainda estar inebriado com a sonoridade de temas como «Beach Comber» (que abriu o concerto), «Suburban Beverag»e ou «Fake Bluesi», entre outras pérolas do longa-duração de estreia, e por os temas novos se encontrarem numa fase de maturação e evolução, nenhum deles se sobressaiu em particular.

Pelo meio houve tempo para uma pausa, ainda que forçada, para reparar a bateria (marcas de uma tour com bastantes datas). O momento foi aproveitado para Akex Bleeker anunciar que a estadia dos Real Estate por Portugal se iria prolongar pelos dois dias seguintes e que estavam abertos a sugestões e para travar novas amizades após concerto. Se alguém aproveitou a oportunidade desconheço-o por completo.

O tempo passou a voar e sem se dar por isso o concerto chegou ao fim. Houve ainda tempo para um encore com três temas e umas agradáveis palavras de agradecimento. Foi um daqueles concertos que deu um prazer dos diabos presenciar e ouvir e que deixou qualquer um dos presentes a desesperar por mais… Infelizmente ficou por ali.

A preparar terreno para o quarteto de New Jersey esteve o projecto solitário de Megan Remy, U.S. Girls. Uma proposta que pareceu um pouco fora dos horizontes sonoros de muitos dos presentes. Com alguns momentos interessantes a combinar noise com algum experimentalismo nunca conseguiu puxar por uma plateia que estava ali pelos Real Estate e mais ninguém. Quem sabe se noutra altura e noutro contexto…



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