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Russian Circles @ Musicbox

Concerto de Domingo à noite.

O Domingo é, quase invariavelmente, o dia do pijama. Aquele dia em que muitas vezes sabe mesmo bem ficar por casa, numa imensa preguiça ou a recuperar de uma noite de Sábado mais agitada. O Domingo do passado dia 14 de Março tinha todos os ingredientes para ser um desses dias, não fossem os Russian Circles actuar no MusicBox.

Um pouco antes das 22 horas já me encontrava junto da porta do MusicBox, perto do Cais do Sodré. Os percalços fazem parte de qualquer concerto. Umas vezes acontecem a quem está no palco e outras vezes acontecem a nós, que nos encontramos um pouco mais abaixo a assistir. Desta vez foi comigo e logo à entrada. Uma rápida conversa. Um telefonema. Situação desbloqueada, entrada no espaço do MusicBox feita com o pé direito e uma grande vontade para assistir à estreia do trio de Chicago em Lisboa (o Porto recebeu a sua visita dois dias depois).

A preparar o terreno para os Russian Circles estiveram os portugueses katabatic. Confesso que a primeira coisa que fiz antes de escrever este parágrafo foi descobrir a origem do nome da banda. Vem do grego, katabatikos, e refere-se a um vento que sopra para baixo, ao longo de uma inclinação. A banda é de Lisboa, composta por quatro elementos: Hugo e Tiago, na guitarra, José na bateria e João no baixo e sintetizador. Foram uma agradável surpresa. Um post-rock, interessante e bastante bem trabalhado. Confesso que ao ouvi-los nomes como Explosions in the Sky ou This Will Destroy You me passaram pela cabeça. Para seguir com atenção.

O relógio batia as 23h quando os Russian Circles entraram em palco e assumiram as suas posições. Podia guardar o que vão ler de seguida para a ponta final desta prosa mas preferi não o fazer. E preferi não o fazer porque foi a primeira coisa que me saltou à vista e que esteve presente durante todo o concerto. Os Russian Circles são perfeccionistas naquilo que fazem. E aquilo que fazem, fazem-no realmente muito bem. Foram vários os momentos em que foi possível observar algum dos três elementos fazendo sinal para a mesa de som, para que fosse feito algum ajuste no som do respectivo instrumento. Talvez para alguns pouca ou nenhuma diferença se fizesse notar mas para aqueles três em palco, fazia toda a diferença do mundo.

Sem grandes surpresas o alinhamento do concertou alternou principalmente entre o “Station” e o mais recente “Geneva”. Não costumo ter uma ideia clara daquilo que vai ser um concerto. Porém, desta vez foi diferente. Não sei dizer porque senti isso. Simplesmente sentia que ia assistir a um concerto intenso, por vezes pesado, sempre atravessado por uma atmosfera densa, talvez um resultado da simbiose perfeita entre melodia e raiva, uma das características dos Russian Circles. Foi exactamente isso que tive oportunidade de presenciar. Excelente.

Enquanto escrevia as linhas anteriores resolvi fazer um pequeno exercício de memória. Tentei pensar num momento mau do concerto. Nada. Tentei pensar nalgum aspecto que pudesse ter resultado melhor se feito de outra forma. Nada. Desisti. Veio pura e simplesmente a revelar-se tempo perdido. O concerto foi excelente, como já tinha escrito há algumas linhas atrás.

Um dos momentos mais altos da noite ocorreu já o concerto ia para lá de meio. Nessa altura começaram a ouvir-se as primeiras notas de Harper Lewis. Foi épico! A atmosfera dentro do MusicBox era perfeita para o momento e quem decidiu deslocar-se lá para acabar o Domingo com certeza não se arrependeu. Era por demais evidente que o público, que ocupou pouco mais de metade do espaço, conhecia e sabia ao que vinha. Uma combinação perfeita. E os Russian Circles agradeceram da melhor maneira possível: com um grande concerto.

O dia 14 de Março acabou de forma perfeita. Venham mais assim.



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