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Sara Cruz @ Estúdio Time Out (14.02.2025) 

Um quentinho no coração, um lugar comum.

Na noite de 14 de Fevereiro, a artista presenteou-nos com um belíssimo concerto, enchendo o Estúdio Time Out de variadíssimas nuances emocionais. Sentimos a batida no corpo como quem trepa a uma árvore e se preenche de adrenalina. Sentimos a calmaria na alma como quem recebe uma carta de amor e se torna inteiro por causa disso. 

«Plot Holes» é o ímpeto-motriz. Logo de seguida, «Heavy Heart». Duas canções que impendem sobre o amor e sobre a suspensão que o mesmo causa. Afinal, é possível ter uma respiração sôfrega num coração inquieto e, ainda assim, manter o afecto cadenciado e nada fugidio. 

Sara Cruz conta-nos que é a primeira vez que toca com banda completa, e na íntegra. Na guitarra eléctrica, Miguel Garcia; no baixo eléctrico, Xico Santos; na bateria, Chico Santos; no teclado, Lana Gasparotti. Ao ter lançado o seu primeiro álbum (também em vinil) em Outubro de 2024, a artista partilha connosco que era um sonho que tinha (em fazê-lo) desde os dez anos. “Fourteen Forty-Five”, diz-nos ainda, é o título do álbum, pois 1445 quilómetros separam Lisboa e São Miguel (a sua terra-mãe). Este número, ao refletir-se na artista e nas suas canções, ressoou também em nós, que a escutámos de mão dada. 1445 quilómetros pode ser uma distância tão ínfima, ao unir vários seres em uníssono. A sensibilidade da voz da Sara trouxe-nos este sentido de pertença. 

Navegámos, após, por «Good Thing», que nos faz acreditar que o tempo é bússola que nos norteia. Seguiu-se «I Heard You’re Sleeping Alone», do EP de 2019 “Above Our Heads”. «Day or Two», «The Show», «Work of Art» e «Go-Getter» fizeram-se escutar num compasso inabalável. Por entre matizes quase jazzísticas, Sara Cruz e a sua banda fizeram daquele palco o seu lugar, e nós ali estávamos, naquela noite dos namorados, enamorados com aquele álbum.

A artista ainda nos brindou com dois covers, «For Cryin’ Out Loud!» (Finneas) e «I’d Rather Go Blind» (Etta James). A complexidade do amor e as antíteses que o mesmo provoca, numa voz (da Sara Cruz) tão agregadora de sentidos. 

Surge, ainda, “Faithful”, na qual a artista nos conta que foi muito agradável de produzir a mesma. “Grass is Greener”, em que guitarra e estalidos se unem simbioticamente. E, para terminar, «Wild Habit». De facto, poderíamos habituarmo-nos a estar presentes neste concerto de modo recorrente. Não podendo, que habitemos, simultaneamente, o que nos conforta e nos aventura. 

Obrigada pelo belo concerto!

 



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