Sequin | Entrevista

Sequin | Entrevista

Haja mulheres a brilhar por aí

Que as mulheres começam a dominar a música nacional nos seus variados estilos, já nos apercebemos disso (e ainda bem que assim o é). Sem grandes pretensiosismos, Ana Miró, a voz feminina de JIBÓIA, decidiu aventurar-se a solo, mostrando as suas próprias composições e achou a palavra Sequin adequada para sintetizar a sua essência pessoal. “Penélope” é o título do disco que editado a dia 21 de abril com o selo da Lovers & Lollypops e produzido inteiramente por Moullinex.

Sequin oferece à conjectura actual um elevado ritmo da pop eletrónica muito transversal. Não é que isto não tenha já sido feito por outros grupos musicais. A diferença entre eles e Sequin está no requinte multicultural, o mistério envolvido na lírica narrativa e no sensualismo oferecido pelas melodias. Nada mais do que isso. Ou então, para além disso, há ainda uma aproximação com uma filosofia oriental e sonora de outros tempos. Embora se tenha apresentado com «Beijing», a voz de Ana Miró é bem mais brilhante e vibrante em outras canções, tais como «Meth Monster», «Heart to feed» e «Naive». Em alta rotação nas rádios nacionais, e com o intuito de nos meter em boa forma física, Ana Miró recriou «Physical» de Olivia Newton-John, embora este tema não marque presença entre as 10 faixas de “Penélope”.

Tal como a figura mitológica, Sequin exibe uma excelente destreza musical e faz com que simples expectativas se convertam numa constante audição das suas canções. Da ruralidade alentejana para a globalização norte-americana que afinal se encontra na grande Lisboa, Ana Miró – Sequin – na primeira pessoa.

“Penélope” é o nome do teu primeiro disco. Estiveste muito tempo à espera de conseguir concretizar este trabalho?

Estive. Sem saber estive mais ou menos 10 anos à espera.

O que tem em comum Ana Miró com essa personagem? Refiro-me a Penélope, figura mitológica.

Têm em comum essa relação complicada com o tempo. Um tempo demorado e doloroso, contra todas as intempéries e imprevistos possíveis. Mas também têm em comum a persistência e a perseverança, a fidelidade a um trabalho no qual depositam todas as suas esperanças, mas que crêem como a sua única salvação.

Em relação a este longa-duração, calculo que sejas tu quem compõe, quer a letra, quer as melodias. Como foi este processo de composição, remistura, etc., até chegares a este produto final?

Inicialmente o processo foi bastante simples e de certa forma expurgatório. Comecei a compor as músicas sem fazer a mínima ideia se iriam alguma vez fazer parte de um álbum e o processo de composição foi sempre o mesmo, fruto de experimentação, que mais tarde vai ganhando formas. Primeiro as bases, os sons de baixo, a parte rítmica, depois o resto das linhas de sintetizador e só no fim a voz e a letra, que em geral surgem lado a lado.

Entretanto, no início do Verão passado, fui convidada pelo Luís Clara Gomes (Moullinex) para experimentar gravarmos juntos dois ou três desses temas que já tinha composto sozinha. No Outono comecei a perceber que tinha material para um álbum e que as músicas que até aí juntei faziam parte de um mesmo capítulo da minha vida e por isso, para mim, fazia todo o sentido juntá-las no mesmo objecto artístico. O processo de gravação foi muito interessante e aprendi muito com o Luís e o trabalho de produção que fez foi sem dúvida aquilo que eu queria e mais do que isso; só jogou a favor da potencialidade das minhas músicas, ele deu-lhes o brilho e a definição que lhes faltava.

Em jeito de brincadeira, há alguma ligação especial ao Oriente? Falo das 3 últimas músicas do disco…

Sim, sem dúvida. É uma cultura que me fascina bastante, mas no entanto o facto de ter algumas músicas com referências ao Oriente, e não são só três, a «Peony» também faz parte desse grupo, é um tanto ou quanto fruto do acaso. Começou com a «Beijing», o primeiro tema que compus para Sequin, cujo nome foi dado por acaso. Comecei a cantarolar qualquer coisa do género e «Beijing» pareceu-me um bom ponto de partida para o projecto. Entretanto, a imagética que se foi criando na minha cabeça levou a que aparecessem mais umas quantas músicas relacionadas com o Oriente.

Como foi partilhar o palco, neste caso, fazer a primeira parte, com as Warpaint?

Foi uma oportunidade única de mostrar o meu trabalho a um grande número de pessoas que ainda não me conheciam e foi uma boa experiência.

Vi também que foste à Galiza apresentar este trabalho. Como foi a experiência e recepção?

Foi incrível! Fui muito bem recebida, o concerto correu muito bem, acho que toda a gente estava a gostar e foram bastante calorosos e fizeram muitos elogios. O sítio em si é lindíssimo e toda a gente é muito simpática. Fiz alguns amigos novos e contactos interessantes no mundo da música, o que é sempre gratificante. Espero poder lá voltar mais vezes!

Há vários grupos musicais a explorar o mercado galego. Sentiste que há uma grande receptividade aos grupos portugueses?

Há uma grande curiosidade em relação ao que andamos a fazer por cá, e uma grande vontade em fazer uma espécie de intercâmbio cultural.

Na tua opinião, achas que esse intercâmbio musical é de fácil ou difícil acesso?

Penso que não seja difícil aceder a um intercâmbio musical; pelo menos por lá senti toda a gente muito interessada no que se passa por cá, tanto por parte dos músicos com quem fui falando, como por parte de algumas pessoas do público. Acho que estando tão perto uns dos outros só poderíamos beneficiar com isso.

Para quem nunca viu uma actuação tua ao vivo, o que pode esperar?

Pode esperar por temas bastante dançáveis e ao mesmo tempo introspectivos, e às vezes alguma coisa fora do sítio, mas sempre tudo feito com muita devoção.

Sequin tem, já, anunciadas datas de apresentação de “Penélope”. Agora que a Primavera dá sinais de si, sabe bem este pop-fresh e com ele criar cenários na pista de dança.

08 de Maio – Musicbox – Lisboa
15 de Maio – Teatro de Vila Real- Vila Real
16 de Maio – Fafe
23 de Maio – Passos Manuel – Porto



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