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Shannon Lay + April Marmara @ ZDB (22.03.2018)

O serão de quinta-feira na galeira da Rua da Barroca abriu com April Marmara e prossguiu com Shannon Lay.

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O serão de quinta-feira na galeira da Rua da Barroca abriu com April Marmara, identidade musical da portuguesa Bia Diniz, que se apresta para editar o disco debutante com o selo da Spring Toast. Sendo dona de uma voz bastante personalizada e tratando o microfone por tu, consegue injectar doses elevadas de intensidade nas suas composições, pontuando com coerência os diferentes sentimentos que as mesmas vão debitando. A acompanhar April Marmara esteve a companheira de editora Teresa Castro (que é como quem diz Calcutá, no meio musical), munida de guitarra eléctrica (e também no harmónio num dos temas), com a qual foi preenchendo continuamente o som com uma delicadeza notável. Mais tarde juntou-se o violino de Catarina para completar o trio que chegou ao final do concerto. A actuação fechou com «Blossoms», aquele que será o single do disco a florescer em breve.

Dada a vertente sonora mais relaxada desta noite, a sala de concertos da ZDB disponibilizava algumas filas de cadeiras em frente ao palco, para quem desejasse desfrutar mais comodamente da qualidade dos intérpretes.

Shannon Lay providencia pepitas folk com uma prolificidade estonteante, principalmente porque as suas canções tendem a ser curtas, em especial no disco mais recente, “Living Water”, no qual apenas três dos quatorze temas excedem os três minutos de duração. Ao invés, o seu álbum de estreia, que não foi obviamente posto de lado nesta actuação, contém ritmos mais lentos e temas mais burilados. Muitos dos temas mais recentes começam com sequências de acordes bastante similares, mas Shannon consegue sempre dar-lhes uma volta diferente com as vocalizações. Além do seu portfólio , houve ainda lugar a uma versão muito bem engendrada de «I Am Slow» dos actuais OCS (pelo menos até que mudem mais uma vez de designação).

Vashti Bunyan, entre outros, é um nome que vem repetidamente à memória, dado que Shannon atravessa  algumas vezes os caminhos do Atlântico até à folk britânica, como em «ASA», por exemplo (inspirada no seu gato). Pese embora recorra à guitarra eléctrica em detrimento da acústica, que normalmente pontifica nas composições folk, não faltam os tons rurais em muitas das composições. Para alimentar estas texturas a  cantautora californiana faz-se acompanhar em palco pelo violino de Laena Geronimo, sua companheira de aventuras igualmente na banda de garage rock Feels, musicalmente bem distante do espectro da sua carreira a solo.



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