Sinai

Entrevista com o projecto de Gaia.

Conscientes de que o público está cansado de biografias, os SiNai dispensam apresentações, convidam-nos antes a irmos conhecê-los. Oriunda de Vila Nova de Gaia, esta banda renasce de um anterior projecto, Sax Shop, com a mesma vontade de, em Português, mostrar a paixão pelas canções e pelas palavras com “a alma e os pulmões a rebentar de emoções”. Apesar de rodarem frequentemente em rádios como a Antena 3, entre muitas outras, e de habitualmente tocarem ao vivo, constatam que editoras, agentes e promotores não estão atentos a quem faz música em Português embora frequentemente referiram a falta de música cantada na nossa língua, motivo pelo qual não têm ainda qualquer trabalho editado.

A RDB entrevistou Peter Vieira (P), o saxofonista da banda também constituída por Bruno Nicolau (Voz), Luis Ribeiro (Guitarra), Sérgio Valmont (Baixo) e Rui Ribeiro (Bateria)

Os SiNai são músicos profissionais ou, tal como a maioria, têm actividades paralelas à música?

Somos cinco… Vocalista trabalha, guitarrista é músico, baixista estuda, saxofonista é músico, baterista estuda. Se bem que todos nós gostávamos de viver da música, principalmente da banda, mas sabemos que é quase impossível. E eu que toco saxofone, em breve começarei a trabalhar noutra actividade, que a música não dá.

Que significa SiNai?

Primeiro é um sinal de simplicidade e humildade, segundo conotamos com o Monte Sinai para que as pessoas oiçam aquilo que temos para dizer e terceiro, não sabíamos que nome escolher e na altura em que foi, era um nome que nos transmitia força.

Este projecto surgiu como fruto do fim de uma outra banda, Sax Shop. A constituição da banda mantêm-se relativamente ao anterior projecto?

Surgiram em 2004, os Sax Shop acabaram, nasceram logo os SiNai… Desde sempre decidimos por cantar em português e onde nos sentimos mesmo à vontade é em cima do palco… e debatemo-nos com o que se debatem a maior parte das bandas que andam sós nisto… locais decentes para se tocar… condições… cenas básicas que ninguém quer dar! Os Sax Shop eram 6 e os SiNai são 5, esta banda mantêm 4 dos 6 e o baixista é que é novo…

E em termos de música, em que é que diferem dos Sax Shop?

Bastante… As letras dos SiNai são muito mais intensas e “normais”. Deixou de ser tão irreverente, antes eram duas guitarras agora é só uma e está sempre presente com o que é realmente preciso… Com Sax Shop ainda fizemos umas coisas engraçadas e houveram feedback’s engraçados também mas as letras antes ainda eram algo incoerentes e com uma escrita demasiado óbvia… agora são verdadeiros poemas. Se antes as letras pouco poderiam dizer (nem todas) agora todas tem sentido e todos as interpretarão porque relatam vivências que são normais às pessoas… política… amor… ódio… civilizações… etc e etc.

Pretendem ter algum impacto social com esse tipo de letras?

Podes crer! O conteúdo das nossas letras está cheio de mensagens… e a maior riqueza das letras consiste no facto de, apesar de querermos dizer algo específico com elas, elas poderem ser interpretadas de várias formas… por causa das letras já nos apelidaram de sermos da extrema esquerda. Nós não queremos saber de política mas de facto temos letras que são politizadas… no fundo apenas damos as nossas visões das coisas!

E a composição musical, quem é o responsável, ou responsáveis?

Geralmente o guitarrista tem um esboço de uma música e depois nós acrescentamos partes… ele arquitecta e nós operamos… mas com total liberdade para improvisarmos o que quisermos…

E em termos de discografia?

Uma simples maqueta caseira e uma demo. Nada editado… nem EP nem CD. Maqueta em 2004 com 3 temas e demo, em 2006, com 4 temas. Queríamos lançar um single mas não há dinheiro e como não há dinheiro para single muito menos haverá para CD.

Mas mesmo assim vocês passam bastante na rádio, parece-me que estão a ter feedback positivo…

O passar na rádio (principalmente nas rádios locais), o ter bons feedbacks de pessoal anónimo que nos transmite força quer pela net, quer pessoalmente, é uma sensação espectacular e que nos alimenta o ego de uma forma incrível. Mas é só mesmo isso, alimentar o ego. Feedback positivo era entrar em playlist, era ter muitos concertos, era ter convites para isto ou aquilo…

Mas então como vêem o vosso futuro, sem dinheiro para gravar, com pouco lucro nos espectáculos ao vivo… Que irá acontecer a SiNai?

Sinceramente não sei. Andaremos por aí… pelo menos ensaiamos e curtirmos aquilo que gostamos… estamos juntos, continuaremos a dar uns concertozecos… continuaremos a divulgar o nome e a música… o que tiver que acontecer, acontecerá!!

Acho que é a melhor maneira de encararmos a situação e acredita que sendo de onde somos tudo fica bastante complicado, e somos de Gaia… Porto imagina… mas de Coimbra até Lisboa é onde tudo se passa, tudo se controla e tudo acontece! Basta ver pelos festivais de 2006… dos organizados em Lisboa, contam-se pelos dedos de uma só mão quantos projectos eram de Coimbra para cima. Caricato mas elucidativo de quem controla o sistema aqui.

Brevemente vamos lançar um single… com a demo conseguimos bons feedbacks mas agora com o single queremos que todas as rádios onde já passamos toquem sempre a mesma música… começar a dar a injecção! Single com videoclip, site e um documento com notícias da banda, edição de autor claro! A internet é importantíssima… e a rádio também. Temos recebido um monte de feedbacks engraçados através do myspace por passarmos na antena3… o binómio rádio/net são fundamentais, a ideia do videoclip é tentar começar a passar na MTV, Sic Radical também, é claro… sabes que andar nisto sozinhos não é nada fácil! Falta-nos uma agência e também uma editora!

E se eu te pedisse para fazeres um slogan de apelo à aposta no vosso projecto. Imagina que eu tenho uma agência ou uma editora e te estou a dar uma oportunidade de me convenceres a apostar em vocês!

O melhor slogan é “Dêem-se ao trabalho de ir ver 2 ou 3 concertos nossos!!”
Em cima do palco é q se vê. O motor de uma banda devia ser a sua musica e não máquina que tem por trás, portanto em cima do palco é que se vê.

Sendo assim como descreves um concerto vosso? Um bom motivo para qualquer leitor desta entrevista ir assistir a um próximo concerto?

Querem melodias fortes… letras que vos digam algo… suor, atitude e muita irreverência? Apareçam num concerto!



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