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Sónar 2017

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Escrever sobre este festival urbano é uma tarefa ingrata. Para além da subjetividade que toda a critica acarreta, torna-se complicado afirmar que “este” artista foi muito bom e que “aquele” foi a melhor performance e, que o “outro”, começou mal, mas até acabou bem porque… estão demasiadas coisas a acontecer ao menos tempo. Mesmo com o programa bem estudado é angustiante ser, apenas um corpo, nesta festa e, sobretudo, estar presente num espetáculo do principio ao fim.

Depois deste desabafo, vamos ao que interessa. A vigésima quarta edição do Sonar, em Barcelona, decorreu nos passados dias 14,15, 16 e 17 de Junho. Esta edição foi marcada pela maior enchente de sempre, contando com 123.000 visitantes, distribuídos entre as quatro tardes do Sonar by Day, na Fira Montjuic que, contou com 61.000 contra os restantes 62.000 que estiveram nas duas noites do Sonar by Night. 52% deste numero corresponde a publico estrageiro. O programa da Sonar Week foi ainda estendido ao CCCB, Arts Santa Monica, Mercat des Flors e Pavello Mies Van Der Rohe com ratings de assistência de 75 a 100%.

A plataforma Sónar+D, contou com a sua quinta edição, apenas presente do Sónar by day. Trata-se um espaço internacional de conferências criativas e tecnológicas que, cada vez mais, se assume como um importante espaço de promoção de talentos e negócios da arte digital.

O Sónar+D é por definição um espaço interdisciplinar e com programas sectoriais que tem como público-alvo profissionais criativos na área da tecnologia com vontade de partilhar, debater e discutir os seus talentos com o objetivo de criar novos negócios. Este ano os destaques vão para a Novation, que apresentou o seu novo sintetizador Peak, que segundo os próprios, se trata do melhor criado pela empresa, um sintetizador polifónico de oito vozes. A Elektron, conceituada companhia sueca, apresentou o seu ultimo drum machine e sampler apelidado de Digitakt, um instrumento compacto que apresenta tudo para por qualquer um a dançar. A MOD Duo, empresa brasileira, apresentou um projeto pioneiro que tem um poderoso computador dentro de uma pedaleira, semelhante a uma de guitarra elétrica, que permite instalar apps e plug-ins utilizando uma interface visual e intuitiva. Trata-se de uma open source que tem vindo a ganhar mais adeptos no meio artístico.

No que respeita á musica, que representa a maior fatia do festival virado para os ritmos da dança, o primeiro destaque vai para o set inaugural do Sonar. A carismática Bjork esteve quatro horas em djset no SonarHall. A artista Islandesa apresentou-se numa mistura de múmia com um fato excêntrico de Lady Gaga, coberta dos pés a cabeça em white dress code, a cara pouco se viu, nada de anormal para Bjork.

No primeiro dia do Sonar by Day, a maior atenção foi para Prins Thomas, no SonarVillage, o maior recinto de dia, outdoor, que teve direito a um final de tarde sedutor, sol e um set bem estruturado, eclético do principio ao fim, em ritmo space-disco. Arca (live) & Jesse Kanda (AV) fecharam o dia com um espetáculo audiovisual impressionante.

Na segunda tarde estivemos presentes em Suzzane Ciani, no SonarDôme. Diva do diode, italiana pioneira dos sintetizadores nos anos 80´s, umas das primeiras mulheres a compor som new age, modelou sintetizadores durante 40 minutos, numa sala inicialmente composta que foi esvaziando a medida que o espetáculo avançava, Ciani não desarmou perante isto e carregou, com alguns saltos pelo meio, nada mal para uma artista que conta com 71 primaveras. Clark atou no SonarHall algumas horas depois para apresentar o seu novo álbum e principalmente o seu novo show com dois bailarinos a acompanhar o seu complexo, IDM e, som físico.

A edição do Sonar by Night deste ano ficou, profundamente marcada, por alguns regressos.

Jon Hopkins, génio da eletrónica de Kingston (Londres), regressou três anos depois de ter arrebentado em liveact by Day, desta vez para um raro e exclusivo djset. Misturou ambient com musica clássica, eletrónica melódica e techno. Terminou com o inevitável “Open Eye Signal” esticadíssimo e destruidor. Hopkins até tem um aspeto de menino de coro, mas soube incendiar e partir a loiça toda com o seu set. Fica o desejo da RDB em revê-lo em liveact onde a sua musica, atinge um patamar ainda mais visceral.

Moderat regressaram a Barcelona, três anos depois de um concerto memorável. Com mais um álbum na bagagem: “III”. O concerto borrou a pintura por falhas técnicas quase a abrir, difícil de explicar isto acontecer aqui. Fica a curiosidade que em 2015, Modeselektor (2/3 desta banda), haviam experienciado o mesmo veneno técnico aqui mesmo (?!?). Quando ao concerto, palavras para quê? Audiovisuais brutais, som alucinante (quando começou a funcionar). Este trio goza um estatuto quase impar de superbanda eletrónica.

Soulwax atuaram apenas com três baterias! Os “meninos” deviam estar com medo que não houvesse batida suficiente. Monstros! Monstruoso! Tanta foi a energia que poucos ficaram para ouvir Dubfire.

A fechar a primeira noite quem melhor que uma pretty face como Nina Kraviz, a dar o que tinha e o que não tinha até ao nascer do dia. Cantou, fez olhos bonitos para a linha da frente e bailou, assim como nosotros.

Na segunda noite De La Soul, um bocado fora deste jogo encheram por completo o SonarPuB.

Vitalic, produtor francês, parece estar mais próximo do que fez tão bem no passado. Apresentou o seu novo LP, “Voyager”, pouco melhor recebido pela critica que o antecessor “Rave Age”. Pascal Arber-Nicolas conseguiu dar energia techno, ritmos cósmicos ás faixas de “Voyager”. No entanto os “reis da festa” acabaram por ser os temas do, já velhinho “Ok Cowboy”. 12 anos!!!

Marcel Dettmann, figura de proa do Berghain, realizou um verdadeiro som berlinense com Mariana Rubinstein a.k.a Dr. Rubinstein Israelita de Tel Aviv no Sonar Lab.

The Black Madonna e Marco Carola fecharam a noite, ou melhor, deram as boas vindas ao dia e anunciaram a despedida do Sonar 2017.

Nas duas noites foi montado um palco de luxo, o SonarCar, com seis horas de set dos artistas. Como um private club dentro do próprio festival, com fila de espera e entradas limitadas á capacidade do dancefloor. Na primeira noite Masters at Work afinaram os discos para uma plateia old school, malta da pesada. A segunda noite houve um mano a mano entre dois amigos improváveis de coexistir atrás dos pratos: Tiga e Seth Troxler. Resumindo e não generalizando: Seth soltava as suas batidas carismáticas e o canadiano maximizava e criavas explosões com elas. Este b2b já se tinha realizado no Melt Festival portanto o Sonar não podia ficar atrás.

No próximo ano já está marcada a vigésima quinta edição do Sonar, de 14 a 16 de Junho, e os primeiros passes já se encontram esgotados! Hablas Sonar? A RDB sim…

Texto por Tiago Melo e fotografia por Marco Carvalho.



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