Super Bock Super Rock 2013 | Dia #3 (20.07.2013)

Super Bock Super Rock 2013 | Dia #3 (20.07.2013)

O Super Bock voltou a ser Super Rock

Reportagens: Dia 1 // Dia 2

O festival encerrou com nota mais do que positiva, graças às inspiradas presenças de Gary Clark Jr. e, claro, dos reis e senhores da noite, Queens of the Stone Age, que se destacaram no line-up mais roqueiro deste Super Bock.

Coube aos Tara Perdida a tarefa de inaugurar as festividades no recinto, claramente mais cheio que nos dias anteriores. Com um novo álbum nos escaparates após cinco anos de interregno e uma respeitável base de fãs, é inegável que a fórmula do colectivo punk português é eficaz, trazendo mais público ao palco EDP do que tem sido habitual naquele horário. «O que é que eu faço aqui», o novo single, marcou a abertura do concerto e lançou o mote para os primeiros crowdsurfs do dia.

Igualmente dedicados, apresentavam-se os Miss Lava, os primeiros a subir ao palco Super Bock. Conscientes que os presentes na primeira fila marcavam já lugar para assistir à actuação dos cabeças de cartaz, os portugueses foram rápidos a esclarecer: “Devem estar a pensar quem são estes gajos que estão aqui a abrir para os Queens of the Stone Age. São os mesmos gajos que daqui a pouco estarão aí em baixo a ver Queens of the Stone Age!” O seu hard rock assim passou, serenamente. Avistava-se, entretanto, a hora de jantar, com o palco EDP a preparar-se para os We Are Scientists e o palco principal prestes a receber os irrelevantes Ash, que apesar de já terem uma carreira de duas décadas, não ficaram na memória dos portugueses.

Este Super Bock Super Rock fez-se de estreias bem sucedidas: as expectativas eram altas em relação ao norte-americano Gary Clark Jr., que conseguiu arrancar do público uma honesta ovação, perante a soul e blues despidos de artifícios que disparou da guitarra. A inspirada e intensa actuação substituiu qualquer necessidade de comunicação mais directa com o público; a verdade é que um bluesman deste calibre é como o bom sushi: não precisa de condimentos. Acompanhado por um belíssimo duo de baixo e bateria, o texano trouxe à nossa memória o mítico Jimi Hendrix, em canções como «When My Train Pulls In», mas também John Legend, pela doçura com que interpretou temas como «Things Are Changin’».

Não podíamos ter pedido um aquecimento melhor para Josh Homme e companhia, que em tudo satisfizeram a ansiedade das 30 mil pessoas (números da organização) que ali estavam para os ver. Com um alinhamento equilibrado, sem interrupções para encore, os Queens of the Stone Age estiveram imparáveis durante uma hora e meia de concerto, onde até as cinco canções do novo álbum (em que, diz a crítica, o colectivo perdeu a forma) pareceram encaixar perfeitamente. Destaque para os temas de “Songs for the Deaf”, em particular «No One Knows», a segunda canção do alinhamento, cujo riff foi entoado a plenos pulmões. Ainda a operação de charme ao público feminino, com «Make It Wit U» e a finalíssima «Song for the Dead», a abrir clareiras para o mosh. Os Queens of the Stone Age provaram por que merecem o estatuto que têm e confirmaram que, de facto, oito anos é demasiado tempo sem os ver actuar.

Foi um sábado sexy e caloroso no Meco, como não houve na edição de 2012. Este Super Bock terminou em modo Super Rock e esperemos que, em 2014, a poeira volte a levantar-se assim.

 

Fotografia de Graziela Costa



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