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Tamara Drewe

Sub-Bridget Jones.

Os ingleses produzem um certo tipo de comédias românticas às quais tentam dar um cunho nacional – doses largas do propalado humor britânico, um cheirinho de realismo social – que as diferencie das congéneres americanas, para que as possam vender ao resto do mundo (incluindo os Estados Unidos). Dá ideia de que estou a falar de um produto, e estou. É perfeitamente legítimo ganhar-se dinheiro com quaisquer filmes, mas quando se aposta na mesma fórmula de sucesso vezes de mais – e “Tamara Drewe” do conceituado Stephen Frears parece uma compilação de todos os sucessos da comédia romântica inglesa -, acaba-se a fazer telefilmes falhados, ampliados à força para o cinema, como este.

“Tamara Drewe” constrói-se sobre uma multiplicidade de chavões, estereótipos e lugares comuns – às tantas, instala-se aquela sensação de que se já viu este filme cerca de trinta vezes -, qual caricatura esborratada feita num passeio marítimo de uma qualquer estância balnear, colorida com uma estridência pouco usual. Ora, temos o autor desconhecido, tímido e talentoso, o autor consagrado, gabarolas e charlatão, a esposa fiel e enganada, a moça boazuda que costumava ser feia (uau!), o rapagão da vila bem intencionado e um bocado bronco, uma dupla de adolescentes bisbilhoteiras com as hormonas aos saltos (que ganham a distinção de serem as personagens mais irritantes do filme) e, o pior, o músico indie à la Bloc Party/Killers (que no fundo podia ser de qualquer outro género, tal é a falta de precisão do retrato, eyeliner e mecha de cabelo sobre os olhos à parte).

O filme tenta dar a volta à mediocridade com tentativas de realismo social ou, melhor, de relevância social. Mas o conflito cidade grande vs. terra pequena, que podia ser interessante, quase não é explorado, o mesmo para os conflitos sociais gerados pela crise económica, e a ideia dos pais ausentes/filhos abandonados só existe nos diálogos martelados e insípidos. No final não falta uma pitada do inevitável humor negro que, para além de descabido, é só mais um tique da tal comédia romântica inglesa. A única originalidade do filme é o Colin Firth e o Hugh Grant não aparecerem.

De Stephen Frears, autor de “Alta Fidelidade”, uma das melhores comédias românticas dos anos 90, entre tantas outras coisas (por exemplo, o brilhante “The Hit”), esperava-se bem melhor do que esta adaptação de uma banda-desenhada de jornal, enfadonha, estéril, domingueira, recauchutada, sem graça. Não funciona nem como comédia (causa muito poucas gargalhadas), nem como sátira, nem como veículo para a lindíssima Gemma Arterton. É um imenso tiro ao lado.



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