Afro

Carapinhas gigantes, calças justas e coloridas e o disco sound em pano de fundo. Tudo sobre uma cultura que ameaça regressar.

Pois é… nós aqui estamos um pouco nostálgicos e achamos engraçada a forma como tudo o que foi moda há uns anos atrás tende a voltar a sê-lo. A História tem esta mania de se voltar a repetir… Assim, decidimos voltar ao início de todo o movimento em volta deste penteado e “dissecá-lo” desde o seu início até aos nossos dias. É que este é o penteado que simplesmente explode da cabeça! Aquele tipo de penteado que diz a toda a gente que és maior, melhor e “mais mau” que todos os outros (como o Superfly).

Mas afinal quem tinha a maior Afro? Cleopatra Jones, Link dos Mod Squad ou Bernie dos Room 222? E porque raio é que o pessoal branco começou a usá-las? Até o Greg Brady usou uma por uns tempos, a Barbara Streisand teve uma em “A star is born” e a Linda Blair teve uma bem grande em vários dos seus filmes.

O início

Na década de 50, as cantoras mais “à frente”, incluindo a Nina Simone, começaram a usar o “au naturel”, o precursor do estilo Afro.

O resultado natural da convergência entre o cabelo comprido e a textura do cabelo Afro-Caribeano, a Afro (diminuto para “Afro-Americano”), tornou-se uma expressão emblemática do chamado “black pride” em 1967. Até essa altura, a maioria dos militantes negros de ambos os sexos usavam o cabelo curto que os indistinguia da sociedade negra conformista (na qual a imitação de “estilos brancos” através do alisamento do cabelo ou da pintura dos mesmos era comum). Deixando o cabelo crescer e depois encaracolando-os até ficarem uma massa de caracóis produziram um espectacular símbolo de não-conformismo que rapidamente se espalhou das ruas e dos campos para as indústrias musicais e da moda.

Juntamente com os hippies brancos, de ambos os sexos, e particularmente na Inglaterra, o estilo separou-se do seu significado político e foi adaptado como o estilo do momento no Inverno de 1967-68. As cabeleiras africanas também foram usadas por aqueles proibidos de deixar crescer o seu cabelo, como os reclusos americanos e por aqueles dispostos a fazer parte de uma afirmação de moda em regime de part-time. A Afro nunca foi africana (foi banida da Tanzânia por ser considerada um símbolo do neo-colonialismo), foi rejeitada pelos Rastafarians, e em 1973 foi maioritariamente limitada ao reportório visual dos grupos de Funk.

O muçulmano Afro-Americano e líder político, Malcom X, via o alisamento do cabelo entre os homens negros como a rejeição da identidade negra. No seu livro, “A auto-biografia de Malcom X”, ele descreveu-o como um passo em frente para a degradação pessoal…

A cultura negra urbana é altamente influenciadora e tem um impacto que transcende a divisão étnica. Um exemplo disto é as tranças adoptadas por David Beckham quando conheceu o seu herói, Nelson Mandela, na África do Sul.

Inevitavelmente… a música Disco

Como disse no início, as Afros também estiveram associadas ao movimento Disco. Apesar da cena disco ter sido a mais proeminente forma de música popular da década de 70, nunca teve o crédito que merece como um género musical sério.

Antes da palavra disco existir, a frase “álbuns de discoteca” era usada para classificar a música tocada em apartamentos alugados de Nova Iorque ou em festas fora-de-horas em casas de má fama. Os álbuns que aí passavam eram uma mistura de funk, soul e importações europeias.

Entre 1976 e 1982, os tempos mudaram, as drogas também, novos clubes emergiram e o disco de 12 polegadas foi inventado. Pela primeira vez na história musical, a música é feita tendo a palavra discoteca em mente. Os anos disco acabaram com a sua audiência gay dizimada por uma doença mortífera chamada SIDA. Desta época destacam-se as editoras Salsoul, Prelude e West End.

O primeiro DJ a assumir o estatuto de estrela foi Larry Levan, que foi o legendário DJ que por mais de dez anos manteve residência fixa no legendário clube de Nova Iorque, Paradise Garage. Um grande número dos actuais produtores e DJ’s reconhece na pessoa de Larry e as suas actuações no Paradise Garage como o momento que mudou as suas vidas para sempre e que inspirou todas as suas carreiras.

Virtualmente liderada pelo DJ Sneak, a original Disco House começou por volta de 1991, e consistia em samples disco remisturados com batidas vindas de “Chicago”. O termo “disco-house” tornou-se mais popular por volta de 1994, e foi trazido desde aí para a cena Francesa por nomes como Bob Sinclair ou Daft Punk.

A música disco foi evoluindo ao longo dos tempos exercendo influência em todos os estilos musicais e tornando-se um ponto de referência para todos os que lidam com a música.

Actualmente…

Hoje, no século 21, o leque de estilos de cabelo criados por homens e mulheres negras é incrível: o cabelo pode ser pintado de loiro, esticado e pintado de várias cores, ou pode ser arranjado num marasmo de caracóis; cabeleiras e extensões do cabelo são usadas tão naturalmente como qualquer outro acessório. As Afros estão a “renascer”…



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