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The Field @ Plano B

Live act com secção rítmica orgânica podia ter sido um concerto memorável. Bastava o público estar para aí virado.

Apesar de todos os sub-géneros, movimentos e ‘waves’, há algo em The Field que parece absolutamente incategorizável. Techno Minimal é a etiqueta mais usada para a descrição. A “electrónica de autor” de Axel Willner é feita de pequenas implosões emocionais encontradas na sequenciação dos micro-samples de clássicos pop que quase nunca se sabe bem quais são. Este dito atributo autoral faz-nos pensar as músicas como se fossem canções, concedendo com estranheza a aura dos songwriters às múltiplas camadas arquitectadas pelo músico sueco.

Com duas horas de atraso, a noite ia já longa (04h15!) quando o balanço suave de “Leave it” se começou a ouvir. Apesar das desistências motivadas pela espera, a sala estava ainda bem composta e dava sinais de querer celebrar.

O live act, embora fiel ao trabalho de álbum, convidava os corpos a dançar. Primeiro, com um alinhamento inteligente que procura o atributo dançável, e principalmente com a inclusão de baixo e bateria “ao vivo” que, à semelhança de algumas faixas do último álbum “Yesterday and Today”, se juntam às texturas manipuladas por Axel. E se as músicas são boas, com um baterista assim só podem ficar melhores, com uma maior riqueza rítmica, e tornando-se mais explosivas, com a esperada catarse a seguir-se aos crescendos.

À segunda música o público parece ter sido definitivamente conquistado pela sedutora agressividade de “A little heart beats so fast”, uma das faixas que melhor resultam ao vivo. Mas foi com a inevitável “Over the ice” que o concerto começou a ganhar contornos estranhos: o público reagiu bem… demais. Na pequena sala do Plano b, a assistência começava a parecer finalmente fundir-se e expandiu-se para o palco. Até ao fim do concerto foram constantes as pequenas invasões “de campo”, que dificultaram a tarefa do baterista, já de si agastado com os problemas de munição – sem que contudo tenha comprometido a sua performance.

Ora, a partir de cerca de metade do concerto quem não estava nos lugares da frente já não veria os músicos mas sim um grupo de silhuetas negras a dançar à boca do palco. Esta é aparentemente a única desculpa (a par da hora tardia) para o pouco mais de meia sala ocupada no fim do concerto.

Apesar dos incidentes eram uns músicos sorridentes aqueles que deixavam o palco, depois de um live act de excelência, a tirarem fotografias e a serem cumprimentados por um público que nunca deixou muito claro se era a música de Axel que estavam a celebrar ou se apenas o momento. Resta esperar que voltem e que da próxima toquem a fabulosa versão de ”Everybody’s got to learn sometime”.



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