header3

The Pains of Being Pure at Heart @ Lux

A dor da espera.

A noite foi daquelas que convidava mais a ficar em casa, no quentinho, a ouvir um vinil ou ver um filme, mas a vinda dos The Pains of Being Pure at Heart foi pretexto mais do que suficiente para contrariar qualquer ímpeto caseiro.

O concerto estava agendado para as 22h, no Lux. Convenhamos que, logo à partida, era para desconfiar. No Lux os concertos nunca começam a horas (pelo menos nunca fui a nenhum em que tal acontecesse!). Porém, desta vez o atraso (enorme) que se verificou deveu-se a motivos bem para além do controlo quer da parte da promotora, quer da parte do próprio Lux. Mas já lá chegaremos!

Logo à entrada deu para perceber que já havia algum atraso. Eram 22h e ainda ninguém tinha entrado. Poucos minutos depois lá foram abertas as portas e os presentes informados que o concerto d’Os Lábios, a banda de abertura, não deveria ter início antes das 23h. E assim foi.

Os Lábios são oriundos de Sintra. São um quinteto composto por Eurico Silvestre no baixo e na bateria, Telmo Dias na guitarra e teclados, Sérgio Franco na guitarra, Louco na bateria e San de Palma na voz e com uma óptima postura e presença em palco. Devo confessar que não os conhecia mas que me surpreenderam agradavelmente, revelando-se uma óptima banda em palco. Todos extremamente interventivos mas com especial destaque para San. Sugiro que espreitem a galeria que as fotos ajudam a comprovar esta opinião!

Uma prestação muito enérgica a começar pelo baterista, Louco, para quem cada batida parecia a última que ia dar, tal não era o empenho manifestado pelas expressões que surgiam na sua face. A espaços lembrou-me o Jack Black. E sim, estou a falar a sério. A música d’Os Lábios não é uma lufada de ar fresco. Mas é boa. Tem substância. É bem construída. Revelaram-se uma óptima escolha para abrir não fosse o tremendo intervalo de tempo que mediou o seu concerto e o da banda de Brooklyn.

Foi ainda durante o concerto d’Os Lábios, e mais precisamente pela voz de San, que muitos dos presentes começaram a perceber o que se passava. O voo da banda estava atrasado. Mas isto era só o início. Depois d’Os Lábios estenderem a sua actuação enquanto foi razoável (ainda deu para duas investidas de San pelo meio do público onde ia metendo o microfone na frente de quem quisesse cantar) teve início a dor da espera. Soube-se que a banda já tinha aterrado mas no Lux não havia sinal deles. Foi visível o desagrado na cara de algumas pessoas que acabaram por abandonar o Lux em virtude das horas. Neste ponto julgo que faltou por parte da promotora uma comunicação oficial. Fazer perceber às pessoas o que se estava a passar, até porque eles eram totalmente alheios ao azar da banda.

Confesso que não me lembro exactamente que horas eram quando os The Pains of Being Pure at Heart subiram ao palco, enquanto abriam e montavam todo o seu estaminé, mas os ponteiros do relógio deviam estar mais próximos das 2h da manhã do que da 1h. Isso é certo. Enquanto montavam os instrumentos e levavam a cabo o sound check mais rápido da história do Lux (não devo estar a escrever nenhuma mentira), Kip Berman, o vocalista, lá explicou o que se passou. E foi caso para dizer que um azar nunca vem só. O voo atrasou-se e quando aterraram faltava bagagem e documentos. Desde logo foi notória a ausência de Peggy Wang, que só se juntou à banda já com o concerto a decorrer, provavelmente por ter ficado retida no aeroporto a tentar resolver alguns dos problemas.

Mal foi possível o concerto teve início e, se na minha pessoa se verificava alguma desmotivação e falta de vontade devido à longa espera, rapidamente esses sentimentos se evaporaram. É um facto que o som não estava grande coisa mas o empenho com que a banda se atirou aos temas, quase todos retirados do álbum homónimo, compensou. «This Love Is Fucking Right», «Stay Alive», «Contender», «Come Saturday» ou «Everything With You» foram alguns dos temas que foi possível ver e ouvir.

A chegada da Peggy veio dar outra dimensão à prestação da banda com a introdução dos teclados. Até aí, a ausência dos teclados vinha a ser compensada por um som mais alto na guitarra de Kip Berman, que nem sempre funcionou a favor da banda na medida em que tornava a voz e os restantes instrumentos menos audíveis. Foi realmente de louvar a disposição da banda que, mesmo dando um concerto curto, cheio de imprevistos, com um alinhamento e preparação conseguidos quase literalmente em cima do joelho, conseguiram contagiar os resistentes que por ali esperaram para os ver. Perto do fim do concerto houve ainda oportunidade para escutar um tema novo da banda, que já roda pelas rádios de cá.

No final ficou o agradecimento pela paciência demonstrada, pela boa disposição e a pergunta sobre se dava para ficar a beber copos por ali depois do concerto ou se havia outro sítio para onde se pudesse ir. Depois jogaram-se de alma a coração a «Hey Paul» para fechar o concerto.

Sempre deu para atenuar a dor da espera.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This