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The Prodigy @ Pavilhão Atlântico

For “my prodigy portuguese people”, 7 de Dezembro de 2009.

Na véspera de feriado da nossa querida Imaculada Conceição, o Pavilhão Atlântico acolheu a banda punk mais electrónica do planeta. Depois de actuações em diversos festivais (como no ano passado onde arrasaram no Optimus Alive!), a banda de Liam Howlett, Keith Flint e Maxim Reality finalmente brindou os muitos aficionados portugueses com uma actuação a “solo” daquela que é sem dúvida umas das bandas mais importantes para a música electrónica chegar às “massas”.

Com a primeira parte a cargo dos ingleses Enter Shikari, estreia em palco luso, os 45 minutos tornaram-se tortura para o que se queria realmente ver. Foram de facto uma banda que conseguiu recolher muito ódio de estimação na eterna meia hora que teve em cena.

Já passava das 22h30 quando finalmente a “formiga” aparece em palco e a todo gás Maxim assume os vocals com a ajuda de Flint e avisa que o incêndio que está para deflagrar com «Words on Fire». Maxim Reality continua a assumir a liderança e treze anos depois (sim! este single tem 13 anos) ecoa com a multidão um sonante “breathe with me”; estavam lançados os dados para a abertura da pista de dança remisturada com mosh.

Para que o andamento continuasse em alta foi prontamente lançada a faixa mais potente de todo o concerto. «Omen», o primeiro single do último álbum, surgiu em pista como um furacão. Plateia, tribuna, laterais… impossível ficar indiferente àquele que é considerado o último grande prodígio destes explosivos ravers. «Poison» teve direito a um “mano a mano” entre os dois maluquinhos no final em versão hip-hop. Depois de «Warrior´s Dance», que finalmente deu algum descanso aos mais entusiastas, Keith (mas que se passa com este rapaz?!) assume a liderança com «FireStarter» e sem uma única chama real incendeia uma plateia a rebentar pelas costuras (só a tribuna não esgotou). Em «Run With the Wolves» mostram todo o seu potencial punk, em «Voodoo People» criaram um habitual cenário trance antes que todos em coro entoassem «Invaders Must Die» entre palmas e saltos. Segue-se uma ameaça de «Diesel Power» a antever outro aguardado momento: «Smack My Bitch Up». A faixa do videoclip outrora banido pela MTV iniciou com um pedido de Maxim para que todos se baixassem até ser debitada a poderosa batida da malha aliada a um salto, simplesmente avassalador. Neste momento o concerto, o preço do bilhete, o tempo de espera, as ânsias que este citado tempo provocaram já tinham sido deixados para trás, a hora era de dance music e a pista estava montada no antigo Pavilhão da Utopia. Após a primeira faixa de “The Fat of the Land” recolheram ao backstage para recuperar fôlego para um encore repleto de faixas do mítico “Experience”, sem esquecerem primeiro o repto do portátil de Liam “Take me to the Hospital”, lançaram «Out of Space» a soar a reggae com o público todo com os braços no ar seguido de «No Good (Start the Dance)».

Na faixa final ficou esclarecido aquilo que vieram fazer. A banda do condado de Essex mostrou como voltaram a fazer a suas leis; poderosas batidas electro aliadas a guitarradas como dois irrequietos MC´s que não dão descanso ao mais indiferente.

Apenas cinco meses depois da apresentação do último longa-duração “Invaders Must Die” em terras lusas, os The Prodigy cumpriram a promessa de uma performance não menos arrojada que a anterior mas mais global e eclética em relação a toda a sua discografia. Keith Flint (mas que passa com este rapaz?!), voltou a incendiar um público de dez mil sortudos com a ajuda de Maxim, que se revelou em grande forma, lançando repetidas vezes o repto “my prodigy portuguese people”. Liam Howlett, o cabecilha do grupo, escondia-se atrás do seu já famoso portátil com o bordado “Take me to the Hospital” e embora menos expansivo que os outros dois (também não é fácil ser parecido com estas duas personagens) mantém a certeza que a chama explosiva deste ciber-punks está para durar.

A banda criada em 1990 (quase 20 anos, note-se) voltou a provar que está de novo em grande forma e que, embora muitos pensem o contrário, ainda há espaço para ela no cenário musical actual. Mais importante que isto é a prova que este espaço não tem por base a obra outrora realizada mas sim novas sonoridades criadas, de performances cada vez mais arrojadas, de letras curtas que ficam no ouvido e passam a hinos num ápice e de uma maturidade (difícil empregar este adjectivo quando temos aquelas duas peças que não param um segundo) invejável. Esperamos novas visitas destes britânicos e aguardamos impacientemente novas malhas poderosas onde a fronteira entre a dance music, o punk e a esquizofrenia explosiva parece não existir.



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