Throes + The Shine | Entrevista

Throes + The Shine | Entrevista

Numa bela conversa, Marco, guitarrista da banda, e João, baixista, esclareceram-nos todas as dúvidas sobre os diversos momentos de vida dos Throes + The Shine

Os sons oriundos de uma certa África alegre, romântica e bem-disposta são parte intrínseca da cultura em Portugal. Todos nós (ou pelo menos uns quantos…) nos lembramos do Duo Ouro Negro ou do mestre Bonga em festividades numa era em que apenas havia um canal de televisão. Actualmente, os ritmos Semba e Kuduro invadem as rádios e discotecas nacionais, tornando-se grandes hits até de feiras de Norte a Sul do País. Assim sendo, os nossos ouvidos estão bastante recetivos à identificação e aceitação dos mesmos.

Certamente, os nossos leitores já terão ouvido algumas canções de Throes + The Shine; entre a «Adrenalina» e «Batida», junta-se o actual single «Dombolo», extraído do mais recente longa-duração “Mambos de outros tipos”. E quem são estes tipos? Igor, Marco, André do Poster, Diron e João – também produtor do disco – dão corpo e alma à mistura de um puro rock com ritmos africanos já mencionados.

Em “Mambos de outros tipos” escutamos uma lírica poética bastante prazerosa onde a moral e as dicas de bons costumes são audíveis. Eles estão a provocar um tsunami e bué da estrondo (palavras de «Tufuete») e até estão a ser bastante modestos – em cada concerto vale tudo! O lema acaba por ser viver a vida (e que seja em forma de festividade). É impossível não bater o pé, abanar a anca ao longo de meia hora de canções com sotaque e ritmos fogosos. Estão a sentir? Estão a curtir?

Numa bela conversa, Marco, guitarrista da banda, e João, baixista, esclareceram-nos todas as dúvidas sobre os diversos momentos de vida dos Throes + The Shine num discurso uniforme.

Desde “Rockduro” a este “Mambos de outros tipos” passaram-se perto de três anos e algumas digressões por vários países Europeus. Ao olhar para trás, alguma vez idealizaram esta receptividade positiva por parte do público?

Marco Castro: Quando a banda começou, não imaginámos a resposta positiva que iria acontecer. Sempre fomos muito genuínos e divertimo-nos imenso a tocar.

E é isso que faz com que os vossos concertos sejam sempre uma grande festa?

Marco Castro: Acho que grande parte do segredo está aí, acaba por ser uma energia e uma atitude que contagia as pessoas e que, por sua vez, nos contagia a nós.

Como decorreram essas digressões?

Marco Castro: Correram muito bem, no geral. E sempre em crescendo, o que tem sido óptimo. A forma como fomos tratados, quer pelos organizadores, quer pelo público, tem sido sempre incrível e é mesmo recompensador sentir esse apreço.

Alguma história engraçada que queiram partilhar?

Marco Castro: Ora, temos umas quantas, mas como se costuma dizer “what happens in Vegas, stays in Vegas”! Isto é só para parecer que não somos uns gajos aborrecidos, na verdade!

O que mudou na vossa forma de ver a vossa música e enquanto “fazedores de canções”?

Marco Castro: Não houve nenhuma mudança radical, apenas um amadurecimento. Que aconteceu devido a todos os concertos que já demos, devido ao facto de nos conhecermos melhor e de sermos capazes de ter mais confiança para falarmos uns com os outros e chegarmos a consensos. É óptimo que numa banda de cinco pessoas não se sintam mentes fechadas, estamos sempre à vontade para experimentar coisas novas e atirar ideias ao ar sem ninguém torcer o nariz. Achamos que isso acabou por ser o grande motivo que levou à diferenciação do “Mambos de Outros Tipos” em relação ao “Rockuduro”.

De todos os festivais em que já participaram, qual o que gostaram particularmente?

Marco Castro: Gostámos imenso de tocar no Electron Festival, na Suíça. O público estava absolutamente louco. Houve mosh, houve miúdas a fazerem topless enquanto faziam crowdsurf, pessoal a invadir o palco. Foi claramente uma daquelas noites em que todos os astros se alinharam e nos divertimos à grande. E o pessoal que trabalhava no festival era absolutamente incrível, também.

Outro festival que nos marcou foi o Roskilde, que foi o maior palco onde estivemos, pelo menos até agora. Um pouco irónico que isso tenha acontecido fora de Portugal, mas são outras histórias. Houveram outros festivais que nos deram um gozo tremendo, como o Milhões de Festa, o Festival Chorus (Paris) ou o Optimus Alive, mas aqueles dois foram especiais. E claro que estas experiências nos influenciaram. Levaram a que repensássemos as dinâmicas dos nossos concertos e a que ganhássemos um à-vontade muito maior em palco.

“Mambos de outros tipos” vem reafirmar a vossa importância na nova geração de bandas nacionais. Em relação ao álbum anterior, este último é um disco com ‘mais palavras’, ou melhor, com uma importância relevante nas letras e até mesmo em termos melódicos. Como aconteceu o processo de composição deste disco?

Marco Castro: A composição deste disco foi mais cuidada do que a do primeiro. Tivemos um processo de composição que começou no Verão de 2013 e que foi sendo aprimorado com sessões de pré-produção no final desse ano. E mesmo o tempo de gravação final foi muito diferente. O “Rockuduro” foi gravado numa só semana, o “Mambos de Outros Tipos” levou quase três a completar. No que diz respeito às músicas, elas surgem todas de forma diferente. A «Tuyeto Mukina» surgiu de um conjunto de riffs que o Marco trouxe de casa, a «Dombolo» surgiu de uma brincadeira com o Igor, o Marco e o Diron no final de um ensaio, a «Wazekele» foi toda composta em estúdio onde a única base que havia era a bateria. Isto só para dar alguns exemplos. Não há um método concreto no nosso processo de composição.

O João Brandão já havia trabalhado convosco no disco anterior, mas neste novo trabalho surge como um membro residente da banda. Como tem sido trabalhar desta forma mais directa com a banda?

João Brandão: Para mim a transição foi bastante natural, visto ter acompanhado o projeto praticamente desde o início. Por já ter tocado em outros projectos com o Marco e com o Igor, e também por ter tocado com os T+TS ao vivo durante uns tempos acho que não houve um choque em particular quando entrei para a banda como membro permanente. Ou seja, este envolvimento mais directo com o projecto acabou por ser um seguimento natural do trabalho que tínhamos vindo a desenvolver desde o início da banda e acho que foi bom ter outra pessoa com um background musical completamente distinto a contribuir activamente na composição dos temas.

Os Throes + The Shine sentem-se responsáveis por serem pioneiros neste género de fusão de ritmos?

Marco Castro: De todo; há muitas bandas a fazerem fusões de géneros pelo mundo fora, e temos tido a possibilidade de ver isso em primeira mão com muitas pessoas que partilharam os mesmos palcos do que nós ao longo destes últimos três anos. Se calhar a fusão de géneros que nós fazemos não é muito comum e acreditamos que tem alguma ponta de originalidade, mas nunca é bom assumir que somos únicos. O mundo é um sítio bem grande e nunca se sabe de tudo o que anda por aí.

A versão física deste álbum é visualmente divertida e apelativa. Como surgiu a ideia conceptual?

Marco Castro: A ideia conceptual surgiu de uma colaboração entre a banda, a Cãoceito e o Musicbox. A intenção era criar um aspeto visual que representasse a nossa “ilha”, onde todas as músicas fizessem parte de um trajecto que levaria a algum lado. Já o poster, em conjunto com os óculos, pretende demonstrar que todos nós temos as duas facetas bem presentes, a do Ocidente e a de África.

Vi que a apresentação de “Mambos de Outros Tipos” vai passar novamente por alguns locais na Europa, mas e Portugal?

Marco Castro: Pela Europa já temos imensas coisas agendadas, é verdade. Em Portugal já temos algumas coisas, sendo que não podemos revelar quase nada ainda, mas vão acontecer. Esta dualidade de critérios, de ter mais concertos fora de Portugal do que cá, não é uma escolha nossa. Pura e simplesmente é o que acontece, com um misto de alegria e tristeza da nossa parte. Adoramos saber que gostam de nós fora de portas e é algo extremamente importante para o crescimento de qualquer banda, mas também gostaríamos de tocar mais vezes em Portugal. Mas por vezes há muitos astros que por vezes não se alinham e algumas concessões que não podemos aceitar só para tocar mais vezes.

De facto, tal como dizem em “Mambo”, a sorte não cai do céu e por isso todos eles constroem o seu caminho. Se estão curiosos e querem dançar até mais não, apareçam no Plano B na cidade do Porto no próximo dia 24 de Maio. Aproveitem e dêem-lhes um abraço.



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