JER2017_RDB_TOY_13

TOY @ SABOTAGE (07.03.2017)

,

Lotação esgotada no rock n’ roll club do Cais do Sodré para receber o quinteto de Brighton, que trouxe debaixo do braço o novíssimo álbum, “Clear Shot”, editado no términos do passado mês de Outubro. À porta haviam ainda alguns seguidores esperançosos em ter direito ao último bilhete para a ocasião, mas a gerência confirmava que não restavam mais entradas para o espectáculo.

Por entre a plateia denotava-se uma respeitável mancha vanguardista, exibindo as suas vestes escuras, e que contrastava claramente com a brilhante cabeleira de Tom Dougall, em tons louros (ficámos inclusivamente com ideia que os elementos dos TOY recomendaram o seu cabeleireiro aos Temples) . O baixista foi aliás o elemento mais irrequieto em palco, galgando constantemente o palanque onde estava colocada a bateria, numa performance que culminaria com uma incursão plateia adentro nos momentos finais do concerto.

A parceria estabelecida entre o baixo de Tom e a bateria dominada por Maxim Barron é a poderosa e incansável locomotiva que alavanca a parte mais melodiosa dos TOY, repartida  entre as teclas e o duo de guitarras, altamente contaminadas por um extenso leque de efeitos. Quase sempre que uma música abranda ligeiramente, ou parece arrastar-se para o seu fim, apenas significa que os instrumentos estão a parar brevemente num apeadeiro para em seguida arrancar de forma esfuziante para novas paisagens sónicas nas quais a natureza parece ter sido pintada por paletas psicadélicas. E, se a forma chega até a ser repetida q.b.,  é certo que a viagem não exaspera quem nela embarca, como se as melodias circulantes fossem tornando-se cada vez mais familiares e, por conseguinte, confortáveis.

Os TOY comportam-se como um buraco negro para o qual somos facilmente sugados, dada a energia que emitem e as melodias entranhantes. Dentro desse buraco negro acontecem regularmente explosões, que abrem portas  a demais galáxias, e reciclagens de lixo espacial, que provocam a poeira cósmica que praticamente nunca desvanece.

Por entre singles reconhecidos, que levaram os presentes a abanar a cabeça e a bater o pézinho desde o primeiro acorde, passando pelas composições do novo disco, houve krautrock, shoegaze, psicadelismo de todas as cores, guitarras enfurecidas (como no tema-título de “Clear Shot”, por exemplo), um apaziguamento momentâneo (para desfrutar calmamente a beleza dos refrões de «Clouds That Cover the Sun» ou «Another Dimension») e a fúria dos pedais de efeitos perto da ruptura em «Join the Dots» (qual fogo de artifício de encerramento!).

A noite prolongou-se com Maxim Barron a tomar conta dos pratos de vinil do Sabotage Club, acolhendo-nos na sua própria galáxia.

Alinhamento

– Fall Out of Love
– I’m Still Believing
– Kopter
– Fast Silver
– Colours Running Out
– Clear Shot
– Clouds That Cover the Sun
– Left Myself Behind
– Another Dimension
– Motoring
– Dream Orchestrator
– My Heart Skips a Beat
– Join the Dots



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This