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“Um Fogo Lento”, de Paula Hawkins

Vingança(s) nome do passado.

O ano de 2015 ficou marcado por um estrondoso sucesso de vendas no mercado livreiro mundial. Falamos de um tal livro de título A Rapariga no Comboio, que deu a conhecer o nome de uma escritora britânica, nascida no Zimbabwe. Falamos de Paula Hawkins, hoje nome incontornável do universo do suspense/policial, que, no final do verão passado, lançou Um Fogo Lento (Topseller, 2021), um livro que provocou muita expectativa entre os fãs.

Tendo mais uma vez Londres como palco, esta nova aventura literária de Hawkins é, mais uma vez, sinónimo de excelentes momentos de prazer através da nobre arte de folhear, e, atreve sublinhar-se, talvez o seu livro mais bem conseguido.

Tudo começa aquando da descoberta de um cadáver de um jovem no seu barco ancorado no coração de Londres, acontecimento que coloca entre os principais suspeitos três mulheres que o conheciam, todas elas presas a um passado negro e com sede de vingança.

Tanto Carla, Laura e Miriam, as protagonistas, teriam motivos para assassinar Daniel, mas, como nos apercebemos ao longo das mais de 300 páginas de Um Fogo Lento, nem tudo é o que parece, sendo a única certeza o facto de que qualquer uma destas mulheres guarda terríveis segredos e tudo farão para conseguir a paz de espírito que, desesperadamente, procuram e desejam, e em forma de redenção.

Um dos grandes méritos e qualidades da escrita de Paula Hawkins, é, além da sensibilidade estética com que constrói os seus protagonistas, como também os restantes personagens, a roupagem emocional com que são descritos e apresentados ao leitor, acabando por, neste livro, sublinhar uma particular pertinência para a presença de atos sublinhados pela dor, perda, culpa arrependimento, legitimidade, proteção, raiva, ciúme e amor incondicional.

Outros dos motivos que prendem o leitor é o excelente trabalho em descrever o ambiente da narrativa, neste caso um regresso a Londres, cidade que adotou como sua há alguns anos, e a um circulo geográfico muito reduzido.

A par disso, a autora joga muito bem com o recurso a memórias ou flashbacks para contextualizar a narrativa e os seus acontecimentos, e que encaixam na perfeição em capítulos curtos e dedicados alternadamente às várias protagonistas e dramas que as perseguem. Há ainda espaço, felizmente dizemos nós, para inúmeras e bem-vindas referências a músicas e interpretes, assim como ao mundo dos livros, sendo um dos personagens escritor.

E, mesmo sem um final surpreendente, Um Fogo Lento, evolui de forma
competente, segura e credível, sendo, talvez, a obra maior de uma autora que tem sabido responder à responsabilidade criativa de lançar títulos que sucederam ao sucesso e hype do já referido A Rapariga do Comboio e de uma certa Rachel que não esquecemos.



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