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“Vermelho como o Sangue” de Salla Simukka

Thriller de contornos adolescentes

Chega-nos com o rótulo de livro laureado pelo Prémio Toplius 2013, destinado a distinguir as melhores obras de literatura e juvenil na Finlândia, e os seus direitos de publicação estão vendidos para cerca de meia centena de países.

“Vermelho como o Sangue” (Presença, 2015), autoria da finlandesa Salla Simukka, escritora, crítica e tradutora, é o primeiro volume de uma trilogia – apelidada de Branca de Neve – dedicada a jovens adultos e que segue (ou ambiciona) muito dos ensinamentos do policial nórdico de tendências mais negras.

A protagonista é Lumikki Andersson, uma jovem de 17 anos de perfil duro. A narrativa leva-nos até ao frio das terras do Norte da Europa onde Andersson encontra uma incrível quantidade de notas manchadas de sangue fresco, penduradas a secar no laboratório de fotografia da sua escola.

Solitária por opção, Lumikki, quer esquecer a família e o passado. O seu presente, tudo o que lhe interessa, tem como ponto fulcral uma conceituada escola de arte cujos alunos são conhecidos pela disputa de estatuto social e acontecimentos paralelos aos estudos.

Alheia a tudo isso, Lumikki tenta concentrar-se nos estudos mas o referido acontecimento ensanguentado é o início de uma série de eventos estranhos e em turbilhão que revelam polícias ávidos de corrupção e um traficante que é sinónimo de uma constante e violenta ameaça.

Num ápice, e sem forças para se defender, Lumikki e três colegas, perdem o controlo e deixam-se afundar num mar negro que os arrasta, impiedosamente, para um recanto escuro manchado de sangue. O relógio não para e cada minuto vale ouro. A única solução é lutar contra os seus maiores pesadelos e tentar a salvação.

Com um perfil assumidamente juvenil, “Vermelho como o Sangue” é um thriller interessante, contado na terceira pessoa, mas peca por, aqui e ali, ser demasiado pueril, ingénuo. A clara aproximação de Simukka ao universo de Stieg Larsson leva, por exemplo, a autora a caracterizar a personagem principal como «a filha secreta de Hercule Poirot e Lisbeth Salander».

Ainda que o perfil de Andersson tenha sido bem trabalhado, nota-se um claro desequilibro face aos personagens secundários, o que acaba por tornar este livro numa obra menos fluida cuja trama tende a ser previsível.

Apesar disso, esperamos, com alguma ansiedade, que os restantes dois volumes da trilogia possam, de alguma forma, assumirem-se mais coerentes e interessantes, trazendo os ingredientes que faltaram em “Vermelho como o Sangue”, fatores esses que podem estar associados a alguma inexperiência da autora para trabalhar um conjunto narrativo inicialmente ambicioso.



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