Xenoblade Chronicles X

Xenoblade Chronicles X | Análise

Um marco incontornável para qualquer fã do género.

No ano 2054, os efeitos colaterais de uma intensa batalha entre duas raças alienígenas altamente avançadas levaram à destruição do planeta Terra. Sabendo do triste fim que se avizinhava, os governos de todo o Mundo não perderam a esperança e uniram esforços para elaborar um plano de fuga capaz de levar a cabo a evacuação de toda a humanidade em enormes naves interestelares. Foi graças a este projecto, designado como Project Exodus, que grande parte da raça humana conseguiu escapar à destruição do planeta. Muitos, infelizmente, não tiveram a mesma sorte. A história de Xenoblade Chronicles X acompanha a história que envolve a nave de evacuação americana, a White Whale, que dois anos depois é atacada por uma das raças envolvidas na batalha que levou à destruição do nosso planeta. Os danos provocados pelo ataque obrigam a uma aterragem forçada no planeta mais próximo, Mira, e se são fãs do género JRPG acreditem que vai ser a vossa casa durante horas a fio!

Para alguns, a passada inicial pode ser um pouco lenta. Isto porque, logo no começo, seremos alvo de várias informações, as quais teremos de assimilar com bastante atenção porque se referem sobretudo à jogabilidade (já lá vamos). Ainda sobre a história, saibam que não vos vou estragar quaisquer surpresas. Digo apenas que vos aguarda uma aventura emocionante repleta de reviravoltas. Antes de começar a minha aventura tive primeiro direito a um um extenso, e bem completo, sistema de criação de personagem. Com tanto detalhe confesso que tive pena que à excepção do que acontece em combate, onde ouvimos a voz por nós seleccionada, ao longo da história a nossa personagem, cai no tradicional herói mudo dos JRPG. Apesar de não comprometer a experiência, não posso deixar de ter pena que nos momentos mais emblemáticos, saia por exemplo um grito onde nada, à excepção,da música se ouve. Há, no entanto, momentos em que somos confrontados com algumas decisões que teremos de tomar nos mais variados casos, o que acaba por nos conferir uma quase modelação da personalidade do nosso herói. No que diz respeito às personagens restantes, estas são na sua maioria pertinentes. Por norma, à nossa personagem, juntam-se Elma e Lin mas uma vez que podemos constituir uma equipa com um máximo de quatro membros, há ainda espaço para outra, à nossa escolha entre as demais personagens. Todas diferentes, tanto a nível das suas habilidades como em termos de personalidade, é interessante explorar todas elas e vermos quais complementam da melhor forma o nosso esquadrão. Só é pena que o jogo não traga consigo a opção de escolhermos as vozes Japonesas. Apesar da dobragem americana cumprir quando é preciso, tal como já acontece nos outros JRPGS, é muito difícil superar a carga emocional conferida pelos actores originais, escolhidos a dedo pelos produtores.

Xenoblade Chronicles X

A história do jogo desenvolve-se por capítulos só que os pré-requisitos específicos para cada um deles constituem a “subtil” forma de Xenoblade Chronicles X nos recordar que há toda uma progressão que tem de ser feita e que há mais conteúdo para explorar neste título. Pouco depois do início da nossa aventura vamos conhecer a única cidade humana em todo o planeta Mira. Chama-se New Los Angeles e é lá onde iremos fazer parte de uma organização chamada BLADE. Esta organização apoia o governo nas mais diversas áreas, fazendo frente às dificuldades de sobrevivência da humanidade, regendo-se por três objetivos principais: Localizar e resgatar os passageiros sobreviventes da Lifehold, a unidade de estase da White Whale; Fazer um levantamento de todas as áreas do planeta Mira; Manter a paz entre os vários sobreviventes. Como parte desta organização, ganhamos acesso a um determinado leque de divisões. Cada uma complementa a forma como interagimos com o planeta Mira e inicialmente podemos apenas trabalhar com uma. Progridam mais no jogo e podem alternar entre elas a gosto. Como parte dos BLADE, ganhamos também acesso ao Mission Control Board onde vamos encontrar uma série de missões (quests, se preferirem). Estas missões são opcionais mas, claro, que ajudam imenso na nossa progressão. Há de tudo um pouco, desde a tradicional missão, onde temos de derrotar um certo número de criaturas específicas, à localização de materiais raros ou até o mapear de uma área desconhecida. A variedade é muita e em caso de dúvida podemos em grande parte dos casos conferir no mapa o local para onde temos de nos deslocar. Isto, no entanto, não é regra, uma vez que certas missões onde precisamos de recolher um determinado material podem não trazer incluído, no mapa, um marcador que nos indique a área onde devemos procurar.

Xenoblade Chronicles X

Aliado a este conteúdo, até certo ponto opcional, existem missões de afinidade. Muitas vezes serão um dos tais pré-requisitos que teremos de cumprir se quisermos aceder ao próximo capítulo da história e, sobretudo, servem para que fiquemos a conhecer um pouco mais do que realmente move as personagens com as quais vamos interagindo. Completem-nas,  melhorem a vossa relação com os vossos companheiros de arma e vejam o reflexo disso no campo de batalha.

Como sucessor espiritual do fantástico Xenoblade Chronicles, a jogabilidade de Xenoblade Chronicles X não será estranha para muitos de vós. Tudo é explicado ao detalhe dentro do jogo mas para quem não sabe, segue uma breve explicação. Não havendo turnos, os combates são feitos em tempo real onde as personagens, bem como os adversários, atacam automaticamente em intervalos fixos. Cabe-nos a nós escolher a melhor altura para coordenar e desencadear movimentos especiais, designados como Arts, para infligir uma maior quantidade de dano ou para nos protegermos a nós e  aos nossos companheiros de equipa. Não existem itens de recuperação de pontos de vida nem de ressuscitação. Tudo passa pelo que levamos para o campo de batalha. Exemplo disso são as SOUL, um conjunto de diálogos que as personagens podem trocar entre si em combate. Estas trocas de palavras podem ter efeitos positivos, como o restabelecimento de pontos de vida ou até o aumento temporário do dano que podemos infligir.

O feliz posicionamento, nosso e dos nossos companheiros de armas, é fulcral, sobretudo nos confrontos mais exigentes. Ataquem pelos lados, ou por trás e vejam o vosso dano a aumentar. Algumas Arts chegam mesmo a beneficiar do facto de sabermos flanquear o adversário. Ainda em combate, há que prestar atenção à dificuldade do encontro. Muitas vezes se prestarmos atenção é-nos possível inutilizar certas partes do corpo do oponente. Se o fizermos, o caminho para a vitória é menos penoso e muitas vezes podemos até ser recompensados com itens especiais no final do combate.

Além da óbvia progressão de nível, para aprendermos mais habilidades (Arts), temos ao nosso dispor um vasto leque de classes que podemos escolher para a nossa personagem. Inicialmente começamos como um simples Drifter mas à medida que avançamos, vamos ganhar acesso a outras. Cada uma traz consigo uma forma de jogar e habilidades que a complementam. Explorem-nas bem, alternem entre elas e vejam quais as que se adequam melhor à vossa forma de jogar. Preferem uma classe mais ofensiva que mistura uma metralhadora com uma enorme espada de duas mãos? Preferem uma classe mais virada para o suporte, onde podemos alter entre o uso de duas metralhadoras ou duas espadas em cada mão? Há muito por onde escolher e imensas armas e peças de armadura para descobrir e adequar à vossa personagem.

Xenoblade Chronicles X

Progridam até praticamente metade da história a fim de complementarem a vossa forma de jogar com um enorme e poderoso mech. Designados por Skell, com estas máquinas a nossa capacidade ofensiva e defensiva aumenta consideravelmente. Em combate podemos utilizar Arts, como se de um confronto normal se tratasse. Também podemos executar auto-ataques, utilizando as armas que trazem em ambas as mãos. Mas mais do que unidades de combate, os Skell servem também para nos transportar em Mira. No chão podem assumir a forma de uma mota e se procurarem bem, vão obter acessórios que vos permitem voar com eles. Acreditem que é uma experiência que não vão querer perder.

A pé ou a voar, com ou sem Skell a exploração de Mira, resultou numa das mais agradáveis experiências visuais que já tive nesta consola. Há que também destacar a fantástica banda sonora que tão bem acompanha toda a acção, salvo raros casos em que na história se sobrepõe às vozes das personagens. Xenoblade Chronicles impressiona ao tirar o máximo partido das capacidades oferecidas pela Wii U. E não só em termos gráficos, já que o GamePad é extremamente útil, pois é através dele que vamos aceder à rede FrontierNav que nos dá acesso ao já mencionado mapa de Mira. Com um simples toque no ecrã táctil podemos viajar para outro local já por nós descoberto, ou aplicar sondas em locais específicos que aumentam os recursos que podemos recolher do local ou até mesmo aumentar as nossas capacidades de combate.

O planeta Mira divide-se em 5 regiões, cada uma delas traz consigo um vasto leque de cenários, todos eles bem amplos e detalhados e recheados de segredos quase que a  implorar que os exploremos. A povoá-los está uma extensa e impressionante variedade de criaturas das mais diversas escalas e tipos. Desfrutem dos ciclos de dia e noite e vejam algumas criaturas a recolherem-se ou a acordar, prontas para fazer de nós o seu pequeno-almoço. A nossa exploração pode ser feita Offline ou Online. Se escolhermos a segunda, vamos fazer parte de um Pelotão com um máximo de 32 jogadores. Desta forma, podemos interagir com amigos e/ou desconhecidos e combater lado a lado, em grupos de 4 membros, ou até ler relatórios que outros membros do pelotão tenham deixado sobre áreas que já exploraram.

Há males que vêm por bem e com o trágico evento que levou à aterragem forçada no planeta Mira, os jogadores fãs do género JRPG podem assim desfrutar de uma das mais impressionantes aventuras alguma vez desenvolvidas para o género. Complexo mas acessível, só é pena que algumas missões opcionais nos afastem da acção e nos levem a alguns momentos mais parados por não nos indicarem o local onde devemos cumprir o nosso objectivo. Não obstante, a pé ou no comando de um imponente mech, Offline ou acompanhado por amigos e desconhecidos Online, espera-vos uma aventura emocionante num planeta que implora que o exploremos em busca dos segredos que nele se escondem. Sem dúvida um marco incontornável para qualquer fã do género! Não quero despedir-me sem antes relembrar que, até ao dia 18 de Dezembro, aqueles que adquirirem o original Xenoblade Chronicles para a Wii, através da Nintendo eShop na Wii U, podem usufruir de 10 euros de desconto na compra de Xenoblade Chronicles X.

 

 



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