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Yann Tiersen

Centro Cultural de Belém – Grande Auditório, Lisboa, 06-07-2009.

Continua a ser impressionante a quantidade de pessoas que, oito anos depois, continua a associar o nome do bretão de uma forma quase instantânea à banda sonora do filme de Jean-Pierre Jeunet, “Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain”. Nem eu mesmo fujo a esse hábito. Nos dias que antecederam o evento, e sempre que mencionava que iria a um concerto, e perguntavam o que ia ver, saia a pronta resposta: “Vou ver Yann Tiersen, o da banda sonora da Amelie.” Todos, sem excepção, sabiam exactamente a quem me referia. No entanto, coloca-se aqui uma questão relativa à obra de Yann Tiersen. Esta vai muito para além do trabalho que, sem qualquer sombra de dúvida, maior reconhecimento internacional lhe deu.

Quem já tivesse presenciado um espectáculo de Yann Tiersen, ou já conhecesse a sua obra, sabia à partida o que poderia esperar de um espectáculo do bretão. Vi-me inserido no primeiro grupo. Tive a oportunidade de o ver actuar ao vivo em Março de 2007, aquando a sua passagem por Lisboa, na Aula Magna. Saí de lá agradavelmente surpreendido. Assim, para o concerto do CCB, a expectativa que mantinha estava relacionada com o querer saber o que teria mudado desde 2007.

O concerto teve início por volta das 21h15, perante um Grande Auditório completamente lotado e aguardando ansiosamente por Yann Tiersen, homem de poucas palavras, tal como se verificou ao longo da actuação. Eu contei dois “thank you” e dois “obrigado”.

Yann Tiersen faz parte daquele grupo de artistas que goza de um estatuto de culto por Portugal há bastante tempo. O final de cada música foi sempre seguido por um estrondoso coro de aplausos. Um dos pontos fortes do concerto foi a qualidade e consistência da banda que acompanha, actualmente, Yann Tiersen em digressão: Marc Sens na guitarra, um irrequieto Ludovic Morillon na bateria, Stéphane Bouvier no baixo e uma peculiar Christine Ott no teclado electrónico. Foi uma actuação musculada e muito dada ao experimentalismo, aquela que Tiersen ofereceu ao público português. Houve momentos em que qualquer fã de Mogwai ou Explosions In The Sky não pode ficar indiferente ao post-rock que foi destilado a partir do palco.

Ficou claramente no ar a sensação de se ter assistido a um bom concerto, soberbamente executado, mas ao qual faltou algo. É que apenas foi visível uma faceta de Tiersen. As restantes ficaram escondidas. Digam o que quiserem, mas a falta da concertina (houve violino nalguns momentos do concerto) foi sentida por todos os elementos da assistência, nem que apenas por breves momentos.Como não poderia deixar de ser, o concerto não podia terminar sem se ouvir «La Valse d’Amélie», numa versão mais suja e rockeira, mas não menos interessante.

Yann Tiersen com toda a certeza regressará a Portugal e nessa altura, por ventura, mostrará outra das suas faces. Por cá, aguardamos com vontade.



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