2013 e os livros que nos deixaram saudades

2013 e os livros que deixaram saudades

As melhores páginas que nos passaram pelas mãos

Missão muito difícil a de escolher os melhores livros do ano, não só pela quantidade mas, sobretudo, pela qualidade das edições que chegaram à nossa redacção.

Optámos por separar a literatura nacional e a internacional, não por uma qualquer distinção qualitativa mas, simplesmente, de modo a apresentarmos mais propostas literárias num ano que, no que diz respeito a edições, foi francamente muito bom. 20 livros internacionais e, como não acreditamos em bruxas, 13 nacionais.

Não poderíamos também esquecer o mundo dos mais pequenos, partilhando os cinco títulos que mais nos encantaram com o acréscimo de duas excelentes reedições. E há também um destaque nesse fantástico universo da banda desenhada.

Para o final deixámos duas menções muito especiais, atribuídas a dois projectos literários surgidos este ano que merecem todas as honrarias.

Boas leituras, até para o ano!

Literatura fora de portas

2013 e os livros que nos deixaram saudades

20. Cidades de Papel” | John Green (Editorial Presença)

«Jornada épica que atravessa o território da adolescência, “Cidades de Papel” oferece um magnífico retrato de um corpo em mudança, do poder da amizade e dos fios que, apesar de partidos, arranjam sempre forma de se voltar a unir. Entre o mistério e a iluminação interior, John Green ofereceu-nos um romance entusiasmante.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

19. “Tríptico” | Karin Slaughter (Topseller)

«Mais do que promover no leitor a caça ao assassino – que a há – ao bom estilo policial, Slaughter oferece um magnífico retrato sobre a justiça e as suas falhas, bem como sobre o uso abusivo do poder e a dificuldade de reconstruir uma vida depois de uma condenação grave.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

18. “Abismo e Outros Contos” | Jean Meckert (Antígona)

«Jean Meckert é autor de uma escrita directa, despojada e carregada de raiva contra a sociedade, mantendo aceso um espírito de revolta que, à primeira oportunidade, não deixará de se manifestar. “Somos aquilo que escrevemos”, diz-se por vezes nos corredores da literatura. No caso de Jean Meckert, esta máxima foi um modo de vida.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

17. “Os Níveis da Vida” | Julian Barnes (Quetzal Editores)

«Todas as histórias de amor são potenciais histórias de dor, lê-se a certa altura. Porém, sem ele, provavelmente não passaríamos de seres vazios, condenados a passar pelo mundo sem nunca ascender ao céu num balão feito de sonhos.»

2013 e os livros que deixaram saudades

16. “O Que Morre no Verão” | Tom Wright (Bertrand Editora)

«Romance sobre a perda da adolescência e habitado por uma irreparável disfunção familiar, “O Que Morre no Verão” tem tanto de misterioso como de sensual, mostrando-nos o mundo através dos olhos de um adolescente sem muita esperança no futuro. O final, elegantemente perturbador, vai levá-lo ao centro de uma epifania, como se tivesse a honra de presenciar um milagre. »

2013 e os livros que deixaram saudades

15. “O Amante Bilingue” | Juan Marsé (Dom Quixote)

«O livro é um brilhante exercício sobre a questão da identidade e, ao mesmo tempo, uma sátira imensa à bipolaridade social e linguística presente na Catalunha.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

14. “História da Minha Vida I” | Giacomo Casanova (Divina Comédia)

«“Histórias da Minha Vida I” permite conhecer um novo Casanova, um homem que viveu uma luta inglória para alcançar o espírito da realeza, por mais amizades, amores nobres e serviços prestados a reis e príncipes. Além da sua faceta de libertino iremos vê-lo como um homem de letras, um humanista, um intelectual livre-pensador e um infatigável escritor, com uma grande formação artística e musical, uma instrução militar e científica e um gosto pelas ciências ocultas, a alquimia e a cabala; mas também na pele de jogador compulsivo, que ganhava e perdia fortunas com a mesma facilidade e ar de desprendimento, e que passará os últimos anos da sua vida numa terrível decadência física, só e com uma raiva explosiva contra o mundo.»

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13. “O Verão dos Brinquedos Mortos” | Antonio Hill (Porto Editora)

«Antonio Hill descreve de forma acutilante e precisa um mundo construído de privilégios e abusos de poder e entra, de mansinho, no passado familiar de uma família onde se esconde um segredo que, desde há muitos anos, tem estado preso por arames.»

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12. “Resgate” | David Malouf (Bertrand)

«Num livro onde os deuses espreitam a cada página, David Malouf oferece-nos uma história comovente sobre a perda e o recomeço, em que dois heróis trágicos esquecem, por um momento, que estão separados por um fosso profundo.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

11. “Alfabetos” | Claudio Magris (Quetzal)

«“Alfabetos” é uma viagem ao coração da literatura, à descoberta dos seus livros, autores e da forma como, ao darmos com eles, transformamos qualquer coisa em nós próprios; um rastilho aceso pelo poder das páginas escritas, quer estas nos firam ou nos salvem, com o seu epicentro localizado no Velho Continente, que Magris revela conhecer como um pioneiro.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

10. “Admirável Mundo Novo” | Aldous Huxley (Antígona)

«Escrito em 1932, Aldous Huxley foi talvez ainda mais visionário que George Orwell, algo que o próprio disse descomprometidamente a Orwell numa carta enviada depois de ter recebido um exemplar de “1984”: «É minha convicção que a oligarquia dirigente encontrará formas menos árduas e esgotantes de governar e de satisfazer a sua ânsia de poder, formas estas que se assemelharão às que descrevi em Admirável Mundo Novo.» 81 anos depois, nunca este cenário esteve tão próximo, pelo menos na cabeça de quem nos governa (e mal) a todos. »

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9. “Pássaros Amarelos” | Kevin Powers (Bertrand)

«O Inferno, porém, não existe apenas no deserto, nas ruas empoeiradas, no sentido permanente de emboscada. Quando acompanhamos o regresso de Bartle a casa, um novo e mais silencioso inferno estende-se perante nós, um mundo de vultos e sombras: «Os fantasmas dos mortos enchiam os lugares vazios de cada porta por onde passava.» A pergunta que todos colocam, ao sair do avião para um regresso à pátria, é comum: «Bem, e agora?»»

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8. “A Herdade” | Jane Smiley (Civilização)

«Escrito em seis actos, “A Herdade” recupera e amplia a dimensão trágica descrita por Shakespeare, permitindo-nos reconhecer algo que nos vai acompanhando ao longo da vida: os segredos, as mentiras e os dramas familiares.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

7. “Em Parte Incerta” | Gillian Flynn (Bertrand)

«A sabedoria popular já o diz e há muito: o casamento pode dar cabo do juízo e do corpo de uma pessoa. Gillian Flynn, apesar de um casamento aparentemente feliz, decidiu escrever “Em Parte Incerta”, um romance sobre a dificuldade da coabitação onde, no lugar de uma escrita romântica e/ou emocional, teceu uma intriga onde mora o mistério, o humor negro e a incerteza até ao virar da página derradeira.»

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6. “O Colecionador de Mundos” | Ilija Trojanow (Arkheion)

«Em “O Colecionador de Mundos”, Ilija Trojanow transporta-nos a três dos mundos que marcaram a vida de Burton – a Índia, o Médio Oriente e a África –, oferecendo uma multiplicidade de narradores e personagens que transformam a leitura numa jornada épica a bordo de um tapete voador.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

5. “Amuleto” | Roberto Bolaño (Quetzal Editores)

«Já vos aconteceu chegarem ao final de um filme ou de um livro e ficarem como que aturdidos, aprisionados numa sensação de queda no vazio que vos faz questionar se terão chegado lá, àquele lugar que o criador imaginou e escondeu nas entrelinhas? Pois bem, “Amuleto”, de Roberto Bolaño – edição Quetzal, série américas – é um desses livros abençoados pelo mistério da criação.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

4. “Estrada para Los Angeles” | John Fante (Alfaguara)

«Talvez traço dos melhores escritores, ou simplesmente abrir de caminho para a demência, Bandini (ou Fante) mostra-nos o quanto o nosso idealizar é defraudado pelas insistências inesperadas da vida.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

3. “A Casa com Alpendre de Vidro Cego”| Herbjorg Wassmo (Arkheion)

«Envolto de um realismo assombroso e uma sensibilidade contagiante, Wassmo relata a vida atormentada de Tora, uma ensimesmada menina ruiva de compridas tranças que tenta sobreviver às moléstias do padrasto, à distância e fragilidade da mãe e à frieza e crueldade da população.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

2. “Homer & Langley” | E. L. Doctorow (Porto Editora)

«Há livros assim, que nos conseguem cativar desde as primeiras linhas e se tornam companheiros de viagem até assentarmos os pés no nosso destino final. “Homer & Langley”, livro de E. L. Doctorow com edição pela Porto Editora, é um desses casos de amor à primeira vista. Calcem uns sapatos confortáveis, sirvam-se de um copo alto e bebam isto de uma assentada: «Eu sou o Homer, o irmão cego. Não perdi a vista de repente, foi como nos filmes, um lento fade-out.»»

2013 e os livros que deixaram saudades

1. “Deixa Lá / Más Novas” | Edward St. Aubyn (Sextante Editora)

«No mundo radiografado por Aubyn, visto através de um olhar clássico moderno, há uma frieza constante, uma ironia suprema e um sentido de humor habitado pelo negrume, por onde se passeiam personagens trágicos à procura de uma cura para todos os males da alma. Com muito charme e subtileza, Aubyn construiu aqui uma imensa obra-prima. Absolutamente obrigatório.»

Literatura dentro de portas

2013 e os livros que nos deixaram saudades

13.“O da Joana”| Valério Romão (Abysmo)

«Valério Romão promove neste livro uma descida ao recanto do cérebro onde nasce a loucura humana, regressando ao carrossel vertiginoso de um hospital público e às atribulações da vida de um médico (ou enfermeiro). Mesmo sem contar com o twist assombroso do primeiro livro – um valente murro no estômago – Valério Romão escreve à velocidade de um F1 e termina de forma sanguinária este segundo tomo, numa cena que andará entre a insanidade de “Carrie” e a violência psicológica à moda de Tarantino, tornando-o de certa forma um adepto e criador do “gore” literário.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

12.“Bordel Português”| Nelson Quintino (Divina Comédia)

A acompanhar uma história de redenção individual, “Bordel Português” faz também, com muito humor, fantasia e espírito melancólico, o retrato de um país que parece condenado a pedalar com as rodas no ar, onde persiste o medo de ir ao médico, se acha uma grande parvoíce pedir factura quando se pode pagar menos (quem nunca o fez que atire a primeira pedra) e onde a corrupção e o engano são as molas propulsoras ao desenvolvimento do PIB individual do salve-se quem puder. Que da gaveta de Nelson Quintino possam sair mais pérolas como esta.

2013 e os livros que nos deixaram saudades

11.“Se não podes juntar-te a eles, vence-os” | Filipe Homem Fonseca (Divina Comédia)

«Retrato de uma Europa em fanicos, onde as manifestações estão a cada virar de esquina e o desejo de mudança vai crescendo entre a ideia de pacifismo e a vontade de atear fogo às cidades, ”Se não podes juntar-te a eles, vence-os” é a história de dois homens que decidem passar das palavras – ou do silêncio – aos actos, com a crença absoluta de que o futuro, talvez, não seja algo para ser levado até ao fim.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

10. “A Última Canção da Noite”| Francisco Camacho (Dom Quixote)

« …Romance musical, com ecos de Gatsby on the road, que se lê como uma imensa banda sonora onde cabem Jim Sullivan, Pavement e Yo La Tengo. E os Wilco, claro está.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

9. “Índice Médio de Felicidade”| David Machado (Dom Quixote)

«“Índice Médio de Felicidade” não é apenas uma obra obrigatória como também um dos melhores exercícios narrativos de alguém que consegue transformar a escrita em esperança e as palavras em futuro.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

8.“A Maldição de Ondina”| António Cabrita (Abysmo)

«Usando uma linguagem vibrante e inventiva, com tanto de romântico como de violento, António Cabrita escreveu um livro de memórias vivas, sobre um país que vive, também, ele, a maldição de Ondina: assim como os golfinhos, que dormem com um dos olhos abertos para não morrerem afogados, Moçambique tem também de montar vigília e evitar o sono profundo, não vá morrer num mar de corrupção onde parece não haver lugar para a praia-mar. Apenas marés cheias.»

2013 e os livros que vão deixar saudades

7. “Vai, Brasil” | Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

«No final da viagem, mesmo que desta longa jornada se retire a ideia de que entre o atraso e o progresso do país a sua estrutura perversa permanece, fica uma palavra de esperança: amanhã. Quem sabe, amanhã. Entre o jornalismo e o romance, Alexandra Lucas Coelho ofereceu-nos mais um passaporte para o mundo. É seguir viagem.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

6. “Maria dos Canos Serrados” | Ricardo Adolfo (Objectiva)

«Ricardo Adolfo senta-se ao volante de um carro que cospe calão e leva-nos numa fascinante viagem pelo submundo das periferias, num romance feroz que, ainda assim, encontra lugar para um final feliz (pelo menos para alguns). Se Quentin Tarantino decidir fazer um novo filme, ao estilo de “Death Proof”, já tem metade do trabalho feito: “Maria dos canos serrados” dará um guião exemplar.»

5.“As Primeiras Coisas” | Bruno Vieira Amaral (Quetzal)

«Depois da estreia literária com “Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesas”, Bruno Vieira Amaral serve-nos agora um romance composto de pequenos contos, habitado pela melancolia e pela violência mas onde espreita, por detrás de um mundo de fatalidades, uma réstia de humanidade. «Viver é falhar», lê-se a certa altura. Bruno Vieira Amaral, para nossa sorte, acertou em cheio.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

4. “Para onde vão os guarda-chuvas” | Afonso Cruz (Alfaguara)

«Ao longo de mais de 600 páginas, Afonso Cruz percorre um universo digno de umas peculiares mil e uma noites, que fazem o leitor entrar num Oriente efabulado e apaquistanado onde passado, presente e futuro servem de palco para um cenário que traz a mais profunda das dores, que é a perda de um filho, tendo como inspiração maior um conselho dado por Gandhi a um hindu destroçado por uma idêntica tragédia.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

3. “A Desumanização” |Valter Hugo Mãe (Porto Editora)

«E é no cenário desoladoramente só dos fiordes do oeste islandês que descobrimos a alma humana da escrita (poética) de Valter Hugo Mãe, com letra maiúscula, um escritor de alma aberta, de coração entregue às suas palavras, frases, ideias, dúvidas. O revelo do cenário rasga a vida dos personagens de “A Desumanização” de uma forma dilacerante, mas a leitura deste livro serve o propósito da catarse enquanto obra escrita, enquanto tentativa de caracterizar o sentimento “solidão” através da simbologia do espelho da alma, da pessoa gémea.»

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2. “Irmão Lobo” | Carla Maia de Almeida e António Jorge Gonçalves (Planeta Tangerina)

«As ilustrações de António Jorge Gonçalves, num triângulo cromático entre o branco, o negro e o azul, retratam na perfeição o estado de melancolia presente da primeira à última página. Livro para crianças e adolescentes? Apenas meia verdade. “Irmão Lobo” é um livro tão bom que todos os crescidos deveriam ser obrigados a lê-lo.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

1.      “O Livro do Ano” | Afonso Cruz (Alfaguara)

«Sim, ainda é cedo para fazer uma lista com os melhores livros de 2013, mas este “O Livro do Ano” encanta, surpreende, enternece, aloja-se no nosso coração. É obrigatório ler e ter. A 1 de agosto Afonso Cruz escreveu: «Quanto mais facilidade tem uma música em entrar na cabeça, mais dificuldade tem em sair.» Também repleto de melodia, este livro entra-nos de forma imediata e fica. São gritos mudos que permanecem no nosso âmago fechados a sete chaves. Absolutamente imperdível!»

Mundo dos mais pequenos

2013 e os livros que nos deixaram saudades

5. “Este livro está a chamar-te (não ouves?)” | Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina)

«Porque há ali mesmo uma voz que fala connosco, que nos quer conhecer. E se há uma voz é porque há alguém que nos escuta também. Se há alguém há cheiro, mesmo que seja o do papel; há som, mesmo que seja da pele dos nossos dedos a virar as páginas; há sabor, há movimento, há emoção. Tudo dentro de um livro. Exatamente como ele é.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

4. “Dark Lord: A Adolescência”| Jamie Thompson (Booksmile)

«Dark Lord é o triunfo absoluto da imaginação, uma metáfora sobre a necessidade de, quando colocados perante o lado cinzento e monótono da realidade, lhe aplicarmos umas pinceladas com a tinta de que são feitos os sonhos.»

2013 e os livros que nos deixaram saudades

3.“O Jardim de Babai”| Mandana Sadat (Bruáa editora)

No final, depois de uma travessia corajosa pelas montanhas, somos presenteados com uma surpresa de todo o tamanho, conhecendo um lado mágico que nos transporta para o universo das Mil e Uma Noites, agora em versão infantil. E, como se o feitiço não bastasse para nos deixar a saltitar num universo de sete cores, há toda uma nova história escondida debaixo pronta para ser contada. Simplesmente sublime.

2013 e os livros que nos deixaram saudades

2.“Este Alce é Meu”| Oliver Jeffers (Orfeu Negro)

«Usando pinturas de fundo do pintor Alexander Dzigurski – majestosas paisagens de cortar a respiração -, Oliver Jeffers acrescenta-lhes as suas cativantes ilustrações, que atingem a perfeição aliando uma tremenda inventividade ao ar de traço inacabado com que alguns dos desenhos parecem impressos. Mais um livro soberbo saído da imaginação de Jeffers.»

1. “A Ilha”| João Gomes de Abreu e Yara Kono (Planeta Tangerina)

«“A Ilha” é um retrato tragicómico dos dias em que vivemos. Uma fábula sobre os projectos desenhados sobre o joelho, as obras que ficam a meio, a identidade colectiva, os sonhos e tudo aquilo que nos move. Afinal de contas, que queremos nós construir neste mundo cada vez menos solidário?»

Menção especial para as reedições no mundo dos mais pequenos

2013 e os livros que nos deixaram saudades

“Minimalário”| Pinto & Chinto (Kalandraka Editora)

«Há um galo que desafina, uma lula que de tão feliz larga tinta de todas as cores ou uma vaca que só dá leite de cabra. Ou um camaleão que não sabia mudar de cor: «Ao ver que os outros camaleões conseguiam, ficava verde de inveja. Às vezes gozavam com ele, e ele ficava vermelho de raiva. Chegou mesmo a cair doente, e ficou amarelo. Delirava de febre, e julgou ver um fantasma, e teve tanto medo que ficou branco. O pobre camaleão via-se negro. Para o consolar, a mãe preparou-lhe um bolo enorme, e ele comeu tanto que se engasgou até ficar roxo.» Calce as suas botas de explorador(a) e perca-se de riso nesta selva imensa e irresistível.»

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“O Livro Inclinado”| Peter Newell (Orfeu Negro)

«Originalmente publicado em 1910, “O Livro Inclinado” foi o pioneiro do aparecimento de livros com um formato especial, como os pop-ups (aqueles com janelas de abrir e coisas para puxar) e outras preciosidades. Com a forma de um paralelograma, o livro transforma-se num “V” perfeito quando aberto, fazendo com que tanto a história escrita como as próprias imagens partam velozes aproveitando a forte inclinação.»

Banda Desenhada

2013 e os livros que vão deixar saudades

“Rugas” | Paco Roca (Bertrand)

«A perda das nossas faculdades mentais constitui um abismo de receios e tristezas, um abismo que é enfrentado todos os dias por um doente com Alzheimer. Modesto é um colega de Emílio que sofre do mesmo mal – apenas num estágio mais avançado. A sua relação com a esposa Dolores, que continua a seu lado, é um dos pontos mais impressionantes no livro de Roca. Aqueles momentos em que Dolores sussurra algo ao ouvido de Modesto – resultado no único sorriso de que ele é agora capaz – trazem consigo uma carga emocional tão intensa e tão bela que, só pelas vinhetas dedicadas a este casal – e que são poucas –, este livro já valeria a pena – e vale mesmo tanto a pena.»

Um grande aplauso para…

2013 e os livros que vão deixar saudades

Granta Portugal (Tinta da China)

«Poderíamos nós, leitores, viver sem a Granta? Tentar seria uma hipótese, mas certamente – e tristemente – não seria a mesma coisa.»

2013 e os livros que vão deixar saudades

Obra Completa do Padre António Vieira (Círculo de Leitores)

«Seremos guiados aos alvores do império português, às suas contradições e vitalidade. Vieira foi não só um dos grandes oradores de sempre, mas também um defensor de tolerância entre diferenças, da busca do saber e da harmonia entre povos, que nos legou todo um património de pensamento e domínio da palavra – essenciais para a definição do que fomos e do que podemos ainda ser. Fumo branco, finalmente!»



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