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À margem

A braços com o rio.

“As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana.”

E assim partiram um dia os naus e as caravelas portuguesas da sua foz. Pelos seus caminhos, se fez caminho. Pelas suas correntes, bravas, se desbravou a vontade de descoberta. Berço para os Descobrimentos Portugueses, o rio Tejo, o rio mais extenso da Península Ibérica, abraça a cidade que nas suas margens se faz moça. Com origem em Espanha, onde ganha o nome de Tajo, a 1593 metros de altitude na Serra de Albarracín, desaguando no Oceano Atlântico, banha essa Lisboa que é a Lisboa onde os passeios à beira-rio ganham novo sabor, porque de sabores novos se fazem sítios como este.

Ladeada pelo Padrão dos Descobrimentos e pelo Farol do Bom Sucesso, e de braço dado com o que de melhor pode oferecer o rio – tranquilidade e uma vista magnífica, para os mais esquecidos! – a esplanada do À Margem é, antes de qualquer outro tipo de classificação que lhe possa ser atribuída, um lugar quase mágico…

Fruto da criatividade dos arquitectos João Pedro Falcão de Campos e Ricardo Vaz, aqui o tempo pára. A música que se ouve é clássica, em dias mais calmos, talvez. Mas também pode ser um jazz ou um chill out, naqueles dias em que apetece sentir e ficar. Quem olha, vê um rectângulo de linhas rectas, uma obra arquitectónica nobre, serena, minimalista. E só por isso valia a pena dar uns passos e descobrir o que por ali se encontra. Mas quem por lá passa o olhar uma segunda vez, fica com vontade de se aproximar, porque à serenidade que este lugar transmite junta-se a beleza do rio e a vontade de sentir o sol que ali desagua, mais de perto, torna-se forte demais.

Talvez porque o branco e o vidro sejam duas constantes, talvez porque o olhar descansa sobre o rio, ou talvez simplesmente pela tranquilidade que o lugar oferece, sem se conseguir explicar muito bem porquê, a verdade é que aqui apetece ficar horas e horas, enquanto o sol se põe. E se assim for, as saladas variadas ou as sandes, acompanhadas dos mais deliciosos sumos naturais ou batidos, ou, se preferir, um chá ou uma tisana, servem para acompanhar o início de noite, que vem sem darmos por isso…

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”, lê-se no site, à entrada. E assim deve ser. O tempo, que aqui ganha uma dimensão nova, é para ser vivido, tranquilamente. De Domingo a Quinta-feira, das 10:00 à 1:00; de Sexta-feira a Sábado e vésperas de feriados, das 10:00 à 02:00. Doca do Bom Sucesso, Lisboa.



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