Akla

Influências da gastronomia portuguesa e do mundo no restaurante do Hotel InterContinental Lisbon

Restaurante de hotel: estupidamente caro, impessoal e focado em turistas. Esta ideia está completamente ultrapassada e o Akla é um bom exemplo para contrariar esse mito. Após uma profunda renovação no espaço, o Akla abre as portas à cidade elegante, distinto e sofisticado. Comecemos pelo espaço. Amplo e muito confortável, a decoração é rica em detalhes, mas o que se destaca são os grandes painéis de azulejos tipicamente portugueses, uma das formas de afirmar a identidade lusa. Os tons dourado, creme e azul escuro estão também muito presentes, aliados aos mármores e às madeiras, conferindo um cariz requintado.

Mas as alterações vão muito além da estética do restaurante e a nova carta é a prova de que estamos em Portugal e que não são só os estrangeiros que devem conhecer o espaço. Angelina Cavaleiro, sub-chef, explica-nos o porquê destas alterações: «Esta carta surge de uma nova aposta de mercado de tornar o restaurante mais próximo do cliente de rua, não só do hóspede do hotel, mas também para chamar o cliente do dia-a-dia. É uma carta mais prática, baseada em grelhados num forno a carvão, o Josper.  A parte fria, as entradas, surge no decorrer das tendências actuais e são inspirações do nosso chef, que faz a sua própria criação de um ceviche ou de um tártaro, aproveitando os produtos portugueses», esclarece.

É dessa mescla de influências, que combina diversas propostas de cozinha portuguesa e internacional, que resultam as referências gastronómicas adquiridas pelo Chef Eddie Melo e que estão impressas nesta nova ementa. Segundo Angelina Cavaleiro, este processo funciona em equipa: «A equipa dá o input, o chef reúne as ideias, avalia e depois formaliza. Após o período de testes, é feita a apresentação às restantes equipas e à administração». Foi dessa riqueza de inspirações e troca de experiências que nasceu a nova carta, onde figuram vários pratos como ostras da Ria Formosa ou camarão do Algarve; ceviches; tártaros; carpaccios; pratos para partilhar (tábuas de queijos ou amêijoas ao bulhão pato); saladas; pastas ou risottos. Nas carnes, os destaques vão para lombo e entrecôte maturados, e nos peixes lombo de atum grelhado ou bacalhau à lagareiro. As sobremesas não ficam esquecidas e Luís Ascensão, Chef de Pastelaria, propõe bolo de mousse de chocolate com sorvete de cerejas “Cova da Beira” ou mousse de rosas com lichias e sorvete de framboesa. Tudo bons motivos para dar início a uma refeição que se previa memorável.

Para começar, o responsável de sala sugeriu-nos dois cocktails sem álcool, também da nova carta do bar do hotel – o Uptown Bar. Provámos o Stick to the trick e o Pear affair billionaire: o primeiro é um mix entre o Virgin Mary e o Bloody Mary e resulta numa combinação complexa e interessante de sumo de tomate, cenoura, pimento, vinagre balsâmico e sumo de lima. Leva ainda espuma de pimento verde e um toque de pimenta.
O outro, mais simples mas não menos saboroso, é uma mistura de pêra natural, manjericão, gengibre, lima e limão. Perfeito para refrescar e dar início ao jantar.

Como entrada, optámos pelo ceviche de atum de São Miguel com molho tigre, abacate e agulhas do mar (11,60€) e pelo tártaro de carapau, gengibre rosa e azeites distintos DOP (11,60€). Não podemos dizer que um é melhor que o outro porque são ambos muito ricos em termos de sabor e texturas. No caso do ceviche, a frescura do atum, a cremosidade do abacate e a evidência dos coentros fazem deste prato frio uma combinação única que convida o palato a descobrir mais. Por sua vez, o tártaro de carapau é mais leve, fazendo-se notar pelo contraste de texturas de todos os ingredientes. Destaque também para a apresentação irrepreensível de ambos.  

De seguida, os pratos principais. Existindo um Josper, que é um forno a carvão que confere um sabor inconfundível aos alimentos, não resistimos e quisemos experimentar. Escolhemos o lombo maturado (22,20€) acompanhado com molho chimichurri e courgette frita com aioli de tomate, e o entrecôte maturado (22,80€), guarnecido com molho béarnaise e chips de batata doce com vinagre de mel e sal de Rio Maior. Não há muito a dizer: absolutamente delicioso. É incrível como é que o Josper preserva todos os sucos da carne e mantém a textura pretendida. Nem mais nem menos: Perfeito.
As guarnições, ainda que não tenham o mesmo protagonismo que a carne, também estavam muito bem confeccionadas e mostram ser companheiras ideais para as peças em questão.

Por fim, as sobremesas. A equipa do Akla tomou a liberdade de nos preparar uma trilogia composta por bolo mousse de chocolate e sorvete de cerejas “Cova da Beira” (8,60€), biscuit de pistácio, mousse e sorvete de alperce (7,40€) e mil folhas de baunilha, frutos vermelhos e sorvete de morango (7,60€). Que maravilha. Nestas três opções, a preferência recai sobre o mil folhas, pela textura leve e quebradiça da massa folhada em contraposição com a cremosidade da baunilha. Os frutos vermelhos e o sorvete espevitam o paladar com a sua frescura e acidez.
O chocolate é realmente chocolate e quanto a isso não há nada a fazer (e ainda bem). Os verdadeiros amantes de chocolate vão delirar com esta sobremesa, caracterizada pelo perfil denso, forte e constante. Mais uma vez, o sorvete ajuda a equilibrar os sabores. E finalmente, o biscuit, que não sendo mau, é o que menos se evidencia por entre todas as sugestões, apenas e somente pelo carácter mais vincado dos outros pospastos.
Ao longo desta viagem, os vinhos que nos acompanharam foram Quinta do Valdoeiro Chardonnay de 2014 (Bairrada); Monte Mayor Reserva de 2013 (Alentejo) e Burmester Tawny Porto 10 anos.

Parece-lhe um menu para turistas? Claro que não. As opções são variadíssimas e vale mesmo a pena ir ao número 149 da Rua Castilho, bem no centro da capital. Este novo Akla, que respira culturas gastronómicas distintas, é uma lufada de ar fresco na restauração da cidade e promete aguçar a curiosidade dos portugueses, que até então fecharam os olhos aos ditos “restaurantes de hotel”.

A mestria do Chef Eddie Melo, que conta com largos anos de experiência em cozinha, aliado à escolha de ingredientes locais que todos conhecemos e outros mais inusitados, não descurando as técnicas e métodos utilizados, elevam qualquer um dos pratos a um nível muito superior. Aprovado e recomendado pela RDB.

Localização:
Rua Castilho, 149, Lisboa
Telefone: 21 381 8700

Horário de funcionamento:
Aberto todos os dias
Almoço –  12H00 – 15H00
Jantar – 19H00 – 22H30

Fotografia de Ricardo Freire Mateus



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