“América Proibida”

“América Proibida”

Um filme pintado a Preto e Branco

“Eu tenho o sonho de ver os meus filhos julgados pela personalidade, não pela cor de sua pele”.

O sonho de Martin Luther King metaforizado num argumento poderoso, que eleva o preconceito racial ao extremo. “América Proibida” adquiriu o estatuto de clássico moderno, numa das grandes películas do final dos anos 90.

O filme de Tony Kaye aborda à flor da pele – é indiferente se branca ou negra – sentimentos distintos como o ódio, preconceito, humilhação e arrependimento. Uma questão racial que toca os dois extremos e historicamente sensível para os Estados Unidos da América, com focos e raízes em todos os pontos do planeta. É, por isso, uma obra que provoca o espectador, ética e moralmente.

Talvez por isso, e muito mais, mereceu diversas críticas de vários quadrantes. Defenderam o seu cariz nacionalista e apregoaram o seu espírito anti nazi. Discordo de ambas as teses. Enquadro-o num prisma racional e socialmente desafiador, um dos maiores poderes cinematográficos.

Edward Norton evidencia-se perante Hollywood e o mundo cinematográfico, através de uma personagem (Derek) que lhe outorga consistência e densidade como actor. Depois de se apresentar ao mundo de forma precoce com “A Raiz do Medo” (“Primal Fear”), que lhe valeu uma nomeação para melhor Actor Secundário, Norton garante a nomeação para Melhor Actor Principal. A estatueta foi entregue a Roberto Benigni, pela prestação em “A Vida é Bela”.

Um ano depois junta-se a David Fincher, Helena Bonham Carter e Brad Pitt em “Fight Club”, uma obra-prima de referência.

Além da admirável ascensão de Edward Norton, “América Proibida” é condimentada por Edward Furlong e Beverly D’Angelo.

O conflito racial violento que alimenta o argumento de “América Proibida” é aprofundado pelo notável trabalho da direção de fotografia. O revezamento entre as cenas a cores e a preto-e-branco assumem particular relevância na película, num toque aprazível de sensibilidade e intensidade.

Durante a rodagem, a obra como a conhecemos sofreu diversas alterações, numa clara infidelidade ao argumento original, incentivando o cepticismo.

No que nos diz respeito a nós, portugueses, sobram elogios para a tradução do título, cativador e bem conseguido. Uma raridade.



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