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Anda Estragar-me os Planos

E eu nem gosto de dançar.

Não sou um fã do festival da canção da RTP mas confesso que os moldes que começaram a ser seguidos na edição de 2017 trouxeram muitas melhorias. Deram hipóteses a que um punhado de artistas nacionais que fervilham de talento (uns mais consagrados do que outros) pudessem mostrar aquilo que sabem a um público mais vasto e que, de outra forma, provavelmente nunca os iriam escutar (ou ver).

Um exemplo perfeito disso foi a canção escrita e composta pela Francisca Cortesão e pelo Afonso Cabral e interpretada pela Joana Barra Vaz. São quase 3 minutos deliciosos. Os Minta & The Brook Trout da Francisca e os You Can’t Win Charlie Brown do Afonso estão lá mas há algo mais. Naqueles acordes, naquelas notas, naqueles arranjos que arrepiam e acima de tudo naquelas palavras que a Joana Barra Vaz toma como suas enquanto as canta. São palavras tão simples e que dizem tanto sobre nós ao mesmo tempo. Sobre quem somos e o que passamos grande parte do tempo a fazer.  Sobre aquilo que muitas vezes está à nossa frente e nem nos apercebemos. Porque muitas vezes, estamos secretamente à espera de um empurrão (e muitas vezes nem nos apercebemos dessa necessidade) e enquanto ele não acontece, deixamo-nos perder no dia-a-dia, mergulhados na rotina, em “serões serenos, tardes tontas, manhãs mecânicas”. Quem não? Mesmo que lá no fundo saibamos que estamos à espera que nos tirem “os livros da ordem certa” ou nos deixem “a janela do quarto aberta”. Sempre à espera de alguém que nos troque “o passo”.

Esta canção podia ser sobre qualquer um e é isso que a torna especial.

Não faço ideia se esta canção irá vencer o festival e sinceramente pouco me importa, porque aquilo que é realmente importante, ela já conseguiu fazer. Levar-me a mim e a muitos mais pessoas, a escutá-la e a abraçá-la por aquilo que ela é: uma magnífica canção.

E eu nem gosto de dançar.



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