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Avulsa Cénica #5

Folhas de Outono, uma escolha

–  ‘Comunidade’, de Luiz Pacheco na Sala Estúdio do Teatro Nacional D.Maria II (TNDMII), com Maria Duarte, Gonçalo Ferreira de Almeida, Francisco Goulão e João Rodrigues.

–  O teatro latino romano tão esquecido dos nossos palcos volta com o ‘Anfitrião’ do Plauto pelo João Mota.

–  O director do Festival Materiais Diversos, Tiago Guedes volta à criação e apresenta a nova peça ‘Hoje’ e a reposição do seu importante e celebrado trabalho ‘Materiais Diversos’, também do trabalho de estreia ‘Um Solo’ e da peça para os mais novos, ‘Matrioska’. No Teatro Nacional S.João (TNSJ), no TNDMII e na Culturgest.

–  O Teatro Praga apresenta em 2014 a sua versão da revista à portuguesa ‘Tropa Fandanga’, no TNDMII.

–  ‘The Homecoming’ no original, O Regresso a Casa, com o também regresso de João Perry aos Artistas Unidos, para ver no TNDMII. Encenação de Jorge Silva Melo.

–  Nuno Carinhas a norte, revisita um texto-chave do séc.XX, ‘Ah, os Dias Felizes!’ de S. Beckett, desta vez com Emília Silvestre em Winnie, depois de Glicínia Quartín, Teresa Gafeira, Fernanda Montenegro, Natasha Parry, Raquel Dias e Lia Gama já terem passado por palcos nacionais com a mesma personagem nas últimas temporadas.

–  No Maria Matos gostava de ver dois espectáculos musicais, a mítica June Tabor, já agora no final de Setembro, dia 25; e a americana Julianna Barwick com o seu terceiro album ‘Nephente’, que é um sortilégio de delicadeza na escrita que canta. Gravado na Islândia.

–  Ali ao Cais do Sodré, os Primeiros Sintomas, sediados no Espaço Ribeira acabam de estrear ‘O Retrato de Dorian Gray, 1ª parte’ de Oscar Wilde, depois do magnífico ‘Salomé’do mesmo autor. Encenações as duas de Bruno Bravo, e logo a seguir na mesma sala a estreia em Novembro de Sara Carinhas na encenação com um trabalho à volta de ‘As Ondas’ de Virginia Woolf.

–  Outra das companhias mais estimulantes de Lisboa, a Mala Voadora, comemora os seus 10 anos no Maria Matos com várias iniciativas agendadas, para além da estreia de um novo espectáculo ‘Paraíso 1’. Mala Voadora que se prepara para abrir um novo teatro no Porto, desenhado de raíz pelo arquitecto/cenógrafo José Capela, co-fundador do grupo. Notícia rara esta de espaços que abrem.

–  O Teatro Praga também abrirá o seu novo espaço DNA. A celebrar.

–  Ainda em maré de comemorações, a festa dos 40 anos da Cornucópia na noite de 13 de Outubro, com um vasto programa de filmes raros (um inédito de José Álvaro de Morais, outro de Joaquim Pinto, por exemplo), música e tempo de antena disponível para quem quiser prestar a sua homenagem à companhia. Em Outubro também a estreia naquela casa do truculento e tão pouco representado entre nós, Eugéne Labiche, ‘4 pochades’.

–  Muita curiosidade também pela nova criação de Elizabete Francisca, ‘Tsunamismo’, particular e bela artista.

–  ‘A Grande Sombra Loira’ espectáculo que toma a produção poética de Florbela Espanca como referencial, estreia no Negócio da ZDB, lançando assim para os meandros da autoria, Tiago Barbosa, actor já experimentado.

–  Na Comuna um clássico da dramaturgia do séc. XX, ‘O Inimigo do Povo’ de Ibsen, pela mão de Álvaro Correia, a comparar com o mesmo Ibsen pelo Ostermeier produzido há pouco tempo na Alemanha. Em termos de comparação será ainda interessante ver o ‘As You Like It’ do Shakespeare na leitura de Beatriz Batarda depois do mesmo texto encenado o ano passado, pelo acima citado Álvaro Correia, coincidências.

–  No Porto estejam atentos ainda a duas novas formações que prometem espectáculos exigentes para esta temporada, a Público Reservado de Renata Portas e a OTTO de Luís Araújo e Ricardo Braun. Artistas que não costumam fazer concessões.

–  Um pouco mais a norte o magnífico trabalho que João Pedro Vaz vem a fazer nas Comédias do Minho, projecto possível pela vontade popular e municipal de 5 concelhos raianos: Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira. Entra na temporada com um Yeats, e isso diz logo da exigência da proposta. A não perder.

–  Voltando a Lisboa, manter o olhinho em cima das propostas dos Sillyseason, Há-Que-Dizê-Lo, Medalha d’Ouro, Mariana Tegner Barros, Bomba Suicida (o novo trabalho do coreógrafo e bailarino Luís Guerra está aí a estoirar), Os Possessos, Diniz Machado, entre outros.

–  Para terminar, aguarda-se com grande expectativa a programação a ser anunciada em Novembro pelo recém-regressado Paolo Pinamonti, agora como consultor artístico em S.Carlos, talvez para salvar o teatro do desnorte e da falta de perspectivas onde se atolou nos últimos anos, por incompetência política.

 

Texto de Miguel Loureiro
Ilustração de Sara Pazos

Crónicas anteriores: #1 Après-midi de uma prótese / #2 Beberetes / #3 Nuances primaveris / #4 Fim de Temporada

 

 



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