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Tradição Oral Contemporânea

Documentário de Tiago Pereira e Bfachada. Estreia na ZDB a 9 de Janeiro.

Tiago Pereira é o realizador do documentário Tradição Oral Contemporânea e Bfachada, o emissário citadino que tenta levar um pouco da música que se faz na cidade e demonstrar que esta é parecida com a que se cantava, e ainda se canta, nas aldeias portuguesas.

Durante algum tempo, os dois procuram pelas aldeias esquecidas de Portugal, nomeadamente ali por Trás-os-Montes, recuperar a tradição oral em forma de música. Tiago achou que conhecia as músicas de Bfachada desde sempre, e Bfachada que faria sentido irem os dois recolher as músicas tradicionais de sempre e aproveitar para levar um pouco da música que se faz na cidade.

O resultado é aproximadente uma hora de conversas de Bfachada com a sua guitarra a tentar recolher as músicas que compõem o cancioneiro tradicional. Em diálogo com as pessoas, quase todas idosas, que vai encontrando pelo caminho e que com ele querem partilhar música.

À lareira ou no campo, partilham outras formas de estar na música e aproximam a vivência citadina ao imaginário rural, à desgarrada.

Uma abordagem interessante que melhora quando Bfachada se interroga sobre as fronteiras da world music e o querer musuealizar a música que se pensa ter feito e que deve ficar quieta, só porque não já não a entendemos ou a fazemos assim.

Serve também como mostruário do imaginário do cantautor de Cascais, um trovador da modernidade que se interroga pelo amor, mas também pelas estâncias com que actualmente se legitima a cultura, a música e se relega a tradição para segundo plano.

Momento alto do documentário dá-se quando Bfachada interpreta o tema «Tradição» em vários locais do Festival Andanças, quase como protesto contra o emoldurar de tradição, feito para gente que há muito se encontra distante da ruralidade e das tradições comunitárias do campo.

Pena seja que tanto o realizador como o próprio Bfachada não se tenham deixado levar mais pelo que advém das conversas com os velhinhos que foram encontrando no caminho e que não tenham sido mais ambiciosos na recolha efectiva das músicas. Talvez daí pudessem resultar mais projectos, ambiciosos e que poderiam trazer, aí sim, o campo até à cidade.

Percebe-se que tanto Tiago Pereira, documentalista que se dedica maioritariamente ao seu trabalho de realização, a recolher música tradicional em vídeo, por Portugal fora como Bfachada, cantautor lisboeta, tenham por ambição levar ao campo a tradição oral contemporânea e demonstrar que a feitura da música de Bfachada e da D.Adélia sejam semelhantes.

No entanto, pecam por não manterem as devidas distâncias; a música reflecte também o quotidiano que se vive e, apesar de no campo e na cidade se cantar esse quotidiano, as características não são as mesmas, porque o meio é diferente.

Dê por onde der, vale a pena ir à Galeria Zé dos Bois no próximo dia 9 e ver a exibição do documentário “Tradição Oral Contemporânea” e, de seguida, assistir ao concerto de Bfachada.



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