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“Being Flynn”

Um filme baseado numa história verídica que, se não o fosse, seria-o certamente.  Esta é a premissa da obra de Paul Weitz

“Being Flynn” trata-se de um filme de 2012, dirigido por Paul Weitz (reconhecido por realizar alguns filmes da saga “American Pie”). Protagonizado por Robert De Niro, Paul Dano e Julianne Moore, e baseado na obra literária de Nick Flynn denominada “Another Bullshit Night in Suck City”, “Being Flynn” está a ser rotulado como filme independente o que, se por um lado aumenta a procura por parte de um certo número de entusiastas, por outro afasta o grande público médio.

Esta obra conta-nos a história de Jonathan Flynn (Robert De Niro), um escritor amador que se congratula por cada palavra que escreve, considerando-se um dos maiores escritores da história dos Estados Unidos da América, e de Nick Flynn (Paul Dano), que perdeu a sua mãe Jody (Julianne Moore) e nunca manteve uma relação com o seu pai, o desnaturado e desvairado Jonathan.

No decorrer da trama somos introduzidos num mundo tão real como o que vivemos, e apercebemo-nos de que a relação de Nick e Jonathan, embora quase inexistente, é de uma complexidade singular. Jonathan, para além de escritor amador, é condutor de táxis a nível profissional o que, aos seus olhos racistas e preconceituosos, tudo o que faz, todo o azar que tem na sua vida, não passa de uma experiência necessária para enriquecer as suas obras literárias. Por outro lado, é-nos apresentado Nick Flynn, um jovem que a única coisa que herdou do pai foi a paixão pela escrita. Contudo, Nick, não encara a sua vida como um teste, mas sim como uma oportunidade de realização, quanto mais não seja, pessoal. É neste ponto que decide encarar a oportunidade de trabalhar num local de apoio aos sem-abrigo. Estas duas vidas, aparentemente desprendidas de qualquer ligação, colidem quando Jonathan, mais uma vez pela sua excentricidade, perde o seu emprego e, pela primeira vez em anos, contacta o filho que, após grande admiração, prontificasse a ajudá-lo.

Paul Weitz, assumindo também a adaptação para argumento do livro de Flynn, tornou esta obra tão real e consistente como as interpretações dos seus principais actores. O aclamado e genial Robert De Niro já precisava de um filme que fizesse jus à sua expressividade e puxasse pela sua capacidade dramática. Paul Dano, um jovem actor, que apesar dos seus 28 anos já tem no seu curriculum alguns dos filmes mais badalados dos últimos tempos, tem aqui uma interpretação mediana, talvez sem aproveitar, ou deixando-se intimidar, por uma actuação mais do que positiva de De Niro. Não nos podemos esquecer da veterana Julianne Moore que tem aqui um papel secundário, mas sempre presente em toda a trama; só alguém como Moore conseguiria desenvolver uma actuação tão singular sem se tornar ruído para quem observa este filme.

Em suma, “Being Flynn” ou, em português: “Mais uma noite de merda, nesta cidade de treta”, é um excelente drama onde só encontraremos alguma comédia na loucura de Jonathan Flynn, e que se aproximará, sem dúvida, do quotidiano não próximo, mas bastante distante, de qualquer espectador. É certo que há quem considere esta obra um pouco enfadonha, porém temos que ter em conta que é de realidade que falamos, de realidade crua e, sem dúvida, a nossa vida não tem assim tanta animação. “Being Flynn”, indubitavelmente, um filme a ver.



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