rdb_birdsonwire_header

“Birds on the Wire”

O vídeo brasileiro do YoutubePlay 2010.

Um conjunto de acasos deu origem a um dos maiores fenómenos do ano da graça de 2010. Paulo Pinto tirou a fotografia, Jarbas Agnelli viu-a e tocou-a. A fotografia deu origem a um vídeo e o vídeo a um fenómeno. “Birds on the Wire”, uns tocantes 85 segundos, é finalista do YoutubePlay.

Numa altura em que o mundo gira cada vez mais rápido – até a mãe natureza (leia-se terramotos, entre outras catástrofes naturais) já trata de encurtar os dias -, torna-se imperativo que a mente humana crie filtros que lhe permitam acompanhar a velocidade de um mundo cada vez maior. O YoutubePlay é um desses filtros – entre milhares de vídeos, sobram, neste momento, os 25 finalistas. 25 porquê? Porque é um número que ainda nos permite dar conta do recado. Somos capazes de ver 25 vídeos, mas, a não ser que dediquemos um bom tempo a esta causa, somos incapazes de ver 100 e perturba-nos pensar em 50. Os critérios do Youtube Play são simples: género, tecnologia, currículo (tradução livre de “background”) e orçamento. Entre os 25 vídeos finalistas destaque-se a presença dos sul-africanos Die Antwoord – a coisa mais chocante via África do Sul, desde que França e Itália foram eliminadas logo na primeira fase do último Campeonato do Mundo – e o vídeo intitulado “Birds on the Wire”, o foco desta entrevista com Paulo Pinto, o responsável brasileiro pela fotografia desta montagem. Jarbas Agnelli – músico e publicitário – é responsável pela música e a outra metade da equação.

Primeiras questões: De quem foi a ideia para o vídeo?  Como surgiu? “A ideia do vídeo foi do Jarbas [Agnelli], ele se impressionou com a repercussão da matéria que o jornal fez a respeito da sua criação musical, a partir da foto”. A foto a que Paulo Pinto se refere, foi publicada no O Estado de São Paulo, no dia 27 de Agosto de 2009. A sinopse é, aliás, feita pelo próprio Jarbas Agnelli: “Lendo o jornal de manhã me deparei com uma foto de pássaros nos fios. Recortei a foto e decidi compor uma música, usando a exacta posição dos pássaros como notas.” Depois de se deixar surpreender com a foto, Agnelli investiu no contacto. Já se conheciam? “Não conhecia o Jarbas”, afirma Pinto. E acrescenta: “O nosso primeiro contacto foi por telefone e fomo-nos conhecer pessoalmente na redacção do Estadão, na qual demos uma entrevista para a TV Estado – pode ser vista aqui (Link em baixo).

É uma fotografia bela e inspiradora, mas que poderia ter sido tirada em qualquer lugar. Pinto explica onde e como a tirou: “Durante minhas férias em Santana do Livramento. Após um almoço na casa de meus pais, vi uns pássaros em uma árvore com galhos secos e céu azul. A cena era muito Linda. A minha mãe observando eu [a] fotografar esses pássaros, comentou  que um vizinho todo o dia dava de comer aos passarinhos na frente de sua casa. Aceitei a ideia e fomos  até ao vizinho”. Mas a ideia original do fotógrafo não coincidiu com o resultado final: “A minha ideia era fotografar ele [o vizinho] dando de comer aos passarinhos, imaginava aquele bando de pássaros comendo na sua mão. Ao chegar ao local, mudei de ideia ao ver os passarinhos que esperavam comida, pousados nos fios eléctricos.   Aquela imagem, no meu primeiro ponto de vista, me remeteu a uma partitura musical, já que eram cinco fios, igual a uma pauta. Mesmo em férias passei a foto para o jornal como sugestão para a [secção] “Cenas da Cidade”.  Falei com o editor Armando Fávaro e ele gostou da foto, publicando-a  dias depois.”

Fotografia e Música são duas formas de arte muito íntimas. Perguntámos a Paulo Pinto, qual a sua relação com a música. “Gosto muito de música clássica, especialmente óperas. Actualmente toco saxofone e como consequência aprendendo a ler partituras”. Recentemente, Lou Reed esteve em Portugal e, numa palestra no Estoril Film Festival, referiu que “Fotografar é o mesmo que fazer música”. O fotógrafo comenta a afirmação do ex-músico dos Velvet Underground: “Concordo plenamente e ainda acrescento [com] o que diz o artista da vanguarda russa, Wassily Kandinsky: «As cores são as chaves, os olhos o machado, a alma é o piano com cordas. Se a imagem tivessem música, qual seria?»” Questionado relativamente às expectativas que o duo teria antes do vídeo se tornar no fenómeno que é hoje, Paulo Pinto confessa: “não esperava que o vídeo se tornasse no fenómeno que é hoje”. E relativamente a expectativas profissionais, abrem-se novas portas? “Profissionalmente falando não vejo por esse ângulo, já que o meu forte é o fotojornalismo, mas admito que os contactos aumentaram”.

“Birds on the Wire” já foi visto por mais de um milhão de pessoas. É, na nossa opinião, o mais brilhante dos 25 vídeos – pode ser visto – assim como os restantes 24 – e votado aqui (Link à direita).



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This