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Bobby Cassidy: Counterpuncher

Um documentário sobre o famoso pugilista que nunca ganhou o título mundial num discurso directo entre a infância desoladora e o potente contra-ataque esquerdo que lhe deu a fama.

Bobby Cassidy poderia ter sido o maior pugilista de todos os tempos, a sua principal característica era um contra-ataque com o punho esquerdo que deixava os oponentes incrédulos garantindo-lhe as muitas vitórias que somou. Nunca conseguiu lutar pelo título mundial, nunca o deixaram. O boxe era um desporto marginal, embora extremamente popular na década de 60 e 70, mas a corrupção era imensa e muitos dos combates eram quase encenados e pagos para dar a vitória a um dos pugilistas. Bobby Cassidy é um homem que não se deixa intimidar e conta-nos que a sua única hipótese de sobreviver era lutar.

Toda a raiva que acumulou na infância devido a uma mãe alcoólica revelou-se no ringue quando combateu profissionalmente pela primeira vez, sem sequer ter estado num torneio amador. Mas o boxe é também um desporto corrupto e cedo aprende a defender-se utilizando os punhos e o olhar intimidante, a dor era uma terapia. Apesar de tudo, Cassidy é um alegre sénior com dois filhos que educou da melhor forma que pôde e no documentário ambos estão gratos ao pai que tiveram. Claro que os tempos são outros, mas como poderá um homem violento educar pacificamente uma criança? Esta questão é subjectiva e o documentário não nos deixa formular questões éticas, mas o relato do ex-pugilista é importante para compreender o ritmo das ruas nas décadas de 60, 70 e 80.

Bobby Cassidy nunca mais fez outra coisa na vida sem ser dar uns valentes socos, e isso foi o que o salvou. A raiva que acumulou na sua infância explode pacificamente no ringue e essa é a melhor terapia. Num filme que é compacto e nunca contemplativo, Bruno de Almeida sabe encadear a conversa sem nunca parar para desvios éticos e questões metafísicas que muitas vezes  populam os documentários contemporâneos. Essa mestria, que é apenas uma forma crua de filmar, faz de Counterpuncher um documento de interesse social, não só para os aficcionados do desporto mas também para todos os que se interessam pela história recente, um período que não é só marcado pela música e as revoltas sociais. Um retrato de um boxe que é mais um negócio que um desporto, sem amarguras nem ressentimentos, contado por um homem que ainda hoje mantém a sua forma física tal como mantém a sua ética e perseverança.

“Bobby Cassidy: Counterpuncher” está em exibição nos cinemas King, em Lisboa, e Cinema Campo Alegre, no Porto



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