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Chorar e Secar

Duas mulheres, dois monólogos.

Duas mulheres, duas cadeiras, uma mesa, dois monólogos. Não há conversa em cena. O diálogo não existe. À primeira vista, pois na vida real estes monólogos cabem muito bem naquela conversa que eu ou tu ou aquele ou o outro temos com alguém.

Os lábios (de vermelho pintados) contam-nos duas estórias de vida, de adaptação ao mundo. Estórias contadas na primeira pessoa, aliás, nas primeiras duas pessoas que são as actrizes Anabela e Margarida Moreira. Vive-se nesta peça um interessante jogo de diferenças e semelhanças com a particularidade das actrizes serem gémeas. Esse é um dos pontos de união entre estas duas mulheres que, segundo o autor Fernando Villas-Boas, não se conhecem.

Conversámos com Raquel Dias, a encenadora, que nos falou da origem da peça. “Este texto foi uma encomenda que fiz ao Fernando, há já algum tempo. Mas ficou na gaveta, pois era um projecto para se ir fazendo”. A oportunidade de trabalho e parceria entre o Teatro Turim e a Voz Humana fizeram com que “Chorar e Secar” ganhasse corpo para ver a luz da estreia no passado dia 3 de Novembro.

Raquel Dias falou-nos, ainda, da forma convencional, mas eficaz, do processo de encenação e salientou o espírito de generosidade da equipa envolvida neste projecto. O teatro é um espaço onde a generosidade é comum e contagiosa (no bom sentido).

“Chorar e Secar” é uma peça sobre a dor. As dores de todos nós. E todos nós temos dores, ainda que as sintamos de forma diferente. O texto de Villas-Boas evoca essa semelhança e diferença, num cenário circunstancial de encontro entre duas mulheres. Mulheres decorativas, mulheres antagónicas, mulheres que procuram, mulheres que se acomodam. Mulheres que usam a máscara para fora e para dentro, vivendo a ilusão e a auto-ilusão, como quem se maquilha à pressa, para não chegar tarde àquele encontro.

O teatro pode muito bem ser definido como um convite à entrada num outro plano de existência. Até dia 27 de Novembro, o Teatro Turim convida-vos a entrar na existência confessional de Mena e Luísa.



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