Clarice-Falcao-Famous-Fest

Clarice Falcão @ Famous Fest (29.09.2017)

A sétima edição do Famous Fest, que decorreu na área do LX Factory, abriu oficialmente com a actuação de Clarice Falcão, que regressou a Portugal para nos deliciar com as canções de “Monomania” e “Problema Meu”, os seus registos de estúdio até à data.

Clarice aterrou em Portugal ladeada “apenas” pelo guitarrista João Erbetta, algo que justificou humoristicamente como sinal da crise económica. Tal facto obrigou-a a responsabilizar-se pela percussão, pela primeira vez na carreira. No entanto, para alívio da própria, tal função limitou-se a três temas. Tendo em conta que Clarice é normalmente acompanhada por uma banda completa, o espectáculo acabou por ganhar contornos de desafio, como é timbre de todos os que pontificam usualmente no Famous Fest. Para além da caixa e timbalão, a protagonista da noite também se ocupou do pandeiro em «Marta», e da harmónica durante «O Que Eu Bebi». João Erbetta, para além da ininterrupta presença na guitarra eléctrica, dedicou-se também a coros e demais vozes, como o caso daquelas que participam nos discos.

Para quem presumiu que Clarice embarcou pela música aproveitando a fama dos seus papéis na Porta dos Fundos, desengane-se. Além de todas as outras artes a que se dedica, a sorridente brasileira é dona de uma voz bem capaz e que nunca desiludiu na interpretação ao vivo, sem rede, dos temas. Além da métrica digna de battle rapper que exibiu em «Capitão Gancho». E tudo flui com uma facilidade que é quase impossível alguém adivinhar que ao todo foram entoadas 22 canções, mesmo tendo em conta que alguns são mais curtos que aqueles que eram criados pelos Ramones. E quando algum excerto da letra lhe escapou, prontamente o público, que preencheu na totalidade a bancada ad-hoc instalada no antigo armazém, entrou em cena para a auxiliar. Foram diversas as músicas em que a plateia acompanhou praticamente da primeira palavra até ao ponto final, cantarolando com um sorriso as letras sempre divertidas e irónicas sobre as desventuras amorosas e episódios rocambolescos do quotidiano de Clarice. «Eu Me Lembro», com João Erbetta a cantar pela vez de SILVA, «Oitavo Andar» ou Monomania» são exemplos máximos disso mesmo.

Apesar de não ser a primeira vez em solo português, Clarice Falcão mantém um ar genuíno de surpresa ao deparar-se com as reacções vindas das bancadas, o qual vai misturando com o ar de boa disposição. É bom que regresse mais assiduamente para se acostumar melhor às boas vibrações, que neste caso são inegavelmente recíprocas.
Alinhamento

– Irónico
– Eu Escolhi Você
– Eu Esqueci Você
– Vinheta
– Essa É Pra Você
– Se Esse Bar Fechar
– Talvez
– Capitão Gancho
– O Que Eu Bebi
– Marta
– A Volta do Mecenas
– Robespierre
– Eu Me Lembro
– Banho de Piscina
– Eu Sou Problema Meu
– Clarice
– Monomania
– Macaé
– Oitavo Andar (Uma Canção Sobre o Amor)

(encore)
– Survivor (Destiny’s Child cover)
– Vagabunda
– Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?



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