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COMICS NA TV

Exemplos concretos de potenciais adaptações para TV de comics esquecidos

Esqueçam as adaptações dos 70s  do Incrível  Hulk com Lou Ferrigno “on steroids” , ou do Homem-Aranha qual pescador atirando redes que supostamente deveriam ser teias, sem falar das adaptações mais obscuras como o Capitão América versão motard, ou Dr. Strange  mais semelhante a um franciscano do que ao famoso mestre das artes místicas. No caso da Wonder Woman…bem, podemos fechar os olhos sempre era a Linda Carter no seu prime.

As décadas que se seguiram não foram muito melhores, particularmente  os 90s com o Flash , um tipo num fato com músculos moldados e inimigos como um Mark Hamill apalermado, ou Lois and Clark – a super novela.  Smallville será a excepção , mas muito longe daquilo que os comics significaram para o cinema nesta primeira década do séc. XXI.

Os comics foram nos 00s o “novo” filão de blockbusters . Todos os  estúdios detentores de direitos sobre personagens ( nomeadamente da Marvel e DC) apressaram-se a limpar o pó dos argumentos guardados nas gavetas há anos , para que não perdessem o bandwagon.

Apesar do sucesso destas adaptações para cinema não deixa de ser notório o esforço de tentar introduzir anos de continuidade em filmes cuja duração não supera normalmente as duas horas. Esta sobrecarga de informação leva a que não seja possível desenvolver convenientemente os personagens, e no caso das narrativas o que visualizamos são versões amputadas de elementos essenciais contidos no formato original em comic. Estes factores são geralmente percepcionados não só pelos fãs dos personagens, mas também pelo publico de cinema comum.

Com as recentes noticias da Marvel que irá lançar já  em 2011  Thor e Captain America  e em 2012 os Avengers , que funcionará como crossover dos filmes dos últimos anos, podemos dizer que as adaptações de comics para o cinema atingiram a maioridade, estando provavelmente na altura de passar o testemunho a outro media.

A televisão tem nos últimos anos conseguido regenerar de forma muito criativa o conceito de série de TV,  sendo que esse será provavelmente o melhor veículo de adaptação para comics. A longevidade de uma season adequa-se ao conceito de “story arcs”  que foram vulgarizados nos comics , a própria linguagem narrativa que tem sido introduzida em séries como Lost, Heroes, Flashforward  é muita próxima da dos comics (ao qual não é alheio o facto dos argumentistas escreverem também para algumas destas séries).

A principal limitação que as adaptações para TV enfrentam são as orçamentais, que não obstante os avanços tecnológicos, ainda são dispendiosas de realizar. Principalmente em personagens que estão muito próximo do imaginário colectivo e em que qualquer desvio é escrutinizado até ao mais ínfimo pormenor.

Os 80s têm sido uma fonte inesgotável para a generalidade da cultura no meio áudio visual. No entanto, alguma pérolas permanecem ocultas nomeadamente nos comics de culto que merecem ver a luz do dia. Graças a este status os exemplos que se seguem, podem ser adaptados de forma mais liberal dado não serem títulos demasiado populares, não deixando de ser compostos por temática apelativa ao publico de massas.

Passando então a  exemplos concretos de potenciais adaptações para tv de comics esquecidos :

Strike Force Morituri – We who are about to die –  publicada pela Marvel entre 1986 e 1989 :

A premissa desta série apesar de recorrente contém um twist que a torna única. A acção decorre num futuro não muito distante (2069) e após uma invasão extra terrestre, a resistência dos humanos decide criar uma força especial para combater os invasores,( e aqui temos o twist) , consubstanciada num programa em que são atribuídos  aos candidatos superpoderes nunca idênticos entre si,( digamos que cada um terá propensão para um determinado poder , assim como não existe um ser humano igual a outro).  No entanto, este programa  reduz a longevidade do hospedeiro para um ano. Os sujeitos  sabem que ao candidatarem-se  estão a assinar a sua sentença de morte, daí o título ser uma clara alusão aos gladiadores do império romano.

Esta série já foi por diversas vezes alvo de tentativa de adaptação, no entanto desacordos entre o criador original Peter Gillis e a editora Marvel  , não permitiu chegar a um acordo. Curiosamente a adaptação para TV previa aumentar a esperança de vida dos nossos heróis de um para cerca de 3  anos   (provavelmente para que os actores se mantivessem por mais do que uma season), por esse facto o título previsto para a potencial série de TV tinha a designação de – A Thousand Days.

Camelot 3000:

Esta maxi série de 12 números desenhada pelo britânico Brian Bolland, foi publicada  entre 1982 e 1985. Com uma estrutura base de argumento muito próxima da anterior (invasão alienígena), mas desta vez a acção centra-se em Inglaterra no ano 3000. A profecia de que o Rei Artur regressaria quando a Inglaterra mais necessitasse concretiza-se  , reencarnando com ele os vários personagens arturianos. Num dos casos   Sir Tristan, reencarnado como mulher coloca-o(a) num terrível dilema quanto a sua relação com  Isold  , também reencarnada como mulher

Esta  versão alucinada das lendas arturianas para além das potenciais controvérsias que gera com a desconstrução do mito, é uma aventura que nos consegue envolver e que apesar de englobar apenas doze números , tem matéria prima para “esticar” a narrativa por algumas seasons.

Marvel New universe

Neste caso não estamos perante apenas um título de comics mas de uma linha editorial autónoma da principal continuidade da Marvel. Os oitos títulos que a compunham foram lançados em simultâneo em 1986, sendo este projecto coordenado pelo editor Jim Shooter. A série foi muito inovadora para a época dado tentar uma abordagem “realista” dos super-heróis. Alguns pormenores interessantes como por exemplo o envelhecimento em tempo real dos personagens, o visual mais austero em contraponto ao habitual traje de licra colorida que povoavam (e ainda povoam) os comics de super heróis, são exemplos da originalidade introduzida .

O conceito da série permitia aos leitores seguirem apenas um personagem no seu título, mas se quisessem ter uma perspectiva integral todos os títulos tinham elementos comuns que funcionavam como peças de um puzzle narrativo de proporções muito maiores.

O principal legado desta série reside em dois pontos, o primeiro conforme atrás descrito consiste na combinação de diversas linhas narrativas que contribuem para um todo que se revela progressivamente . Quanto  ao segundo ponto  tem uma relação directa com o argumento de base deste títulos. Neste caso sem revelar muito sobre a enredo, o plot gira em torno do efeito  White Event sobre vários seres humanos que na sequência deste sofrem anomalias genéticas conferindo-lhes super poderes. Este conceito de um evento que despoleta o potencial humano, tem vindo a ser muito explorado na série de TV, Heroes, cujos argumentistas incluem Jeph Loeb, famoso pelo seu trabalho nos comics nomeadamente Batman – the Long Halloween.

Os exemplos atrás descritos, não passam de exercícios sobre possíveis adaptações, existindo inúmeros títulos na BD, com características suficientemente interessantes para merecerem uma série de TV.  O receio em investir em conceitos pouco testados leva a que muitas destas possíveis séries tardem em ver a luz do dia. Esperemos que a evolução tecnológica aliada a alguma maleabilidade que estes heróis menos populares proporcionam, permita-nos usufruir da explosão de  criatividade dos seus autores o mais brevemente possível.



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