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A Cura Negra

Entrevista aos Orelha Negra.

Lembramo-nos da nossa infância, avançamos na idade e a magia começa a desaparecer se, não nos alimentarmos de acontecimentos mágicos. Com a memória, adquirimos a capacidade de consolidar o que queremos evocar. No que respeita à música portuguesa, a memória irá evocar que, no ano de 2010, houve um projecto chamado Orelha Negra que ajudou a mudar o rumo da música portuguesa ou no pior das casos, animou-a.

Em tempos de crise, apareceu este projecto, constituído por músicos de excelência, no panorama musical português. que surpreendeu inesperadamente o público e a critica musical mais exigente.  Razão mais que suficiente, para uma conversa com Samuel Mira, aka Sam the Kid, Cruzfader e Fred Ferreira.

O projecto, segundo Sam the Kid, MC e músico que tem colocado o hip hop tuga em sentido, surgiu da amizade, de cruzamentos, de encontros e desencontros, de jam sessions desprendidas de más vontades,  “a malta foi-se encontrando, fomo-nos conhecendo e o talento natural de cada um foi surgindo. Foi tudo uma questão de vibe”.

Fred, baterista de mil e uma bandas, destaca também que a química foi aparecendo, tendo como origem os beats do Sam,. Depois em grupo, cortavam-se, colavam-se, juntavam-se linhas de baixo, grooves de piano, refrões e as partes de metais. Sam The Kid e Cruzfader, numa autêntico “battle” de respeito, falam, tristemente, do pouco impacto que a música Soul teve em Portugal. A razão apontada foi a falta de edições de álbuns, exceptuando o que Tiago Novo dos Expensive Soul tem produzido.

Os samples e acapellas, partes da musica hip hop, são antepassados que criam memória. Esta, construída a partir da procura da batida perfeita (“Diggin”) é uma das razões da existência dos Orelha Negra que, através da “samplagem”, e agora com a ferramenta Youtube, mais acessível e imediato, reavivam memorias em conjunto com a frescura do presente dos instrumentos dos elementos da banda. Um exemplo disso, segundo Sam The Kid, é a introdução do álbum que reúne várias frases, congregando memorias. A pesquisa, agora mais fácil, ainda dá felicidade e emoção a Sam, como a encontrada quando surgiu o sample de Júlio Isidro para o tema “Saudade”.

Reagir às mudanças é algo que tem uma forte componente irracional, que mexe com os instintos, colocando-nos em situação privilegiada de “Cura” (nome do último single dos Orelha Negra). Apesar de, criar hábitos Soul e Funk nos portugueses, Fred clarifica que essa ambição é demasiado desafiadora. Contudo, o que interessa à banda, é chegar ás orelhas do maior número de pessoas.  O que está a acontecer! Os entrevistados citam os projectos Amália Hoje, Humanos e Muxima (tributo ao Duo Ouro Negro), como sinais de preservação da identidade da música portuguesa, ambição presente no álbum. Revelam igualmente o que depositam dentro das suas “Sleevefaces” (http://www.sleeveface.com/) , com gosto apurado. Escolhas que vão dos Gangstarr e Slum Village, passando por Micheal Jackson e Clash.

O tempo passa, as histórias são contadas,  e acabamos por saber que o nome “Orelha Negra” surgiu de um trocadilho que Sam the Kid escreveu no seu bloco de notas, que integra o nome orelha como órgão auditivo e a música negra (sem qualquer tipo de conotação racial) por si só.  Preparem então os vossos Mp3, CD’s, Discos e, sem pedir licença ou piedade,  os sons negros cheios de groove desta mescla de estrelas da música portuguesa, entrarão directos às vossas orelhas.

Sintam o efeito Orelha Negra!



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