“Cristovão Colombo – Rumo ao Novo Mundo” | Peter Laufman

“Cristovão Colombo – Rumo ao Novo Mundo” | Peter Laufman

Um eterno mistério entre o estatuto de herói e vilão

Entre o estatuto de marinheiro genial e o percursor do genocídio dos nativos americanos. É entre esta vasta ambiguidade que se move a vida de Cristovão Colombo, explorador marítimo que morreu sem nunca ter compreendido o seu grande engano: em vez de um novo caminho para a Ásia havia dado com a América e o Novo Mundo.

Da colecção “Grandes Exploradores”, editada pelo Círculo de Leitores, chega agora às livrarias “Cristovão Colombo – Rumo ao Novo Mundo”, da autoria de Peter Laufman, que nos desvenda um pouco mais sobre a vida deste navegador, que acabou pobre e esquecido e se tornou motivo para as mais diversas teorias, só faltando uma que o apontasse como extraterrestre.

A confusão começa desde logo com a data de nascimento, para depois continuar com os vários nomes que recebeu, muitos deles uma adaptação ao País que reclama ter sido nele que Colombo havia nascido: temos Cristóbal Comombo, em Espanha; Cristophero Colombo, em Itália; Cristopher Colombus, em Inglaterra; e Cristovão Colombo, em Portugal.

Filho de pai tecelão aprendeu latim, a desenhar e revelou desde muito cedo um grande interesse pela Geografia. Estabeleceu-se como mercador enfrentando uma vida dura, mas muito ao seu gosto, tendo mesmo sido durante um certo tempo um pirata legalizado.

No ano de 1484 foi recebido em Portugal por D. João II, o “Príncipe Perfeito”. João de Barros, o cronista de serviço, refere que o rei se referiu a Colombo como um fala-barato. O navegador andou a bater de porta em porta, até que o seu projecto de chegar à Ásia é recebido de braços abertos pelos espanhóis, que lhe legam três navios para o grande empreendimento – Niña, Pinta e Santa Maria -, que tem início em 1492. Avista terra em Outubro desse ano, desembarcando nas Caraíbas, podendo dizer-se que de certa forma lançou a primeira pedra que conduziu à extinção da cultura nativa (que, ameaçada, falava num Rei com muito ouro num lugar distante para tentar ver-se livre de Colombo e comitiva).

No início de 1493 Colombo regressa a Espanha para falar do que tinha descoberto. Se partirmos do princípio que a América já havia sido descoberta, regressou com um pouco de ouro nas algibeiras, uns selvagens para espanhol ver e histórias sobre florestas verdejantes e praias de areia branca. Sucederam-se mais viagens mas nenhuma teve o brilho da primeira, fazendo a sua última viagem marítima, uma vez mais fracassada, quando tinha 50 anos.

Cristovão Colombo acabou os seus dias incompreendido e com o esquecimento a cercá-lo. Aquilo que realizou, uma imensa travessia em condições adversas nas águas de um imenso oceano, não foi tido em conta durante séculos. Ainda hoje continua a ser um mistério, entre o estatuto de herói e de vilão, sendo essa ambivalência o que faz dele um dos grandes exploradores marítimos da História. Morreu sem nunca ter dado conta do seu grande engano, acreditando até ao fim ter ido à Ásia e voltado.

Mais um bonito volume da colecção “Grandes Exploradores”, que junta à informação bibliográfica um lado visual que nos transporta facilmente para mundos e lugares já desaparecidos. Segue-se agora Alexander von Humboldt.



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