CSS @ LAV (06.07.2024)

Let's dance and listen to CSS

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Todas as bandas têm um percurso com altos e baixos. Por vezes a sua existência dilui-se no éter e por vezes volta a surgir a oportunidade de nos voltarmos a cruzar com elas. É exactamente neste ponto que nos encontramos. Aproveitemos.

Hoje as CSS são uma banda composta por Lovefoxxx, Ana Rezende, Carolina Parra e Luiza Sá, uma formação que veio a estabilizar depois de algumas mexidas. Quando revisitamos os seus álbuns é fácil sentir um toque que a DFA de James Murphy introduziu e consolidou ao longo da primeira década deste século, numa Nova Iorque em efervescência criativa e fortemente impactada pelo 11 de Setembro.

Werdisbond tem a missão de passar música para aquecer a sala, mas a escassez de pessoas na Sala 1 do Lisboa ao Vivo pelas 20h30 torna a tarefa ingrata, mas que fica facilitada à medida que a sala enche.

Sem surpresas, o público vai-se revelando uma saudável mistura de portugueses e brasileiros e a entrada da banda faz-se ao som de «We Like to Party! (The Vengabus)». «CSS Sucks» surge logo a abrir, como que para dar o mote. Sabem aqueles concertos em que “vai dar tudo certo”? Isso fica claro quando ouvimos «I Love You» e «Music is My Hot Hot Sex», recebida em completo êxtase. Foi incrível. A componente cénica tem o seu peso e a roupa de Lovefoxxx vai saindo, canção após canção. Camada após camada. Entretanto descobrimos como a banda veio a trabalhar com Bobby Gillespie em «Hits Me Like a Rock» e em «Alcohol» faz-se jus ao título e serve-se champanhe do palco para o público. No copo. «Move» e «Dynamite» conduzem à observação de que fazer uma tour com 20 anos é bem diferente de o fazer com 40. Não há como negá-lo, mas «Fuck Everything».

Lovefoxxx vai revelando a sua faceta de storyteller antes de avançar para «Hollywood», um original da Madonna. Já «City Grrrl» é emotivamente dedicada às raparigas lésbicas que vêm de um lugar pequeno para uma grande cidade. A celebração que acontece valida o que a canção representa, ainda para mais em dia de Marcha do Orgulho LGBTI+ em Lisboa.

«Teenage Tiger Cat», «Red Alert» e «This Month, Day 10» dão para uma “dancinha” (deve-se ler com sotaque adequado por assim faz ainda mais sentido), com a última a mostrar como uma canção escrita a partir de um momento em que ódio era o sentimento mais forte, gera uma reacção completamente diferente por parte do público, quando interpretada ali, em palco, evoluindo para um estado de festa pura. A música por vezes tem estes efeitos estranhos nas pessoas.

Sem querer dar uma de James Murphy, Lovefoxxx diz aquilo que muitos não gostariam de ouvir, mas que poderá ser a realidade; provavelmente estamos a ver CSS ao vivo pela última vez. Desfrutemos então; e fazemo-lo, primeiro ao som de «Bezzi», onde cantamos com todo o afinco “Bezzi, eu já peguei o Bezzi” e depois com a sempre incrível «Let’s Make Love and Listen to Death From Above», tão fresca e desafiante como em 2006.

O encore traz-nos a velhinha «I Wanna Be Your J.Lo». Na glamurosa «Art Bitch» cantamos com um sorriso provocador no rosto,“Lick, lick, lick my art-tit / Suck, suck, suck my art-hole”. «Alala» fecha o concerto e se tivéssemos direito aos três desejos – “Alala, alala / Gimme three wishes” – um deles seria certamente que o concerto não terminasse ali. Não tínhamos e terminou ali o concerto que precisávamos neste dia.

 

Texto por Miguel Barba e fotografia por Graziela Costa.



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