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Elektra Zagreb

Entrevista a Andrei Davidoff no âmbito do lançamento do EP “Giving Birth. The Young Whales”.

Não são poucas as novas bandas que constantemente vão entrando no cenário musical. É o caso do projecto com que conversámos no âmbito do lançamento do seu novo trabalho, o EP “Giving Birth. The Young Whales”.

Eles são portugueses e Andrei Davidoff é o rapaz que lhes dá a voz. Falamos de Elektra Zagreb, um colectivo recente originário de Lisboa que boas cartas vai dando na música.

Uma questão apropriada para abrirmos a entrevista. A partir de que que ideia surgiram os Elektra Zagreb e como foi o seu processo de formação?

Os Elektra Zagreb surgiram na cabeça do nosso guitarrista numa noite quente de Verão croata (risos). Na verdade a ideia de criar esta banda surgiu imediatamente depois de Luka (guitarrista) se ter deparado com este nome algures em Zagreb.

Depois surgiram naturalmente outros músicos que ajudaram a consolidar aquilo que os Elektra Zagreb são hoje. Oficialmente esta viagem começou em Janeiro do ano passado com três elementos: Andrei (voz), John (bateria) e o mentor da banda, depois de alguns concertos, Rick (baixo) junta-se à banda em Julho do mesmo ano.

“Giving Birth. The Young Whales”, o vosso novo EP, tem sido apresentado um pouco por todo o país. Como tem sido, ou como descreveriam a recepção por parte dos vossos fãs a este novo trabalho?

Acho que começámos a apresentar o EP mesmo antes dele ter saído. Todas as músicas que tocámos na nossa mini-digressão pelo país, durante o Outono, estão no EP, à excepção do tema «Andromeda Girls Are Better», que surgiu quando regressámos a Lisboa e que acabámos por o incluir neste registo.

Quanto à recepção do trabalho… é sempre complicado descrever… recebemos muitas mensagens de parabéns por parte dos nossos ouvintes, assim como das pessoas que de uma forma ou de outra acabaram por conhecer e gostar da nossa música. Acho que quando há outras pessoas para além da nossa mãe a gostar é porque de facto estamos a fazer algo de jeito. (risos)

Quais foram as ideias e influências de partida quando começaram a escrever as canções? Como foi a produção deste novo trabalho?

Sei lá. Coisas estranhas, bichos, passarinhos, reino animal, Discovery Channel, mulheres, libido, o nascimento também. No fundo ‘’Giving Birth. The Young Whales’’ é uma metáfora do nosso nascimento como banda.

Demorámos um pouco mais tempo do que o previsto para escolher o estúdio, mas acabámos por escolher os estúdios Golden Pony. Acho que foi amor à primeira vista e estamos muito contentes com o resultado. A gravação foi quase cronometrada, visto que tínhamos pouco orçamento e o processo de gravação aconteceu em take directo em cerca de cinco horas. Pessoalmente é um orgulho, visto que na semana anterior à gravação li o livro ‘’Black Sabbath’’ de Joel McIver e descobri que os Black Sabbath gravaram o seu primeiro trabalho em pouco mais do que cinco horas. Obviamente que não nos estou sequer a comparar-nos com estes grandes senhores, embora gostasse muito que Ozzy fosse meu avô.

As músicas que compõem o EP têm uma marca vossa muito vincada e reconhecível. Foi natural chegar até a essa marca?

Ficamos contentes por achares isso. Sim, penso que a construção dessa marca a que te referes foi algo muito natural para a banda. A música que fazemos é muito honesta e crua, não gostamos de máscaras.

Durante os últimos tempos, têm vindo a promover e a divulgar este vosso novo trabalho. Pode um bom feedback do público constituir-se já como uma aposta ganha para os Elektra Zagreb enquanto projecto musical?

Um bom feedback dos nossos ouvintes é sempre uma excelente motivação para continuar a trabalhar. Seria hipócrita afirmar que nos estamos a marimbar para o público, seria absurdo, porque adoramos os nossos fãs, mas como disse o Luka na entrevista ao Som à Letra, ‘’Nós somos isso mesmo, uma mulher bonita na rua a passear. Uns vão achar que somos mesmo bons, outros que somos convencidos e arrogantes, outros nem vão dizer nada! C’est la vie’’. É impossível agradar a todos.

Durante os próximos meses vamos estar a promover o nosso trabalho e claro, estamos curiosos para ver como vai ser a reacção das pessoas, uma vez que já ouviram um pouco mais do nosso trabalho, através da divulgação que tem sido feita pelos orgãos de comunicação.

Quais as influências de outros artistas/bandas musicais que podemos encontrar em “Giving Birth. The Young Whales”?

Claro que não vamos dizer que não temos influências, somos um colectivo muito eclético quer pelas razões culturais, quer pelas razões musicais. Existe claro algum medo da chamada ‘’Anxiety of Influence’’ e tentamos sempre encarar o processo de composição despidos ao máximo das nossas influências.

Por exemplo, o Luka gosta de bandas como Mudhoney, Pavement, Sonic Youth, Neutral Milk Hotel, Olivia Tremor Control, Pink Floyd ou Flaming Lips, enquanto que o John e o Rick não se calam com Boris, Pearl Jam, Mono e Devendra Banhart, embora o Rick tenha um amor confesso pelos Guns’n’Roses (risos). Eu ouço um pouco de tudo desde os referidos Black Sabbath, passando pelos BRMC, Cocorosie, Crystal Antlers até aos The Knife, Alva Noto, Demdike Stare ou Tortoise. Pessoalmente ao nível das letras Jim Morrison, Salvador Dali, Vic Chesnutt, Bonnie Prince, Dave LaChapelle, Serguei Essenine e Oscar Wylde são as minhas grandes influências.

O processo de criação é bastante livre e com o tempo a confiança entre nós é cada vez maior, sendo a composição um processo cada vez mais colectivo, existindo uma grande convergência musical entre todos.

Existe em “Giving Birth.The Young Whales” algum tema que mereça especial destaque? Algum episódio caricato na origem da composição de algum dos temas ou alguma preferência em relação a algum deles?

Acho que assim de repente não podemos dizer a música mais ou menos preferida, porque a escolha das músicas para o EP foi um grande problema. Gostamos muito de tocar ao vivo a «Bloody Hands» e eu gosto de berrar para o micro no final da «Infant Robots Playground» juntamente com o Rick e cuspir-me todo na cara dele e vice-versa, that’s bloody funny.

Como descreveriam o vosso trabalho a alguém?

É um bom trabalho para quem gosta de relaxar e ouvir ‘’gotas’’.

Existe algum público específico ao qual querem fazer chegar a vossa música?

É a tal coisa da mulher bonita a passear.

Sendo os Elektra Zagreb um projecto recente, que expectativas têm em relação ao reconhecimento que poderão vir a ter daqui para a frente? Ainda mais agora com o lançamento do 1º EP?

Sinceramente o nosso primeiro ano foi muito agitado e surpreendente ao nível de concertos e vamos continuar a trabalhar para estar à altura das expectativas que estão a ser depositadas em nós.

Gostava de citar novamente uma parte da entrevista ao Som à Letra:

“Há dias reparei que os Ornatos Violeta são provavelmente a banda portuguesa com mais amigos no facebook, 100 e tal mil amigos, raro para uma banda que só tem dois álbuns. Bem, queremos fazer mais do que dois álbuns e temos 400 e tal amigos, acho que estamos no bom caminho para ultrapassá-los e sermos a melhor banda portuguesa da história, este país demanda. Repara que até hoje nunca tivemos uma banda portuguesa a dar reais ‘’patadas de êxito’’ lá fora, podemos não conseguir, mas a sensação do dever cumprido é tudo. Eu gosto muito da temática da física quântica em que me diz, ‘’tudo é uma possibilidade’’, ou seja, enquanto for possível estaremos aqui para nos bater pela liga dos campeões, mas não vivemos obcecados com isso, a pressão é inimiga da criação. Mais que músicos, seremos criadores!”

Depois do lançamento do EP, o que se segue para os Elektra Zagreb? Têm alguma surpresa ou plano na manga para um futuro próximo?

Temos uma surpresa mais imediata dentro de alguns dias. O EP que está online não é a versão final e já estamos a pensar no próximo trabalho claro, que iremos tentar editar ainda este ano. Resume-se tudo à nossa condição financeira, músicas não faltam.

Agora uma questão um pouco mais abrangente. Como projecto em crescimento, não deixando de parte a repercussão com que já contam, qual o vosso ponto de vista em relação a todo o processo de integração de novas bandas no panorama musical a nível nacional?

É uma questão interessante, sem dúvida. Sinceramente acho que o processo de integração e divulgação é bastante facilitado e impulsionado pelas redes e ferramentas sociais, no entanto existem alguns opinion makers, com bastante relevância, cuja opinião é exercida não tanto em função de qualidade como em função do hype de um determinado projecto. Não os julgo por isso as audiências contam muito, não é verdade?

Para estes opinion makers todos os projectos que têm a honra de integrar a sua agenda mediática são excelentes a priori. Lembro-me de muito poucos projectos que tenham recebido uma crítica menos positiva, mas isto claro também tem outras razões bastante óbvias. Mas claro que nem tudo é mau uma vez que estes opinion makers não são muitos e arriscam a tornar-se cada vez mais irrelevantes.

Para todos eles um conselho, procurem mais, percam mais tempo a investigar, porque Portugal tem muitas pérolas escondidas.

No final da conversa, o Andrei quis deixar uma nota especial…

Para terminar, gostaríamos de agradecer a todos os que têm apoiado o nosso projecto ao longo do nosso primeiro ano: O rapazes da Rosavelho, Contrabando, Português Suave e José Reis, Arte-Factos, Tráfego Indie, Indi(e)ferente, Offbeatz e Sara Ribeiro, Timília das Meias, NQS Records, The Indies, Som à Letra, Bandcom, All Tomorrow Music, Jimdo Indie Rock Music, Blobfish, A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria, Rua de Baixo, Time Out, Lounge, FNAC, Canal 180, Snapsho7s, Porto, Lisboa, Braga, Viseu e todas as outras cidades onde tocámos, os pais, as namoradas, os amigos/fãs, os nossos animais de estimação.



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