EVCG1_cred Joana Tomás

EVACIGANA | Entrevista

Acabado de editar, “fiasco” é o disco de estreia dos Lisboetas, EVACIGANA. O pretexto ideal para lhes colocarmos algumas perguntas, que podem ler de seguida enquanto escutam as canções que dão corpo ao álbum.

Rua de Baixo: Qual a história por de trás do nome que escolheram, EVACIGANA?
EVACIGANA: O nome EVACIGANA não tem qualquer tipo de significado e surgiu após o convite para o nosso primeiro concerto, no festival Impulso na Caldas da Rainha. Após uma longa, e morosa, sessão de troca de ideias, o Filipe (baixista) sugeriu “Have a Cigar”, mas substituindo “Have a” por “EVA”.

RDB: Em 2021, integraram a compilação da FNAC –  Novos Talentos. Acham que vos ajudou em termos de projeção, ou ficou um pouco aquém, até dado que na altura ainda se sentiam algumas restrições em virtude do COVID?
E: Sim, sentimos que nos ajudou, claro. Até porque fomos escolhidos diretamente pelo Henrique Amaro e isso foi uma honra enorme para nós. Após integrarmos a compilação, fomos também selecionados para participar no festival Emergente, e conseguimos mais algumas datas para acabar de apresentar o EP “Fortuna” ao vivo.

RDB: Houve efetivamente algum fiasco que acabasse por conduzir os EVACIGANA a compôr este disco de estreia?
E: Talvez termos acabado de gravar o “Fortuna” no início de 2020, termos planeado o lançamento e concertos e, depois, veio a pandemia e foi tudo à vida… Acho que o “fiasco” tem um sentido de urgência acrescido que veio de forma natural devido aos últimos anos.

RDB: Tiveram oportunidade para abrir recentemente para os Pile no Aquário, não foi? Como correu o concerto?
E: Sim, correu muito bem! Foi o concerto em que tocámos pela primeira vez muitos dos temas do disco e, fazê-lo numa sala mítica como a ZDB, a abrir para o banda do calibre dos PILE foi um misto de incrível e aterrador…

RDB: Ao escutar o vosso “fiasco”, é fácil para alguém que tenha vivido o final da adolescência e o início da idade adulta no final dos anos 90 e no início do século XXI, surgirem muitas recordações. É possível sentir um pouco da essência de uns Deftones (pensei neles mal ouvi a «lâminas»), não só na voz mas também nalgum do ambiente das canções, como também se conseguem sentir influências mais conterrâneas de uns Linda Martini. Depois, e esta é a parte interessante, creio há um toque pop pelo meio que vos imprime e vinca a identidade. Concordam?
E: Sim, concordamos. Essas referências estão no disco, a “lâminas”, como mencionas, é um piscar de olho sem vergonha nenhuma aos Deftones e aos Failure. E todos nós adoramos bandas da época que referes, desde os Radiohead, os At-the Drive In/The Mars Volta, Slint, Converge, etc. Mas acho que o que nos distingue e destaca é, realmente, esse toque assumido de pop que imprimimos nas nossas canções.

RDB: O trabalho com as guitarras ao longo das dez canções está muito interessante. Não só, pelas várias abordagens que fazem, de canção para canção, mas também da maneira que o fazem, alternando de forma eficaz momentos em que há uma tensão, noutros em que se deixam embalar num sentimento de euforia ou até de simples contemplação. Foi algo que procuraram de forma deliberada?
E: Foi e, ao mesmo tempo, é algo que acontece de forma natural no nosso processo de composição e arranjo. Gostamos de dinâmica, de jogar com luz e sombra, alto e baixo, calma e rapidez e de baralhar as coisas. Acho que também íamos ficar muito aborrecidos se assim não fosse.

RDB: De que forma é que o trabalho de Guilherme Gonçalves, ligado a nomes já tão bem estabelecidos como The Legendary Tigerman, Cabrita (que atualmente integra a banda de Paulo Furtado) ou os Keep Razors Sharp, se reflecte nas dez canções que dão corpo a “fiasco”?
E: O Guilherme foi um anjo que apareceu durante o processo de mistura do “fiasco”. Estávamos com dificuldades em arranjar alguém para misturar o disco, porque tínhamos um prazo que estava a ficar apertado, enviámos-lhe um tema, ele fez uma mistura de teste e nós adorámos. A partir daí, demos-lhe liberdade para trabalhar à vontade nas canções e o resultado está disponível para ser ouvido. Se estiveres a ler isto, obrigado mais uma vez Guilherme!

RDB: Actualmente viver da música a tempo é algo ao alcance de muito poucos em Portugal. Não só pelas características do nosso mercado mas também pela maneira como muita da música é consumida actualmente. Como encaram esta situação?
E: Começámos este projecto pelo amor à música e sem qualquer ilusão em relação a fazer disto o nosso sustento. O nosso objectivo, neste momento, é que a banda seja auto-suficiente. Se algum dia conseguirmos viver da música, melhor.

RDB: “fiasco” terá edição física?
E: Sim, podem adquirir o CD nos nossos concertos e no nosso bandcamp! Obrigado!



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