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FAIL!

Ideias ou acções que pareciam altamente em papel, mas que na prática, por uma razão ou outra, falharam. Já estão a pensar em alguma?

Anything that can go wrong will go wrong (in the worst way possible).

Não pretendendo o tom pessimista da citação proveniente da lei de Murphy, já que deste lado do ecrã também gostamos de ver o lado bom das coisas (todos temos ipods, Wiis e roupa da American Apparel comprada em Barcelona – obrigado Ryanair) apresentam-se na próxima lista alguns fails históricos, ideias ou acções que pareciam “altamente” em papel, mas que na prática, por uma razão ou outra, falharam. A lista aqui apresentada foi criteriosamente seleccionada tentando englobar variados campos com o intuito, não só de informar, mas também de alertar que por cada ideia “altamente”, existe sempre uma saída para a margem Sul da vida. Assim, motivado pela construção de um mundo melhor ao bom estilo Rock in Rio, espera-se que o prezado leitor/amigo cibernauta aprenda com os erros dos grandes. Apertem os cintos, que hoje a noite vai ser quente:

V-2 Rocket – Foi assim que a Alemanha perdeu a guerra. Estamos em 1944. A Alemanha está claramente a perder a guerra. A decisão recai em investir todos os recursos monetários na produção de uma super arma. Uma bomba atómica com efeitos devastadores? Bem melhor que isso. Um foguete telecomandado bem parecido com o que o Tintim viria a usar para ir à Lua, que  em vez de personagens de banda-desenhada, transportava explosivos. O V-2 falhava a maior parte dos alvos para a infelicidade dos bosses do wolfenstein 3d, e para grande sorte nossa, ou estariamos todos a falar alemão nos nossos dias, desprovidos da música do Snoop, do Kanye e do Neno. E foi assim (mais ou menos) que a Alemanha perdeu a guerra.

Apple Pippin – A empresa que se promove através de anúncios engraçados com as discussões informáticas entre um gajo cromo proveniente de um emprego chato como contabilista ou funcionário público e um tipo bué jovem que deve ser designer ou músico ou qualquer coisa fixe, nem sempre esteve na maré de cima. Durante os seus anos negros (vulgos anos 90, dominados pela rival Microsoft e o seu Windows 95) esta tentou, sem sucesso, penetrar no mundo do vídeo-entretenimento produzindo uma consola.

Descaradamente, enfiou um dos seus macintosh numa caixa com letras coloridas, à qual juntou um gamepad arrojado mas pouco funcional, tendo depois chamado a Bandai, também desesperada por ganhar algum dinheiro com vídeojogos para comercializar o produto. A consola penetrou no mercado em 1995 no Japão e 1996 nos E.U.A., na altura dominado pela Sega Saturn e Sony Playstation. O preço de lançamento do equipamento, 599$, permitia comprar as duas máquinas que dominavam o mercado e ainda sobravam trocos para um bilhete de autocarro e, com um bocado de sorte, um pacote de chicletes. Assim, o elevado custo associado à falta de software conduziram este produto directamente para as prateleiras de limpeza do inventário dos poucos retalhistas que optaram por comercializá-lo.

Leitor de DVD da Dreamcast – o jovem português, nascido na década de 80, gosta de Sega. Isto é tão certo como haver alguém que manda piadas sobre Mike Tyson quando o prato servido é orelha de porco (esqueçam o brief fad da gripe suína, ainda alguém brinca com o antrax?). Assim, e apesar de lá fora se ter provado sempre o contrário, cá em Portugal a Sega, enquanto fabricou consolas, sempre vingou sobre as outras marcas, facto devido, possivelmente, a uma boa estratégia de marketing polvilhada com o muito nosso“desenrasca”, ou simplesmente uma afinidade do povo luso com o Ouriço Azul.

A consola tinha tudo para se tornar referência no mercado. Uma boa biblioteca de software, possibilidade de ligação à internet à saida da caixa (ei pessoal, estamos em 1999 ok!) e um preço de lançamento baixo. No entanto, a Sega decide descartar o uso de drive de DVD para um formato inventado por eles. Fail! O formato desenvolvido pela Sega revelou-se um fracasso, tornando-se a pirataria de software da Dreamcast uma das mais fáceis de realizar, sem recorrer a qualquer tipo de modificações. O terreno ficou aberto para a Sony, que vendeu muitas Playstation 2 à custa do leitor de DVD embutido, produto quente aquando o seu lançamento. Dois anos depois do lançamento da Dreamcast, a Sega anuncia a sua descontinuação, concentrando-se depois em desenvolver software para as marcas que a derrotaram no campo do hardware. E nem a vontade dos Portugueses de jogar Virtua Tennis a salvou.

“Star Wars Holiday Special” – Que se engane quem pensa que o infame “Episode 1 – The Phantom Menace”  é o pior filme da saga Star Wars existente. Em 1979, devido ao sucesso do filme “Star Wars”, uns génios das grelhas televisivas descobriram que para catapultarem as audiências para o infinito e mais além teriam de realizar um tele-filme de duas horas com as personagens do épico sci-fi munido de um plot ao bom estilo dos filmes de domingo à tarde em que cães salvam o dia quando se juntam à equipa local de futebol norte-americano.

A história desta abominação anda à volta do “Life Day”, uma espécie de Natal/Dia de Acção de Graças que se celebrava há muito tempo atrás numa galáxia distante. No meio da trama consegue-se enfiar o mauzão Darth Vader, alguns personagens que morreram na longa-metragem original e voltam à vida só para festejar uma última vez, e sim, os Jefferson Starship. George Lucas, o criador da saga foi mantido afastado do projecto, já que a sua capacidade criativa podia estragar o produto final. Assim, e não será de estranhar, Holiday Special é ignorado pelo criador e actores da saga, e durante muito tempo questionou-se mesmo a sua existência. Graças à melhor invenção do mundo que é a Internet, este filme encontra-se hoje presente em todos os sites de vídeo, mostrando que não se tratava de uma espécie de sonho colectivo que assombrou os jovens em 1979. “Holiday Special”, ainda que um falhanço total que nem direito a edição em betamax teve, terá sempre um lugar especial no coração dos fãs de sci-fi, e de humor pouco convencional, já que se trata de uma das raras possibilidades de observar Carrie “Leia” Fisher a cantar ao estilo de José Cabra o tema da saga e Mark “Luke Skywalker” Hammil, recém-recuperado de um acidente, a usar mais base que a família Jardim toda reunida na última noite do Club Casa do Castelo.

Super Audio CD – Um formato vítima do tempo em que foi lançado. Fosse comercializado 10 anos antes, o SACD ter-se ia tornado referência no campo dos media de áudio. A retro-compatibilidade com os já existentes vulgares leitores de CD, permitiu-o vencer o primeiro round contra o formato adversário, o DVD-audio, uma batalha fácil, já que o último usou como armas de promoção as inevitáveis gravações de sucessos da música clássica e a discografia dos The Corrs. No entanto, lançado em 1999, numa altura em que o formato mp3 começa a cativar ouvintes e a preocupar editoras (alô Napster?),  o SACD foi rapidamente esquecido, tendo sido apenas usado em edições especiais de álbuns de referência. Os casais que se casaram circa 2003 e que receberam um leitor do formato pela celebração do seu amor, ficam com mais um um bloco para fazer companhia no sotão aos aparelhos de laserdisc, cd-i e minidisc que receberam durante o sweet sixteen.

Michael Jackson – Enumerar MJ numa lista de fails poderá dividir opiniões. No entanto, é inquestionável que o downfall da carreira do rei da pop, frutífera em sucessos e grandes feitos, encontra-se repleto de falhanços. O último álbum de Jackson fracassou largamente por falta de promoção, e o seu casamento comercial com a filha de um outro rei (não se trata da filha de Roberto Carlos, mas sim da filha de Elvis Presley, Lisa Presley) correu de tal forma bem, que a ex-mulher confessou à Rolling Stone ter vergonha do seu passado junto do autor de «Thriller».

O fail de MJ que se pretende no entanto aqui enaltecer é quase visto como uma lenda urbana, sendo praticamente impossível encontrar footage do tal acontecimento. Em 1996, já a carreira de Jackson se encontrava em declínio. De repente, os jovens deixaram de se identificar com o ídolo pop que mudou de cor, e passaram a idolatrar roqueiros barulhentos com cabelos deslavados e vontade de cortar os pulsos. Jackson pensou então que adoptar uma imagem em palco de Jesus/Deus e rodear-se de criancinhas enquanto interpretava «Earth Song» o viria a ajudar a vender mais cds. Jarvis Cocker, na assistência, não gostou da performance, tendo invadido o palco, chegando alguns a crer que este pretendia agredir Jackson. Descanse-se quem torce pelo vocalista dos Pulp, pois este, apesar de ter sido detido pela polícia, foi solto na mesma noite livre de qualquer acusação.

Second Life – A melhor invenção dos anos 90, a entrar em funcionamento apenas em 2003. Uma vista rude do Second Life, que durante algum tempo foi coqueluche dos jornalistas, que dedicavam a este serviço tempo de antena como se fosse Agosto todo o ano, apresenta um IRC com interface gráfico. Assim, o usuário com pouco calo nas andanças das internetes poderá achar piada viajar até à ilha do sexo, onde falou com uma lésbica real que deve ser tão louca que o seu avatar tem um piercing em forma de dildo no mamilo esquerdo. Pena que o nosso amigo user, pouco experienciado ainda, não tenha um monitor que suporte resoluções 1600×1200 de modo a que detalhes como o piercing e outros adereços não lhe passem despercebidos. Porque é que estes adereços são tão importantes? Porque muitos deles custam dinheiro!!! Sim, o second life mostra-se como uma rede social que oferece possibilidades de negócio, havendo algumas lendas sobre pessoal que enriqueceu à custa daquilo. O second life supostamente iria ser tão grande que nele estavam representadas empresas importantes, daquelas com escritórios reais e secretárias boazudas que fazem horas extraordinárias. A realidade é que enquanto os users do myspace e do facebook crescem de dia para dia, os users do Second Life diminuem a cada minuto que passa, mostrando que os cibernautas gostam é de expor a vida que realmente têm, ao invês de criarem uma vida virtual. Quem é que quer ver bonequinhos poligonais a interagirem sexualmente quando pode mostrar ao mundo o Verão de 2008 passado em Punta Cana. Eu cá é que não!



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