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Festival das Artes 2011

Ciclo das Artes Plásticas.

Passaram 650 anos após a trasladação dos restos mortais de Inês de Castro, que depois de morta foi coroada e mais tarde se juntou no Mosteiro de Alcobaça com o Rei D.Pedro I. O tema do 3º Festival das Artes é “As Paixões” e inspira-se numa das mais populares, mórbidas e arrebatadoras histórias de amor de sempre, Pedro e Inês.

“A pulsão do amor” é uma exposição coordenada por Rui Paiva e que traz até nós, pinturas, esculturas, tapeçarias, desenhos, gravuras e serigrafias de vários e famosos autores portugueses e estrangeiros. Paula Rego, Júlio Pomar, Mário Eloy, Pablo Picasso, Costa Pinheiro e Di Cavalcanti, são alguns dos nomes sonantes da exposição que têm a paixão como fio condutor. “A pulsão do amor”, insere-se na iniciativa itinerante “Arte Partilhada” que visa a oferta de artistas de renome a um público mais alargado. Não há muito a dizer quando existem diante de nós tais artistas, apenas que se pode e deve visitar a exposição até dia 17, no Edifício do Chiado.

“Ondas de Paixão” (Até 1 de Setembro no Edifício dos Quatro Elementos -Quinta das Lágrimas)

Pedro Medeiros, fotógrafo reconhecido e bastante ligado a Coimbra, participou no Festival das Artes de 2010 e é o trabalho que fez o ano passado que nos apresenta, relembrando e mostrando os momentos mais emblemáticos dos espectáculos do ano anterior.

Ao ver as fotos e um vídeo que nos é apresentado na mesma exposição, percebemos que nestas duas semanas, muitos e bons exemplos de arte nos serão apresentados (é uma pena que esta oferta chegue numa altura em que Coimbra já se vai esvaziando dos seus estudantes).

Para chegar à exposição, já tivemos de entrar nesse belíssimo lugar que é a Quinta das Lágrimas; no entanto, é aqui que se reforça a ideia de estarmos num sítio fantástico e misterioso, onde uma espécie de magia nos faz apaixonar pelas “paixões”. Pedro Medeiros faz-nos desta maneira, uma espécie de promessa acerca do Festival, que nos abre o apetite para nos deixarmos seduzir pelo ambiente.

“Sleeping Beauty” (Até 1 de Setembro no Jardim da Quinta das Lágrimas)

Trata-se de mais um trabalho de Pedro Medeiros. É uma instalação colocada, muito pertinentemente, junto da Fonte dos Amores, onde morreu Inês, que nos mostra uma mulher no seu leito de morte. O autor fala-nos de um confronto entre a mulher-poder e mulher-objecto. A associação com Inês é imediata, a imagem é crua e impudica, é a mulher morta e castigada, por ser mulher. A intemporalidade do tema aparece-nos pela contemporaneidade da figura, como se o autor nos estivesse a dizer que não foi só Inês a morrer por desobedecer, que isso ainda acontece escondido (ou não), nos nossos dias.

“Porque o amor é cego” (Até 31 de Julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-velha)

Mónica Ramos apresenta-nos uma colecção de peças de joalharia para os que amam cegamente, com palavras em Braille e “armaduras” em prata. Remete-nos para um universo que lembra batalhas e mensagens encriptadas num ambiente misterioso e fechado em si mesmo, isto porque as peças são massivas, sem espaços vazios. Os que havia, foram preenchidos por madeira, ouro e pedras naturais. São fios, pulseiras e anéis que não servem apenas para enfeitar, significam, aparentam peso, força e solidez. Concebidos, como diz a autora, “para pessoas apaixonadas”.

Além do ciclo das artes plásticas existe o da música, artes do palco, cinema, gastronomia, serviço educativo e conferências. Recomenda-se a todos os amantes de artes e de Coimbra. É-nos apresentado um cartaz de qualidade, fora dos grandes centros, com espectáculos e exposições em sítios belos, que pela sua variedade de locais nos faz conhecer uma cidade acolhedora que se intitula como sendo a do conhecimento. Para este título, o Festival das Artes é, com certeza, um grande contributo.

Fotografia de Patricia de Almeida



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