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Fire Emblem: Three Houses | Nintendo Switch

You’re a Professor, Harry*

Desde o seu primeiro título que a saga do Fire Emblem tem ganho cada vez mais terreno no coração dos seus fãs. Em Super Smash Bros Melee tivemos essa mesma confirmação com as personagens principais de jogos anteriores a elencarem o fantástico leque de personagens, personagens essas que fizeram com que Mew2king fosse conhecido hoje em dia – aquele Marth é o terror de muita gente. Mas bom, este pequeno artigo não trata do que foi Fire Emblem mas sim, do que é Fire Emblem hoje em dia e tenho a dizer que é muito complexo.

Quero, desde já, congratular os criadores do jogo, não só pelo estilo visual do mesmo, fazendo acreditar, o jogador, que está a ter um papel extremamente relevante numa verdadeira anime interativa, mas também, pelo investimento num género de jogo que eu julgava esquecido, pelo menos, como um dos grandes títulos da Nintendo, nunca colocando nenhum jogo do género elevado a esse patamar porque, sejamos sinceros, quando falam na Wii ou na Gamecube, os jogos que imediatamente salta à vista, não serão os títulos do Fire Emblem. Porém, temo que esses dias chegaram ao fim.

Não sendo eu um lunático por tudo o que sejam jogos com uma história envolvente e rica em conteúdo, tenho de admitir que fiquei mais curioso do que estava à espera. A aventura começa logo depois do salvamento heroico que a nossa personagem faz aos três representantes principais (o mapa do jogo está divido em 4 secções: the Adrestian Empire; The Holy Kingdom of Faerghus; the Leicester Alliance; e, por fim, no centro, encontra-se a Church of Seiros e o Officer’s Academy, local esse onde passamos a maior parte do tempo). Depois desse encontro repentino, onde são ensinadas as bases da batalha no jogo,  e após indicações rápidas do que se passa, somos convidados para ser o professor de uma das casas – dai o título – onde começa a nossa aventura de uma forma séria.

E, depois disto, por onde começar?

Realmente, os criadores do jogo fizeram um trabalho notável, trabalho esse que vou tentar descrever de uma forma simples e não muito exaustiva, de forma a convidar a leitura.

  1. História

Como disse no início deste artigo, a história do jogo é muito envolvente, convidando o jogador a perder o tempo que for preciso a ler ou ouvir as personagens, só para saberem um pouco mais do backgroud de cada uma. Sim pessoal, eu escrevi ouvir. Desta vez, temos também o recurso ao diálogo falado das personagens, feito que, pelo menos que eu saiba, poucas vezes foi utilizado nos grandes títulos da Nintendo. Cada casa tem uma aproximação diferente à história, mas todas irão dar ao mesmo objetivo final. Cada casa tem os seus próprios alunos, cada um deles com traços de personalidade distintos, o que contribui ainda mais para uma história rica em conteúdo, fazendo com que o jogador se reveja em certos tipos de alunos (ou não). O que é facto é que têm surgido alguns acontecimentos menos bons em torno da Igreja e cabe ao jogador desvendar, encontrar e derrotar os problemas que têm aparecido sem convite, em nome da mesma.

  1. Personagens

Já tive oportunidade de fazer alusão ao fantástico elenco de personagens que Fire Emblem: Three Houses tem à disposição. Façamos referência às três personagens principais – os chefes de cada casa: Edelgard, caracteriza-se por ser uma estudante notável e empenhada, cheia de talentos e rigor no trabalho, sempre pronta a aprender e ensinar aquilo que sabe aos colegas; Dimitri é uma personagem misteriosa, que luta com a honra demarcada nos seus olhos, não só para proteger a casa de onde vem mas também os seus membros que, todos os dias, lutam para serem os melhores; por fim, Claude é uma personagem brincalhona e divertida, que leva as coisas um pouco mais na desportiva mas, nem assim, deixa de tentar ganhar os desafios a que se propôs. Em cada uma das casas aqui mencionadas existem vários alunos, cada um com o seu set de características que poderão ajudar o jogador a tomar decisões no futuro, consoante o tipo de personagem em causa.  Por vezes, as interações entre as personagens podem ser um pouco perturbadoras, visto que as personagens parecem ter todas 13 anos.

  1. Decisões

Tudo o que fazemos no jogo é-nos retribuído mais tarde. Desde coisas simples como responder a uma pergunta de forma a que a personagem goste da resposta ou beber chá com o aluno para aumentar a confiança entre os dois, pode levar a resultados melhores ou piores no campo de batalha, tendo em conta certo efeitos que são ativos com a interação das mesmas. Ao mesmo tempo, essas decisões servem também para melhorar a tua performance como professor, desbloqueando assim o acesso a melhores armas ou sítios diferentes do jogo para explorar. Também outras atividades podem ajudar a nossa personagem a crescer dentro da história como ajudar em side quests, jantares com alunos ou, até mesmo, jardinagem!

Tudo o que fazemos ou decidimos tem impacto ao ponto de personagens aleatórias ou estudante nos pedirem a nossa opinião sobre as suas próprias decisões, portanto cuidado ao responderem pois podem estar a alterar o próprio foco de estudo da personagem sem se aperceberem.

  1. Batalha e Itens

Decidi colocar estas duas partes em conjunto porque uma tem muita influência sobre a outra e, portanto, acho que fazia sentido que assim fosse. O modo de combate neste jogo é muito semelhante a um jogo de xadrez: complexo, mas elegante. Cada jogada deve ser feita com a próxima em mente de forma a que todos os alunos recebam o máximo de experiência possível, para que, assim, fique tudo ao mesmo nível. Cada batalha deve ter várias classes em jogo para, não só, diversificar o estilo de combate mas, também, para corelacionar ao máximo, todos os alunos em combate, de forma a ajudarem-se uns aos outros, seja através de cura, seja através de combos ou, até mesmo, pequenos boost’s para o turno em causa. Os itens, claro, são, maioritariamente, utilizados em combate. Estou a falar de tudo o que sejam armas, itens de cura ou armaduras. Cada uma com a sua vantagem, cabe ao jogador como gestor desta pequena equipa, organizar o melhor possível, a sua turma e prepará-los para a batalha. À medida que o jogador vai evoluído, terá acesso a melhores armas, classes ou upgrades, que farão com que os inimigos sejam derrotados mais facilmente.

Uma das coisas que também me fascinou neste jogo foi o facto dos criadores do jogo preverem um modo “piloto-automático” para aqueles jogadores mais preguiçosos. Assim, caso não apeteça jogar naquele turno, basta apenas selecionar aquela opção e o jogo joga por vocês, de acordo com a indicações dadas pelo jogador.

  1. Aulas e calendário

Um dos pontos principais desta aventura começa com as aulas. O jogo é organizado através de um calendário. Nesse calendário, estão marcadas todas as atividades para o mês em questão, mês esse que, por sua vez, é dividido em semanas. Todos os meses é-nos dada a missão principal da história, missão para a qual nos temos de preparar de forma a sermos bem-sucedidos. No início de cada semana, como se da vida académica se tratasse, temos aulas para dar, servindo as mesmas para aumentar os conhecimentos dos alunos nas áreas que melhor se adequa às necessidades da equipa. Por norma, quando um aluno está mais virado para um certo foco, este tem a iniciativa de ir perguntar ao jogador se quer fazer essa retificação na classe, por exemplo, uma personagem que esteja muito virada para o arco mas a classe diga para ela focar em arco e machado, o aluno irá questionar ao jogador se este não quer que ela apenas foque os seus esforços no arco em vez dos dois. Portanto, as aulas é a forma mais direta que o jogador tem para gerir a equipa e as skills da mesma, de forma a que nada lhe falte no campo de batalha. Durante a minha aventura, tive o cuidado de mudar a orientação das personagens o máximo possível, para ter a certeza que cobria todas as necessidades da minha equipa e para que nada me faltasse. Nos fins de semana é quando a diversão acontece!

Todos os domingos, temos a oportunidade de fazer uma de quatro coisas: Explorar, Combater, Ensinar ou Descansar. Cada uma das opções traz coisas boas para os estudantes ou para o professor. Se o nosso objetivo é aumentar o nível do professor, a melhor hipótese será a de explorar, ficando assim com acesso ilimitado às áreas do castelo, de forma a interagir com todas as personagens do jogo, seja num jantar, seja numa side-quest. Temos ainda acesso a diversas atividades, atividade essas que já fiz alusão em cima. Se, por outro lado, quiserem evoluir mais as skills dos alunos ou até mesmo o bem-estar deles, nada como as outras três opções de que vos falei. Todavia, a motivação deles também pode ser aumentada através das interações feitas enquanto exploram o castelo. Podem também encontrar personagens importantes nesse modo, que vos fazem aumentar as vossas capacidades a custo de uma “unidade de ação” (digamos assim). Para além disto, no modo exploração temos ainda acesso a umas estátuas com poderes mágicos que, após o pagamento com o renome ganho, podemos ganhar bónus permanentes de forma a melhorar o estilo de jogo, seja com bónus de experiência, seja com bónus no dano, etc.

Assim, queria apenas concluir dizendo que, como já se pôde averiguar, um jogo cheio de conteúdo para oferecer, dotado de uma enorme qualidade gráfica desde as animações aos gráficos que o jogo apresenta durante o modo Exploração que, embora existam algumas quebras de FPS, nada que faça diferenças na maneira como interagimos com o mesmo. Para além disso, temos ainda a opção de dar scan a Amiibos para ter, assim, acesso a itens e podemos, ainda, conectar o jogo à Internet para assim perceber, por exemplo, a percentagem de jogadores que escolheu aquela ou a outra opção, facilitando assim uma escolha mais difícil.

 

Prós:

  • Imenso conteúdo para descobrir e explorar;
  • Personagens com falas e interessantes;
  • História cativante e rica;
  • Modo de batalha inteligente e original (da saga pelo menos);
  • Gráficas interessantes e muito “anime like”.

Contras:

  • Algumas interações podem ser, um pouco, fora do contexto/desadequadas;
  • Algumas quebras de FPS.

 

N.º de Porta: 8.5/10



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