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Graziela Costa

"Procuro uma oportunidade para mostrar o meu valor"

Em Novembro a RDB comemora 9 anos de existência e é responsável pela programação da Baixa-Chiado PT Bluestation. A exposição “Fashion, Inside’Out”, de Graziela Costa tem inauguração marcada para as 17h00 de 19 de Novembro e estará patente durante uma semana na estação. Na inauguração, a Scalp and Friends vai dar sugestões de styling e oferecer cortes de cabelo a quem precisar de uma mudança de imagem.

Durante os nove anos de existência da RDB tivemos o privilégio de publicar fotografias de alguns dos melhores fotógrafos nacionais. Navegando pela nossa galeria podem encontrar milhares de fotografias exclusivas de centenas de eventos dos mais variados géneros. A Graziela Costa é uma das fotógrafas com “mais tempo de casa”. Com ela já viajámos por Festivais de Verão, por muitos palcos e descobrimos o backstage de alguns dos mais importantes eventos de Moda. A Graziela é uma lutadora. Sabe muito bem o que quer e luta para o conseguir. Foi com muito gosto que a convidámos para exibir o seu trabalho na estação de metro Baixa-Chiado PT Bluestation no âmbito da programação cultural deste espaço. Temos a certeza que vão gostar.

Quem é a Graziela Costa? De onde vens e para onde vais?

A Graziela Costa é uma rapariga que adora comunicar, quer com palavras quer com imagens. Cresci rodeada de livros, revistas e jornais, sonhei ser jornalista desde que me conheço. Aos sete anos fui pela primeira vez ao cinema e fiquei fascinada. A partir daí a imagem ganhou muito mais valor. Tentei estudar ciências, mas o bichinho da Arte vingou. Fiz uma licenciatura e um mestrado, trabalhei como jornalista e fotógrafa, corri os festivais deste País e no ano passado fui finalmente estudar Fotografia, para aperfeiçoar aquilo que fui aprendendo sozinha ao longo dos anos. Agora, procuro uma oportunidade para mostrar o meu valor.

Lembraste de quando tiraste a primeira fotografia?

Não, mas devia ter uns dez ou onze anos porque há uns anos encontrei um rolo de 110 mm da minha primeira máquina fotográfica e tinha fotos de uma viagem de estudo que fiz no quinto ano.

Qual foi a tua primeira máquina?

Foi uma máquina fotográfica da Barbie de 110mm. Ainda a tenho e agora que a Lomo re-lançou rolos para essas máquinas tenciono voltar a utilizá-la.

Como começou o teu gosto pela fotografia?

Gosto de máquinas fotográficas desde pequena. Aliás, gostava tanto da Kodak que a minha mãe tinha, que de tanto brincar com ela a estraguei. Ao longo dos anos fui fotografando, mas apenas com o intuito de recordar momentos de família e locais por onde passava. Posso dizer que me interessei mais pela fotografia devido à minha paixão pela música. Foi mais ou menos quando comecei a devorar a Blitz, que ainda era jornal, e a Rocksound espanhola, que os meus pais vendiam na nossa papelaria. O momento em que a fotografia me bateu forte foi mesmo quando vi o meu primeiro grande concerto, os Linkin Park no Pavilhão Atlântico. Ainda hoje não sei o que senti, mas era como se sentisse que pertencia ali naquele pit com aquela agitação de fotógrafos. Naquela noite decidi que um dia haveria de fotografar ali e posso dizer que uma das minhas metas já foi cumprida.


(fotografia de Sophia Vieira)

Tens algumas referências no mundo da fotografia que te inspirem?

A minha primeira referência foi a Rita Carmo, mas agora confesso que estou bastante distante do trabalho dela. Influenciam-me fotógrafos como o Helmut Newton, o Mario Testino, o Mark Seliger, a Autumn De Wilde, o JB Mondino, o Anton Corbijn (talvez o que admire ainda mais porque começou a fotografar pela mesma razão que eu, não ter coragem de subir a um palco e encarar uma plateia como um verdadeiro músico), a Annie Leibovitz, o Richard Avedon, o Jorge Molder, a Nan Goldin, o Sam Haskins, o Terry Richardson, o Irving Penn, o Steven Meisel, o Mario Sorrenti, o Peter Lindbergh, o David Sims, o Tim Walker, o Marc Hom, Patrick Demarchelier, o Ryan McGinley, o Guy Bourdin, o Hedi Slimane, o Frederico Martins, o Mário Principe, o Pedro Ferreira, entre muito outros. Isto porque todos os dias vejo imagens que me inspiram.

Para além do trabalho com máquinas digitais tens também trabalhado com outras máquinas como as Lomo. Achas que continua a existir espaço para essas máquinas?

Eu conheci as Lomos em 2006, através de uma colega de faculdade e algum tempo depois comprei uma Pop 9 em segunda mão. Depois concorri a um concurso da Lomo na SIC Radical e ganhei uma Supersampler e já no ano passado adquiri uma Diana F+ que utilizei nesta última edição da ModaLisboa. Confesso que não são as máquinas que utilizo mais no meu dia-a-dia devido ao custo dos rolos e das revelações, mas adoro levá-las para eventos como a ModaLisboa ou os festivais de Verão porque são menos intimidantes para as pessoas e há todo um factor surpresa do que vai sair dali. Por isso acho que há espaço para projectos específicos.

Tens uma Polaroid? Ainda a usas?

Tenho uma Polaroid One 600 que me custou dez anos de muita persuasão ao meu pai. Isto porque olhei para ela sozinha naquela vitrina lá da loja demasiado tempo e só quando fui para a universidade é que o meu pai me fez a vontade. Desde o final de 2009 que tenho um projecto chamado ‘The Road’, que consiste em fotografar pessoas que de alguma forma moldaram o meu percurso cultural. Essencialmente são músicos e bandas, mas orgulho-me muito de ter lá um retrato da Cindy Sherman, uma das minhas fotógrafas favoritas e tema da minha tese de mestrado. Confesso que gosto muito dos filmes originais Polaroid e ainda não experimentei as novas recargas do Impossible Project, mas acho que qualquer dia terei de me render porque é cada vez mais díficil encontrar filmes originais.

Profissionalmente como vês a situação dos fotógrafos em Portugal?

Má, muito má, até porque as pessoas não consideram a fotografia um emprego, mas sim um hobbie. A democratização da fotografia digital fez com que toda a gente fosse ‘fotógrafo’ e que as pessoas a tratem como algo banal, que qualquer pessoa pode fazer ao olhar para um LCD. Por exemplo, tenho pessoas que me pedem ‘olha não queres vir fazer aqui umas fotos de uma festa, jantas cá e fotografas?’, ao que eu respondo ‘não, eu ainda não estou no nível de fotografar por comida’. Mas, quando chegas a essa pessoa e dizes ‘olha vê aqui o que se passa com o meu cão?’, elas respondem-te ‘ah marca lá uma consulta no consultório que eu depois vejo-o e faço-te um preço de amigo’. Amigo, é se pagar pelo nosso trabalho. Algo que se tornou na minha luta diária, pois trabalho de borla só atrai mais borlas.

Já pensaste em emigrar?

Sim, todos os dias dos últimos três anos. No entanto, não sou pessoa de me mandar numa aventura de mochila às costas, até porque já vi muitos amigos a serem obrigados a voltar porque também não tiveram sorte lá fora. Para além disso, acho injusto ainda ir pedir dinheiro aos meus pais para emigrar quando eles já me pagaram uma formação superior.

Como imaginas que será a tua vida daqui a 10 anos?

Não imagino, deixei de ter planos a longo-prazo. Agora estou a viver com base no ‘Efeito Checklist’ do Atul Gawande. No entanto, espero no futuro ter uma situação mais estável. Visto que trabalho tanto em Comunicação como em Imagem e vontade de trabalhar não me falta. Sinto é que me falta oportunidade.

O que vamos poder ver na exposição da PT Bluestation “Fashion Inside’Out”?

Vão poder ver imagens de um mundo a que normalmente não temos acesso, os bastidores da ModaLisboa. São cerca de quinze imagens das últimas duas edições deste evento e que nos mostram criadores, modelos, maquilhadores, cabeleireiros e aderecistas durante o corre corre da ModaLisboa.

É no mundo da moda que gostarias de desenvolver o teu trabalho?

Sim, e não só. Eu sinto-me acima de tudo fotojornalista, gosto de fazer um pouco de tudo. Reportagem, Espectáculo, Retrato, Moda, Publicidade, etc. No caso, da Moda, tem sido uma paixão que tem crescido nos últimos dois anos e sinto que ainda preciso de aprender, como por exemplo a assistir um fotógrafo mais experiente. No entanto, um dos meus objectivos do futuro passa por chegar à Canon Workstation da Moda Lisboa.



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