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Insurgente

Inconsequente

Ao longo da já centenária história do cinema, vários romances sobre  a civilização humana no futuro foram adaptados ao grande ecrã. Quase sempre de uma maneira que temos a esperança que seja apenas de um pessimismo militante.

Desde o famoso Metrópolis com a sua visão autocrática e mecanicista da sociedade do futuro aos mais recentes V de Vendeta ,Matrix, Elysium ou Hunger Games entre tantos outros, o futuro é um lugar sinistro, totalitário e (quase)  sem esperança.

É nessa lista que agora se encontra este Insurgente, segunda parte da adaptação do romance Divergente de Veronica Roth, que agora estreou no cinema.

Começando onde o filme anterior terminou, com Beatrice “Tris” Prior (Shailene Woodley), a escapar do terrível massacre ordenado pela despótica Jeanine ( Kate Winslet), junto com o seu ex-instrutor e namorado Four (Theo James), o pai dele Marcus (Ray Stevenson), seu irmão Caleb (Ansel Elgort) e o ambíguo colega Peter (Miles Teller).

A narrativa é desta vez dirigida por Robert Schwentke, substituindo Neil Burger que havia realizado o bem sucedido comercialmente “Divergente“. Quanto ao argumento também ele foi transferido das mãos de Evan Daugherty e Vanessa Taylor para Brian Duffield, Akiva Goldsman e Mark Bomback.

Desde já quero deixar claro que considero este Insurgente enquanto produto cinematográfico para as massas, menos interessante que o primeiro filme extraído das obras de Roth.

Livros que tive o cuidado de ler um pouco antes da estreia de Divergente.

Apesar de ser dirigido a um público juvenil, tem algumas boas ideias especialmente nos momentos em que faz críticas mais ou menos veladas às sociedades de castas, grupos e /ou sociedades secretas e herméticas e no limite civilizações baseadas em sistemas totalitaristas onde as forças políticas são marionetes de interesses pouco claros e na maioria criminosos.

Futuro ou presente?

Contudo, este lado mais interessante da obra é melhor explorado no 1º filme e mesmo aí , apenas em alguns raros momentos, sendo que os filmes vivem mais das cenas de ação do que propriamente do que poderia ser a crítica social.

No inicio do filme, a déspota Janine faz um breve resumo para todos aqueles que não viram a primeira obra ou nunca leram a trilogia Divergente.

As castas, as qualidades  e características que identificam cada um dos seus constituintes e os perigos dos divergentes, que possuem uma amplitude de conhecimentos e aptidões que lhes permitem visões mais amplas e escolhas não parametrizadas.

Um atentado para os partidários da “normose”.

Se no primeiro filme, as comparações com Hunger Games são constantes, neste Insurgente há muitas semelhanças com o Matrix. Especialmente o caminho para a descoberta interior de Tris.

Mais uma vez  Shailene Woodley no papel da jovem heroína Tris, leva o filme às costas, sendo a única personagem bem explorada do ponto de vista da intensidade e da expressão.

Chega a dar pena ver Kate Winslet tão mal aproveitada, dando corpo a uma personagem que sendo maquiavélica acaba por ser aborrecida.

Não é que as personagens nos livros sejam muito vibrantes, mas no filme são opacas, sem expressão.

Mesmo quando as personagens de Caleb e Peter se tornam mais tortuosas e por isso mais interessantes, o filme não consegue fazer jus à ambiguidade das personagens, entregando as suas motivações de forma gratuita sem o mais pequeno suspense. E esse é talvez o maior problema do filme, a incapacidade de nos obrigar a pensar.

Bem sei que estamos a falar de uma obra juvenil, mas o ponto de partida é muito mais interessante que a saga Crepúsculo.

Lamentavelmente o resultado é igualmente desinteressante ( que os indefectíveis não leiam o que disse…).

Acaba por ficar o uso e abuso de CGI, as cenas que resultam como uma orgia visual no 3D e o espetacular som do Dolby Atmos ( que já elogiei aquando da inauguração do @cinema , no Saldanha Residence) e  pouco mais.

É já público que o 3º livro da saga – Convergente  – vai merecer 2 filmes para lhe fazer justiça, o que à luz das dificuldades de manter ritmo e interesse deste Insurgente, pode ser uma má notícia.

Sai com um Satisfaz Pouco!



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