Jacco Gardner @ Musicbox (4.2.2014)

Jacco Gardner @ Musicbox (4.2.2014)

Gardner não anda aqui para enganar ninguém

Primeiro as coisas más: o ruído produzido pela plateia, as conversas, as gargalhadas. A certa altura, o nosso anfitrião anuncia uma balada, a muito apropriadamente intitulada «Lullaby». Adivinhamos o pior: não vamos conseguir captar grande coisa. Após vários minutos a trabalhar a canção, esta explode e é aí que o público reage efusivamente, como se de uma nova canção se tratasse. O pior foi, portanto, as várias dezenas que estiveram no Musicbox para colocar a conversa em dia. Felizmente, as restantes centenas fizeram Jacco Gardner sentir-se em casa e prometer rápido regresso.

Gardner não anda aqui para enganar ninguém – quem ouviu “Cabinet of Curiosities”, de 2013, sabe que o músico é um devoto da causa psicadélica dos 60s, principalmente a da frente dos Pink Floyd de Syd Barrett. É uma figura simpática e misteriosa que em palco conta com a ajuda de outros quatro músicos e de um projector que se passeia por muitas das referências do holandês – contos de fadas, princesas Disney, histórias de encantar, Mary Poppins, Alice no País das Maravilhas, coisas que contribuem para solidificar a sua aura misteriosa. Entre “canções de verão” e outras que instalam um clima fantasmagórico, Jacco joga o som com imagens que não se repetem, ou seja, ao contrário de muitos espectáculos que exploram a projecção, as imagens não estão em loop, o que contribui para a construção de uma narrativa e não apenas de um mero adereço de palco.

Quase sem paragens, Gardner anuncia, já de madrugada e sem preparação, que só toca mais uma. A boa casa não deixou que assim fosse – ainda foi a tempo da redenção.

Fotografia por José Eduardo Real



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