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Le~Joy

Ou os prazeres apanhados pela fotografia.

Da cidade do Porto chegam-nos imagens a preto e branco, intemporais, que nos deixam perceber algumas formas entre as sombras e os rasgos de luz que as pontuam. Nelas reinventamos histórias, antigas, recentes, reconhecemos silhuetas, identificamos situações.

O seu autor, João Sousa, fotógrafo, director de arte e documentarista independente da cidade invicta cria a Le~Joy, a identidade que unifica todo o seu trabalho em todas essas diferentes áreas e que o apresenta ao público e clientes como autor destes mundos urbanos e livres. Graças às suas múltiplas valências, os projectos em que se envolve são trabalhados duma forma mais abrangente e funcional e eventualmente enriquecidos com elementos e influências de outras áreas visuais, não necessária e exclusivamente pertencentes ao mundo da fotografia.

Após uma temporada como fotógrafo e director de arte na inspiradora e trendy Barcelona, João volta a cidade que o viu crescer, o Porto, onde têm vindo a se dedicar de corpo e alma à divulgação do seu percurso profissional através da label Le~Joy. Muito recentemente foi também colocado online o seu website, reflexo da sua identidade como artista visual, um showcase do seu trabalho. É neste ponto da sua carreira que o fomos encontrar, entre câmaras fotográficas e pranchas de surf, entre colaborações com agências de comunicação e salas de ensaios.

Depois de trabalhares como fotógrafo e director de arte para várias empresas, no Porto e em Barcelona, Le~Joy é o teu projecto individual.

Com o recente lançamento do website, onde divulgas o teu trabalho, consideras que estás numa fase de mudança e afirmação do teu trabalho, principalmente como fotógrafo?

Sem dúvida. Este é um momento que tenho dedicado especialmente à divulgação e à exposição. Com isso espero iniciar um novo ciclo de projectos. Regressei de Barcelona em finais de 2007 e tenho estado a trabalhar em Portugal desde então. No entanto, no ano passado comecei a sentir a necessidade de estruturar o meu trabalho e criar algo que o divulgasse duma forma mais forte e consistente. Todo o processo de construção do site e da identidade de Le~Joy teve tanto de luta como de estimulante porque exigiu que olhasse para o trabalho realizado até agora duma forma crítica, mas também que definisse uma postura enquanto ‘marca’ e, principalmente, objectivos.

As tuas imagens são muito fortes, mas quase como frames soltas de um filme, espontâneas e sinceras. Falo do conjunto de fotos que tens, por exemplo, na serie Lions. O que te agrada e que estética procuras neste tipo de imagem?

A série Lions é algo que faço sem nenhuma base enquanto projecto e que continuo a fazer, por isso talvez o termo ‘série’ não seja o mais adequado. Lions é mais como um rótulo, uma tag.

O que me atrai nestas imagens é uma curiosidade pela espécie de clusters culturais que se geram, especialmente nos teen years mas não só, e que possuem uma estética, e atitudes muito próprias. São altamente influenciados pela música, moda, televisão etc, e se por um lado transparecem tudo isso, por outro apropriam-se dessas influências duma forma bastante transformadora e até critica. O skate está bastante presente, tal como o surf, mas são mais como símbolos ou marcadores. São apenas o pretexto para observar o que está à volta.

De que modo te influencia o trabalho de fotografia a tua formação em design?

A fotografia já era importante antes de ter iniciado a minha formação como designer, por isso, para mim é difícil ter essa noção. Quando saí da faculdade trabalhei essencialmente como designer gráfico, mas com o tempo foram aparecendo desafios que saíam um pouco desse âmbito. Edição, moda, vídeo. Isso fez-me perceber que a minha formação como designer não era tão limitativa como pensava inicialmente e que havia uma razão para o termo Design de Comunicação Visual soar bastante abrangente.

Qual seria o teu projecto ou cliente ideal neste momento? Há algum trabalho em particular que te agradasse abraçar?

No que toca a projectos independentes, tenho estado a preparar um documentário com uma dimensão maior do que estou habituado eu que vai envolver conhecer gente muito porreira e viajar um pouco. Esse é, neste momento, o meu projecto de sonho. Quanto a clientes acho que nunca pensei muito nisso, embora existam marcas, entidades e publicações para quem gostava muito de fotografar simplesmente porque se inserem num meio cultural e interagem com públicos com que me identifico. O surf, skate, a música, etc. Mas acima de tudo quero manter uma abertura a todos os géneros de cliente e estilos de projecto porque acredito que essa diversidade me enriquece muito enquanto fotógrafo.

Na preparação desta entrevista chamou-me a atenção principalmente o projecto Nova#1, em que captas imagens dentro de salas de ensaios de diversas Bandas nacionais. Queres falar-nos um pouco deste trabalho? Quem fotografaste, em que locais, que balanço fazes do resultado final…

O Nova#1 explora um grupo de músicos e bandas do Porto num ambiente normalmente desconhecido para o público. Quis fazer um retrato de uma comunidade para essa mesma comunidade, essa é principal característica neste projecto. Essa ideia de sociedade que existe entre algumas das bandas no Porto e que cria uma dinâmica muito forte. Estou muito satisfeito com o resultado final porque sinto que encontrei o que procurava. Há todo um lado de dedicação e entrega destes músicos que mantém essa comunidade viva e renovada e que representa um motor essencial para a vida cultural da nossa cidade. O Nova#1 conta com o Foge Foge Bandido, Os Tornados, Sizo, Society For The Big Nothing e The Weatherman e a eles muito obrigado.

Nestas imagens a tua presença como fotógrafo é praticamente despercebida, não existe qualquer tipo de encenação ou preparação para uma sessão fotográfica, ou assim nos dás a entender. Isto acontece por teres alguma familiaridade com quem trabalhaste?

Essa espontaneidade era uma das premissas deste projecto para conseguir uma abordagem o mais intimista e real possível. A motivação do Nova surge em parte por eu já ter feito parte desta comunidade enquanto músico e continuar a fazer enquanto amigo da maioria dos músicos que são retratados. Essa cumplicidade não só motivou mas também ajudou a que a minha presença na sala se diluísse mais. Hoje quando olho para algumas das fotografias sinto claramente que o resultado final teria sido outro se não houvesse essa empatia.

Contudo, e já pensando num seguimento do Nova#1, tenho alguma ansiedade em fotografar outros músicos, num mesmo contexto de projecto, mas com quem não tenho nenhuma relação pessoal e explorar isso como parte do processo. A ver…

Podemos ver actualmente o teu trabalho exposto em algum local?

Neste momento estou a preparar a exposição do Nova#1. Inicialmente será exposto no Porto e numa segunda fase gostaria de levar o projecto até Lisboa caso haja interesse.

Numa perspectiva diferente, a This is Pacifica, atelier com quem colaboro há cerca de dois anos, vai estar presente numa mostra de estúdios portugueses organizada pela Experimenta Design que estreia no dia 5 de Junho em Lisboa.



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