Leonard Cohen @ Pavilhão Atlântico (7.10.2012)

Leonard Cohen @ Pavilhão Atlântico (7.10.2012)

Aos 78 anos, vestido de fato e chapéu preto, o cantor-poeta desfiou harmoniosamente o seu vasto catálogo ao longo de quatro horas (incluindo um intervalo), preenchidas com mais de trinta músicas

Na recente música «Going Home», Leonard Cohen define-se como um lazy bastard, mas o que um Pavilhão Atlântico quase cheio voltou a testemunhar foi um músico talentoso e generoso. Aos 78 anos, vestido de fato e chapéu preto, o cantor-poeta desfiou harmoniosamente o seu vasto catálogo ao longo de quatro horas (incluindo um intervalo), preenchidas com mais de trinta músicas.

A sua entrada em palco, na quarta passagem por Portugal desde 2008, ficou marcada por uma ovação em pé de uma audiência maioritariamente sénior, imediatamente retribuída com «Dance me to the end of love» e com promessas de “dar tudo o que tenho”. Caloroso e de trato delicado, Cohen foi um verdadeiro mestre-de-cerimónias, ora tecendo rasgados elogios aos seus músicos, com honras de apresentação individual, ora correndo e saltitando nas diversas entradas e saídas de palco, ora ainda ajoelhando-se em várias canções e até provocando a audiência quando, durante a célebre «I’m your man», tirou o chapéu numa vénia sensual.

Como se não bastasse o dom de ter nascido com uma golden voice, Cohen fez-se acompanhar de grandes músicos, onde pontuava a guitarra do espanhol Javier Mas e o violino de Alexandru Bublitchi. Polvilhados pela excelência vocal das irmãs Webb e também de Sharon Robinson, sua companheira de composição de longa data.

O alinhamento não diferiu muito do seguido no concerto de há dois anos no mesmo recinto, embora desta feita sem «Ain’t No Cure For Love» nem «Chelsea Hotel». Mas houve espaço para muitos outros clássicos e para quatro músicas novas de “Old Ideas” (o novo álbum que dá título à Tour, cuja etapa europeia terminou precisamente em Lisboa), todas tocadas na primeira parte do concerto e que se integraram muito bem no meio dos inúmeros êxitos. E também para, já na segunda parte, entregar o protagonismo às irmãs Webb (em «Coming back to you») e a Sharon Robinson (em «Alexandra Leaving»).

A despedida (antes dos encores) fez-se com um poderoso trio de canções: «I’m your man», «Hallelujah» (recebido com sorrisos do público, no momento em que nos confessou: “I didn’t come to fool you”) e «Take this Waltz», altura em que quem estava sentado nas primeiras filas da plateia se levantou em uníssono para ver a lenda mais de perto.

O primeiro encore fechou com «First We Take Manhattan», acompanhada com muitas palmas. Voaram rosas para o palco, que o cavalheiro das trevas apanhou e ofereceu de forma espontânea a cada uma das suas donzelas. Mas na manga restavam ainda mais dois encores bem guardados por um Cohen matreiro: desenganando quem pensasse que tudo acabaria ao som de «Closing time», regressou para tocar «I tried to leave you», deixando para o fim o derradeiro trunfo – uma versão de «Save the Last Dance for Me», tema original dos The Drifters.

Já passava da uma da manhã quando os mais resistentes (entretanto algumas pessoas abandonaram o recinto, talvez por ser véspera de início de semana) tiveram finalmente autorização para regressar a casa. Com a esperança de que esta não tenha sido a última vez. Afinal de contas, o Leonard Cohen que durante «The Darkness» reconheceu que “I’ve got no future, I know my days are few”, é o mesmo que, desafiando a própria idade, nos prometeu futuros encontros. Entre “amigos”.

Fotografia por Graziela Costa.



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