Lilás

De 19 a 22 Janeiro no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.

Uma porta de ferro, invulgarmente larga, abre-se e o Rapaz entra, deixa a porta aberta, a Rapariga entra atrás dele e ele fecha a porta e abre a luz no interruptor à direita da porta: uma espécie de abrigo anti-aéreo; paredes escuras de betão, por pintar; nenhuma janela; alguns suportes de microfone; colunas de som e amplificadores; uma guitarra preta e uma guitarra-baixo estão encostadas cada qual à sua coluna de som; uma bateria: no chão vêm-se garrafas vazias, cabos, porcaria e uma cadeira de madeira.

Assim se inicia “Lilás”, da autoria do norueguês Jon Fosse. A peça está em cena entre 19 e 22 de Janeiro no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém e começa com a abertura e fecho de uma porta, real ou imaginária. O espaço onde a peça se desenrola lembra um abrigo anti-aéreo. Tem paredes de betão escurecidas e sem pintura e não tem janelas. Há alguns suportes de microfone; colunas de P.A.; amplificadores; uma guitarra preta (ou outra cor qualquer) e um baixo, cada um deles encostado a uma coluna; uma bateria e uma cadeira de costas altas. Há cabos, garrafas vazias e destroços espalhados pelo chão.

No que diz respeito ao cenário, menos é definitivamente mais. Espaço e luz são de igual importância. O espaço tem uma importância primordial no trabalho de Jon, em especial, a relação actor/espaço, actor/contracena e actor/público. Neste contexto, o espaço é muito mais importante que a cenografia.

As personagens nas peças de Jon Fosse quase nunca são o que aparentam. Nenhuma delas é necessariamente má ou demasiado especulativa. Não tendo grandes ambições ou objectivos de vida, as personagens querem simplesmente viver um sonho. Isso torna-as personagens modernas. Normalmente, Fosse prefere não dar nomes aos seus personagens. Ele não quer descrever um ser humano específico, de uma forma específica. Só usa nomes próprios quando, por questões práticas, não pode ser evitado. “Lilás” tem um elenco de cinco pessoas: quatro rapazes e uma rapariga. São todos sensivelmente da mesma idade.

Jon Fosse nasceu em 1959 em Haugesund, no Oeste da Noruega. Vive há 20 anos em Bergen. Escreve em novo Norueguês, língua obrigatória nas escolas mas que só é falada nessa região. Estreou-se na literatura em 1983, tendo publicado cerca de quinze livros antes de chegar ao teatro: romances, poesia, ensaios, novelas e livros para crianças. A sua primeira obra para teatro foi escrita em 1994. Desde então já escreveu mais de quinze peças, que têm sido representadas na Noruega e no estrangeiro, dirigidas por encenadores como Gunnel Lindblom, Claude Régy, Jacques Lassale, Thomas Ostermeier, Barbara Frey, Katie Mitchell. Jon Fosse esteve em Portugal em Março de 2000, aquando da estreia de Vai Vir Alguém n’a Capital e voltou a 11 de Março de 2001 para assistir a Sonho de Outono.

A peça está em cena de 19 a 22 Janeiro no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.



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